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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Será que os cristãos não devem QUERER ficar ricos?


“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.” (1Timóteo 6:9)


No novo Testamento encontramos essa passagem, assim como outras igualmente sérias (algumas dos lábios de Jesus) que nos advertem contra colocar nossos corações nas riquezas, vivendo nossas vidas com o objetivo principal de acumular riquezas. Não é simplesmente uma questão moral, mas há muito dito aqui em termos de sabedoria e prudência.


Creio que o apóstolo está avisando que devemos nos vigiar e sermos muito cuidadosos pois a busca de riqueza pode se tornar uma armadilha sutil e devastadora. O desejo por essas riquezas, e o poder que vem com elas, pode cegar a pessoa para outras coisas que são muito mais valiosas e importantes aos olhos de Deus. Pode de tal maneira distrair nossa atenção de riqueza fundamental – a riqueza espiritual – que somos pegos e caímos numa armadilha, presos a tal ponto nessa busca, que somos capazes de comprometer nossa integridade a praticamente qualquer coisa para ganhar aquele poder. A riqueza pode nos destruir.

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.” (Mateus 6:19-20)

Lemos esse outro ditado no Novo Testamento: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.” (1Tm 6:10). Dinheiro em e por si mesmo não faz nada – ele não sai para matar ninguém, por exemplo. Mas a nossa paixão pelo dinheiro e por aquilo que ele nos dá, indica alguma coisa a respeito de nosso coração. Jesus disse que não devemos estocar tesouros na terra, mas sim no céu (Mt 6.19-20). Essas advertências e avisos são muito sérios e devemos examinar nossas almas para ter certeza que não fomos pegos por um desejo de riqueza e prosperidade a ponto de negligenciarmos as coisas de Deus.

Não há nada de errado em desejar ter roupa sobre o seu corpo nu, ter alimento para seu estômago faminto, ter uma casa confortável para viver. Não há nada de errado em tentar obter lucros nos negócios. Em última análise, seu lucro pode ajudar a muitos, ou a todos; pode ter um efeito positivo no mundo. Sem lucro não há comércio, e sem comércio não existe bem estar material.

O desejo de prosperar é legítimo. Deus até mesmo promete certos elementos de prosperidade para seu povo. Mas a busca da prosperidade deve estar sempre circunscrita pelas prioridades do reino de Deus. Penso que o apóstolo está nos dizendo que se desenvolvemos uma fixação por prosperidade, perdemos o equilíbrio, e também o reino de Deus.


RC Sproul
Teólogo, Pastor e Professor em Orlando, na Flórida.
Extraído do Livro Boa Pergunta! – Editora Cultura Cristã


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Porque um Deus santo e amoroso permite o sofrimento?


Por RC Sproul
Extraído do livro "Boa Pergunta!"


Se Deus é todo poderoso, por que Ele permite o sofrimento?

John Stuart Mill levantou essa objeção clássica contra a fé cristã: Se Deus é onipotente, e permite todo esse sofrimento, então ele não é benevolente, ele não é um Deus misericordioso, ele não é amoroso. E se ele é amoroso para com todo mundo, e permite todo esse sofrimento, então, certamente, ele não é onipotente. E, dado o fato do pecado, ou o fato do sofrimento, não podemos jamais concluir que Deus é ambas as coisas onipotente e benevolente. Pos mais brilhante que John S. Mill seja, tenho que discordar nesse ponto e examinar o que as Escrituras dizem sobre essas coisas.

Mantenha em mente que, dentro de uma perspectiva bíblica, o sofrimento é intrinsecamente relacionado com a queda desse mundo. Não havia sofrimento antes do pecado. em minha interpretação, as Escrituras dizem que o sofrimento ness mundo é parte do conjunto de julgamento de Deus sobre o mundo. Você está perguntando: Como um juíz justo pode permitir que o criminoso sofra? Como um juiz justo pode permitir que um ofensor violento seja punido? A pergunta que deveríamos fazer é: Como um juiz justo pode não permitir a punição para aqueles que cometeram atos de violência ou crimes de toda sorte? Por trás dessas perguntas está sempre a santidade de Deus e sua perfeita justiça. Nossa compreensão de Deus está baseada e fundamentada no ensino das Escrituras de que ele é o justo Juiz. O Juiz de toda terra sempre faz o que é certo.

No capítulo 9 de João, os fariseus dizem a Jesus: "quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" Jesus respondeu: "Nem ele pecou, nem seus pais". Não podemos tirar a conclusão de que os sofrimentos de uma pessoa nesse mundo estão em proporção direta ao seu pecado. Isso foi o que os amigos de Jó fizeram quando vieram a ele e o atormentaram dizendo: "Jó, meu caro, você está realmente sofrendo muito. Isso deve ser uma indicação de que você é o mais miserável pecador do mundo." Mas a Bíblia diz que não podemos usar essa fórmula. O fato é, se não houvesse pecado no mundo, não haveria sofrimento.

Deus permite o sofrimento como parte de seu julgamento, mas ele o usa também para nossa redenção - para moldar nosso caráter e fortalecer nossa fé.



E Porque um Deus santo e amoroso permite que uma criança sofra com uma doença série como o câncer?
Normalmente associamos o amor de Deus com os benefícios que recebemos dele e com as bêncãos que vêm de suas mãos bondosas e misericordiosas. Porque seu amor se manifesta em coisas boas que nos acontecem, às vezes recuamos chocados e consternados quando vemos uma criança atingida por uma doença ou algum outro trauma.

Antes de respondermos à pergunta de por que Deus permite que uma criança sofra, precisamos fazer a pergunta: Porque Deus permite que o sofrimento aconteça a qualquer pessoa, quer ela tenha dois anos de idade, dois meses ou vinte anos. As Escrituras nos dizem que o sofrimento entrou no mundo como consequência da queda do homem e da criação; isto é, Deus tem trazido julgamento a esse planeta por causa do pecado. Isso inclui as maldições de dor, doenças, tristeza e morte que acompanham as consequências da iniquidade.

Como um Deus santo e amoroso pode permitir que um nenê sofra uma doença debilitante?
Creio que a resposta está parcialmente contida na própria pergunta. Deus é santo, e em sua santidade exerce julgamento contra a iniquidade que prevalece na natureza humana. Quando fazemos a pergunta a respeito de crianças pequenas, às vezes, oculta atrás da pergunta está a pressuposição não declarada de que os nnês são inocentes. Praticamente todas as igrejas na história do cristianismo tiveram que desenvolver alguma noção daquilo que chamamos pecado original, pois as Escrituras nos ensinam claramente que somos nascidos num estado de pecado e que a maldição da queda acompanha toda a vida humana. Isso soa cruel e terrível, até compreendermos que naquele julgamento da humanidade decaída vem também o abrandamento da ira de Deus com misericórdia e graça e toda a sua obra de redenção. Cremos com grande e alegre antecipação que existe uma medida especial de graça que Deus reservou para aqueles que morrem na infância. Jesus disse: "Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus" (Mc 10:14).

Um aviso que preciso levantar aqui é que não devemos saltar para a conclusão de que a doença ou aflição particular de uma pessoa individual é resultado direto de algum pecado especial. Esse pode não ser o caso de maneira nenhuma. Como humanos, todos participamos do conjunto amplo da queda de nossa humanidade, o que inclui a tragédia da doença.

* Deixe seu comentário sobre o assunto.

Neryvan Felipe