A Verdade é a Base do Verdadeiro Amor Cristão
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sábado, 24 de março de 2012

A incomparável majestade de Deus

O profeta Isaías há dois mil e setecentos anos anunciou, de forma eloqüente, a majestade de Deus. Destacou a supremacia de Deus em relação à criação (Is 40.12,27), à ciência (Is 40.13,14), às nações (Is 40.15-18), aos ídolos (Is 40.19,20), aos moradores da terra (Is 40.21,22), aos príncipes (Is 40.23,24). Deus é incomparavelmente grande e majestoso, pois Ele infatigavelmente fortalece ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. O profeta Daniel diz que o povo que conhece a Deus é um povo forte e ativo (Dn 11.32). 

O conhecimento de Deus é a própria essência da vida eterna. Deus é o nosso criador, provedor, redentor, protetor, consolador e galardoador. Destacaremos três aspectos da majestade de Deus:

Em primeiro lugar, Deus é majestoso pela obra da criação. Desde que Charles Darwin publicou seu livro “Origem das Espécies” em Londres em 1959, a teoria da evolução tem se tornado muito popular. Muitos confundem a teoria da evolução com as verdades científicas. Há aqueles que pensam que o universo veio à existência por geração espontânea. Outros entendem que o universo é resultado de uma colossal explosão. Outros, ainda, defendem que o universo é resultado de uma evolução de bilhões e bilhões de anos. Faltam a essas teorias a evidência das provas. Sabemos que o universo é composto de matéria e energia; isso a ciência prova. Sabemos que o universo é governado por leis; isso a ciência prova. Sabemos que massa e energia não geram leis; isso a ciência prova. Logo, alguém fora do universo criou essas leis que governam o universo. O criacionismo tem a evidência das provas. O relato da criação, conforme registrado em Gênesis 1 e 2 está em estreita sintonia com os ditames da ciência. O mesmo autor da criação é o autor das Escrituras. 

Embora haja algumas evidências do criacionismo, comprovadas pela ciência, cremos pela fé, que Deus o criou o universo. Antes do início só Deus existia. A matéria não é eterna. Deus trouxe à existência as coisas que não existiam. Ele do nada tudo criou, tudo sustenta e tudo governa.

Em segundo lugar, Deus é majestoso pela obra da providência. Deus não apenas criou o universo, mas também o sustenta. Ele não é apenas transcendente, mas também imanente. Os deístas acreditavam na transcendência de Deus, mas negavam sua imanência. Imaginavam Deus como um ser absolutamente soberano, que havia criado o universo como um relojoeiro que fabrica um relógio, dá corda nele e o deixa trabalhando sozinho. Como teístas que somos, cremos também na imanência divina. Deus está presente. Nele nos movemos e existimos (At 17:28). É Deus quem nos dá a respiração e tudo o mais. É Deus quem nos dá o sol e a chuva. É Deus quem nos dá saúde e a cura da enfermidade. É Deus quem nos dá o alimento e o apetite. É Deus quem nos dá proteção e livramento. É Deus quem nos dá paz no vale e alegria em meio às lutas. É Deus quem enche a terra de fartura e os mares de riquezas insondáveis. É Deus quem veste os lírios do campo e alimenta as aves do céu. Deus é a fonte de todo bem e a origem de toda boa dádiva.

Em terceiro lugar, Deus é majestoso pela obra da redenção. O mesmo Deus que criou o universo e o sustenta pela palavra do seu poder, também providenciou para seu povo eterna redenção. A salvação não é fruto do esforço humano nem mesmo o resultado de uma parceria entre Deus e o homem. A salvação é uma obra exclusiva de Deus. Tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados e Deus nos deu vida. Estávamos longe e fomos atraídos para Deus com cordas de amor. Estávamos manchados pelo pecado e fomos lavados pelo sangue de Cristo. Éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos de Deus, mas fomos alcançados pela graça divina. Éramos filhos da ira, mas agora somos membros da família de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo.


Mensagem Pastoral

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Revelando-se por trás das máscaras



Atualmente estamos no período do Carnaval, pois o carnaval é a maior festa popular do Brasil, e talvez, do mundo. Nessa festa da extravagância e dos excessos, muitas pessoas saem às ruas usando máscaras ou fantasias. 

Algumas dessas pessoas escondem-se atrás das máscaras; outras se revelam por meio delas. Uma máscara é tudo aquilo que esconde ou encobre a nossa verdadeira identidade. É importante ressaltar que existem máscaras tocáveis e intocáveis; algumas cobrem o rosto; outras tentam disfarçar as atitudes da alma. De certo modo todos nós usamos máscaras, pois aquele que diz que nunca usou uma máscara, possivelmente esteja acabando de afivelar uma no rosto, a máscara da mentira. 

O problema das máscaras é que elas proclamam uma mentira ou escondem uma verdade. Quando usamos máscaras, as pessoas passam a amar não quem nós somos, mas quem nós aparentamos ser. As máscaras também não são seguras, e por melhor que nós as afivelemos, elas podem cair nas horas mais impróprias e nos deixar em situação de total constrangimento. 

Queremos mencionar aqui algumas máscaras usadas ainda hoje: 

1. A máscara da piedade - O apóstolo Paulo, ensinando sobre a doutrina da Nova Aliança, diz que podemos ser ousados em vez de agir como Moisés que pôs um véu sobre a face para que as pessoas não atentassem para a glória desvanecente em seu rosto.  Quando Moisés subiu o Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, ao regressar, seu rosto brilhava, e as pessoas não podiam olhar para ele (Êxodo 34:29-35). Então, ele colocou um véu em sua face para que as pessoas pudessem se aproximar e falar com ele. Mas houve um momento em que Moisés percebeu que a glória estava acabando. Ele não precisava mais do véu, porém, ele continuou com o véu, porque não queria que as pessoas soubessem que sua glória era desvanecente. Muitas vezes, somos parecidos com Moisés, pois tentamos impressionar as pessoas com uma espiritualidade que não temos. Aparentamos ser mais crentes, mais piedosos do que na verdade somos. 

“Assim como o ouro pintado não enriquece um homem, da mesma forma a pintura de santidade não leva ninguém ao céu. Aquele que tem apenas uma santidade pintada terá uma glória pintada. Aquele que usa pretexto plausível, usa mascara de piedade, está se expondo a si mesmo, ao desprezo de satanás.” 

2. A máscara da autoconfiança - O apóstolo Pedro era um homem impulsivo, porque falava para depois pensar. Quando Jesus declarou que seus discípulos iriam se escandalizar com ele e iriam se dispersar, Pedro não titubeou e foi logo dizendo que ainda que todos o abandonassem, ele jamais o faria. Disse ainda que estava pronto para ir com Jesus para a prisão ou até mesmo para a morte (Lucas 22:33). 

Pedro julgou-se forte e até melhor do que seus pares. Porém, naquela mesma noite, Pedro fraquejou e dormiu quando Jesus pediu para ele vigiar. Pedro abandonou a Jesus e seus condiscípulos e infiltrou-se na roda dos escarnecedores. Pedro negou, jurou e praguejou, dizendo que não conhecia a Jesus, e logo a máscara de sua autoconfiança caiu quando Jesus olhou para ele, então, ele caiu em si e desatou a chorar (Mateus 26:34). 

3. A máscara do legalismo - Um legalista é inflexível com as outras pessoas, mas condescendente consigo. Ele enxerga um cisco no olho de seu irmão, mas não vê uma trave no seu. O legalista preocupa-se mais com a forma do que com a essência, cuida mais da aparência do que do interior (Lucas 6:42). 

Os fariseus eram legalistas, pois eles eram fiscais da vida alheia, mas descuidados com sua intimidade com Deus, eram bonitos por fora, mas feios por dentro. Jesus os comparou a sepulcros caiados, limpos por fora, mas cheios de rapina por dentro (Mateus 23:27). Os fariseus eram hipócritas, porém eles eram atores que representavam no palco um papel diferente daquele desempenhado na vida real.


 

A vida cristã é uma contínua remoção das máscaras, entretanto a Bíblia diz que onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade; não liberdade para fazer o que queremos, mas liberdade para vivermos na luz.

Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo; (Efésios 4:13)

Pela obra de Cristo e pela ação do Espírito, podemos viver sem máscaras, sendo transformados de glória em glória, até atingirmos a estatura de Cristo, o Varão Perfeito.


Pr. Hernandes D. Lopes

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando Deus responde NÃO

A resposta negativa de Deus às nossas orações também é uma bênção, pois o NÃO de Deus é o nosso livramento, e a sua resposta contrária à nossa vontade é o maior gesto da sua misericórdia por nós.

 


Muitos são aqueles que sendo hoje tanto mais do que eram, e tendo tanto mais do que tinham, e estando tanto mais honrados do que estavam, ainda se queixam. Muitas vezes não sabemos também o que pedimos.

Pediria Raquel filhos se soubesse que o ter filhos lhe havia de custar a vida (Gn 30:1)?
Pediria Sansão a filistéia, se soubesse que ela havia de ser a causa de sua afronta, de sua morte e de perder os olhos com que a vira (Jz 16:1)?
Pediria o Pródigo a herança antecipada, se soubesse que com ela havia de comprar a miséria, a fome, a servidão e desonra (Lc 15:12)?

Claro está que não, pois se agora não haviam de pedir nada do que pediram, senão antes o contrário, porque o pediram então? Pediram porque não sabiam o que pediram. Isso deve nos ensinar aceitar o Não de Deus com gratidão. Ele conhece o futuro e sabe o que é melhor para nós. Ele nos atende não segundo a nossa vontade, mas segundo a perfeita vontade dEle.

Os que se submetem a vontade de Deus
Jesus ensina no Sermão do Monte: “Pedi e dar-se-vos-á”. E para maior confirmação desta promessa acrescenta: “Pois todo o que pede, recebe” (Lc 11:9-13). Não diz Jesus que todo o que pede recebe o que pede. Diz Jesus que todo o que pede recebe. Muitas vezes, porém, recebe o contrário do que pede.

Jesus confirma seu ensino com três exemplos familiares: “Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião?” Pois esta é a razão porque Deus, que nos trata como filhos, nos diz muitas vezes um NÃO e nos nega o que pedimos; porque pedimos pedras, porque pedimos serpentes, porque pedimos escorpiões.

Cuidamos que pedimos sustento e pedimos veneno; cuidamos que pedimos o que havemos de comer e pedimos o que nos há de comer; cuidamos que pedimos com que viver, e pedimos o que nos há de matar – e isto é pedir serpentes e escorpiões.

Quando somos tão néscios que não distinguimos o escorpião do ovo, nem a serpente do peixe, nem o pão da pedra, Deus que é Pai e tão bom Pai, nos nega decisivamente o que tão perigosamente pedimos.

Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. (Tiago 4:3,8)

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, SEJA FEITA A TUA VONTADE, assim na terra como no céu; (Mateus 6:9-10)

Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana.(Salmos 143:10)

Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas. (Apocalipse 4:11)

Conclusão

O apóstolo Paulo diz que Deus nos assiste em nossa fraqueza porque não sabemos orar como convém. Não sabemos orar porque não conhecemos o futuro nem sabemos o que é melhor para nós. Como filhos de Deus, precisamos aprender dois princípios básicos ensinados por Tiago:

1. Devemos sempre orar a Deus e pedir a ele o que necessitamos – Diz Tiago: “Nada tendes, porque nada pedis”. Jesus ensinou: “Pedi e dar-se-vos-á”. A falta de oração retém as bênçãos do céu. Podemos ser ousados para pedir, pois Deus é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós.

2. Devemos sempre dar graças quando Deus responde NÃO às nossas orações. Deus é soberano. Ele está no controle do universo e das nossas vidas. Ele trabalha todas as coisas para o nosso bem. Ele age no seu tempo e de acordo com a sua vontade. Ele sempre tem o melhor para nós. Ainda que ele nos leve para o deserto, ou pelos vales, ou pelas ondas, ou pelos rios, ou até mesmo pelo fogo. Ele tem um propósito em mente: "nos transformar à imagem de Jesus".

Acolhamos o NÃO de DEUS com humildade!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar!


Aumente o volume, preste atenção e ouça...  

Texto: Caio Fábio
Imagens: Vini e Chico
Narração: Flávio Siqueira
Edição: Chico [do Caminho]

Duro é este discurso; quem o pode ouvir? (Jo 6:60b)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Depressão, o cárcere da alma

DEPRESSÃO: o Brasil tem maior incidência entre países em desenvolvimento

A depressão é uma situação de distúrbio mental, leve ou acentuada, decorrente do funcionamento alterado das células cerebrais sobre a capacidade emocional e física de um indivíduo. Atinge, principalmente, o organismo feminino, na proporção de duas mulheres para cada homem com depressão. Sendo essa tendência ocasionada pela maior variação hormonal sentida pelo organismo feminino durante a gravidez e o período pré-menstrual.
Entre os fatores que mais desencadeiam processos depressivos estão os de caráter genético (baixo funcionamento da tireoide, derrames, câncer, diabetes) e os de caráter social (desemprego ou separação). Tendo efeito direto na transmissão dos impulsos nervosos de uma célula a outra, em razão da alteração na quantidade de neurotransmissores (noradrenalina e serotonina). Os sintomas mais frequentes estão relacionados à variação de humor, afetando o comportamento diário de uma pessoa, que transparece através da feição, momentos de tristeza, desânimo, ansiedade e irritabilidade contínua.
A depressão também afeta a fisiologia do corpo humano, causando indisposição (cansaço), diminuição da libido (desejo sexual), falta de memória, redução de concentração e alternâncias entre insônia e sono excessivo, aumento ou perda de apetite.

A depressão foi definida por Andrew Solomon como um parasita que suga a seiva da nossa vida. É como engolir seu próprio funeral e vestir-se de uma roupa de madeira. A depressão é o cárcere da alma, a masmorra das emoções, o cativeiro que priva milhões de pessoas de nutrirem na alma, a esperança do amanhã. A depressão é classificada como uma doença e, essa doença, que possui múltiplas causas, atinge ricos e pobres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus. A depressão é uma doença que provoca muitas outras. Se não tratada convenientemente pode desembocar em tragédias irremediáveis. A depressão é a principal causa do suicídio no mundo.

John Piper, em seu livro O Sorriso Escondido de Deus, trata deste assunto com esmerado cuidado. Há duas posições que circulam no meio evangélico sobre o assunto, que revelam um desequilíbrio perigoso. A primeira delas liga a depressão à ação demoníaca. Os defensores dessa vertente afirmam que as pessoas deprimidas estão oprimidas e até possuídas por demônios. A segunda interpretação vincula a depressão a algum pecado específico ainda não confessado. Assim, uma pessoa fica deprimida porque esconde algum pecado que precisa ser confessado e abandonado. Não subscrevemos essas duas interpretações. Julgamo-las deficientes e assaz injustas. É muito verdade que uma pessoa pode ficar deprimida em virtude de seu envolvimento com demônios e também como resultado de algum pecado escondido. Porém, uma pessoa pode ser assolada pela depressão, mesmo levando uma vida cheia do Espírito Santo. Assim como um indivíduo pode ser cheio do Espírito e ter um problema cardíaco, também uma pessoa pode estar plena da presença de Deus e enfrentar o drama da depressão.


Se há várias causas que provocam a depressão, também há vários sintomas que a revelam. O primeiro sintoma é que a pessoa deprimida é tomada por uma desesperança crônica e passa a enxergar a vida pelas lentes escuras do pessimismo. Não vê uma luz no fim do túnel nem janelas de escape. Foi o que aconteceu com o profeta Elias. Pensou que somente ele havia restado dos profetas de Deus em Israel, quando na verdade sete mil ainda não haviam se dobrado a Baal. O segundo sintoma é olhar para a vida pelas lentes do retrovisor. Uma pessoa deprimida sente uma saudade mórbida dos bons tempos que se foram e se desespera diante das incertezas do seu futuro. Sente-se num calabouço existencial e sem ânimo e forças para sair desse cárcere da alma. Nessa saga cheia de pavores, flerta com a própria morte. Não que seu desejo seja de fato morrer, mas é que sente uma dor tão profunda na alma que o único alívio que consegue vislumbrar é o alívio da morte. Não podemos subestimar esses presságios que rondam a alma de uma pessoa depressiva. Isso é uma espécie de alarme, uma trombeta que precisa de encontrar ouvidos sensíveis. É por essa razão, que o terceiro sintoma de uma pessoa deprimida é um completo desânimo quanto ao futuro. É o desejo de fechar as cortinas da vida e colocar um ponto final na existência. 


Como devemos lidar com a depressão? Como ajudar uma pessoa deprimida? Primeiro, precisamos orar por ela e com ela. Depois, precisamos cientificar-nos se essa pessoa está recebendo o tratamento médico adequado para a sua doença. Ainda, precisamos estar perto dela, oferecendo-lhe um ombro amigo, um ouvido atento e um coração generoso. 

Finalmente, precisamos compartilhar com ela a esperança do evangelho, o poder da graça de Deus e o consolo das Escrituras. Deus nos vivifica segundo a sua Palavra. Ele tira a nossa alma do cárcere. Ele acende uma luz de esperança no túnel escuro do nosso sofrimento. Deus arranca os gemidos da nossa alma e coloca em nossos lábios, um cântico de vitória. Em síntese, trata-se da depressão com remédio, terapia e fé.
 
Hernandes Dias Lopes

domingo, 4 de setembro de 2011

Batismo com o Espírito Santo e com Fogo


O batismo com fogo não é uma promessa para os crentes.
E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Mateus 3.11).

A nossa intenção neste pequeno artigo não é analisar de uma forma geral o ensinamento antibíblico de um batismo com o Espírito Santo pós-conversão, defendido pelos pentecostais e neopentecostais. Antes, queremos atentar para a passagem acima e ver à luz das Escrituras o que significa o “batismo com o Espírito Santo e com fogo” (vale ressaltar que esta é uma das passagens prediletas dos pentecostais e neopentecostais, a qual eles afirmam ensinar a necessidade de um revestimento de poder para os crentes após a conversão).

Tanto pentecostais como muitos reformados crêem que “o batismo com o Espírito Santo e com fogo” se refere ao batismo que os crentes genuínos recebem (é claro que a diferença quanto ao tempo desse recebimento e a extensão do mesmo é fundamental entre esses dois grupos). Mas o que diz “a Lei e o Testemunho”?


Primeiramente, vejamos o contexto da passagem:

7 – E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? 8 – Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento 9 – e não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 – E também, agora, está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. 11 – E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12 – Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará (Mateus 3.7-12).

Analisando cuidadosamente o discurso de João Batista, vemos que a expressão “batizará com o Espírito Santo e com fogo” refere-se a dois batismos distintos para duas classes de pessoas distintas:

- O batismo com o Espírito é para o trigo, ou seja, para aqueles que produziram, pela graça de Deus, frutos dignos de arrependimento. O trigo é recolhido no Seu celeiro em virtude de ser algo muito valioso, muito precioso.



- O batismo com fogo é para a palha, ou seja, para aquelas “árvores” que não produziram frutos, as quais serão cortadas e lançadas no fogo. Assim, a palha será separada do trigo, ou seja, os ímpios dos bons, e será queimada no fogo que nunca se apaga.


Além do mais, João Batista não estava se dirigindo aos discípulos dele ou de Cristo. Ao contrário, ele falava com os “fariseus e saduceus” que estavam querendo se batizar, sem demonstrar arrependimento. A esses ele diz: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?”. Certamente João Batista não prometeria um batismo com Espírito Santo para tais pessoas.

Portanto, ao invés do “batismo com fogo” ser uma promessa para os crentes, ele é uma frase expressiva dos terríveis julgamentos que Ele (Jesus) infligiria sobre a nação Judia e sobre todos quantos morressem impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-Lo; e quando Ele aparecer como o “fogo do ourives” e como o “sabão dos lavandeiros” (Malaquias 3.2); quando “o dia do Senhor” vier “ardendo como forno” (Malaquias 4:.); quando Ele “limpar o sangue de Jerusalém”, Seu próprio sangue e o sangue dos Apóstolos e Profetas derramados nela, “do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor”; o batismo com fogo é o mesmo que a “ira vindoura”, com a qual os ouvintes de João Batista são ameaçados no contexto, na ocasião da qual as árvores infrutíferas “serão cortadas e lançadas no fogo” e a “palha” será queimada com fogo que nunca se apaga.



Aqueles que insistem em afirmar que o “batismo com o Espírito Santo e com fogo” se refere a um só batismo, experimentado pelos crentes, costumam apelas para Atos 2.3 como prova de sua teoria. Contudo, lemos assim nesse verso: “Apareceram línguas como de fogo, pousando sobre cada um deles”. Note que as línguas eram COMO de fogo e não DE fogo, ou seja, elas tinham apenas aparência de fogo. Além do mais, não vemos este ato repetido em numa parte da Bíblia. Até mesmo no batismo de Cornélio e de sua casa, o qual Pedro afirma ser o mesmo fenômeno experimentado por ele e os outros apóstolos, as “línguas como de fogo” estão ausentes. Poderíamos ainda dizer que se “línguas como de fogo” fosse cumprimento de “batismo com fogo”, esta promessa não é para nós, visto que ninguém, senão os 120 reunidos no cenáculo no dia de Pentecoste , experimentou isso em toda a história cristã.

É verdade que, como Calvino disse, é Cristo quem concede o Espírito de regeneração, e que, como o fogo, este Espírito nos purifica retirando a nossa imundícia. O Espírito tanto ilumina como purifica. Contudo, Mateus 3.11 não se refere a esta obra purificadora nos crentes, mas ao juízo final preparado para os ímpios. Portanto, concluímos com o puritano Dr. John Gill:
E como este sentido [o de julgamento para os ímpios] melhor concorda com o contexto, creio ser ele o genuíno; visto que João não está falando para os discípulos de Cristo, que ainda não tinham sido chamados, e que somente no dia de Pentecostes foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, no outro sentido desta frase [no sentido de fogo como a obra da graça purificadora para os crentes - ver Isaías 6.6,7; Zacarias 13.9; Malaquias 3.3; 1 Pedro 1.7]; mas ele se dirigia aos Judeus, alguns dos quais tinham sido batizados por ele.

por Felipe Sabino de Araújo Neto
http://monergismo.com/?p=1101 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Glorificando a Deus através da Doença

A doença não poupa famílias e muitas vezes, homens e mulheres no vigor de seus dias são prostrados em um leito de doença, e de sorte que a doença atinge todas as classes e nada pode comprar sua isenção, (a graduação não pode se prevenir contra os ataques da doença). Os reis, súditos, patrões, empregados, cultos, incultos, ricos, pobres, médicos e pacientes, nenhum desses estão isentos da doença, todos caem igualmente diante deste grande inimigo. Nem as riquezas deste mundo, nem a fé em Cristo nos isentam de ficarmos doente. Muitos dizem que a fé em Cristo tem a possibilidade de isentar a pessoa de ficar doente.  Existem doenças de diversos tipos, e de vez em quando somos surpreendidos na televisão com algum tipo de doença rara e desconhecida, e todos nós estamos sujeitos a ela. 

A doença é uma das provações mais humilhante e angustiante que pode vir sobre o homem, onde ela pode tornar o homem mais forte num homem frágil, fazer com que esse homem forte pareça uma criança, pode desestabilizar o mais corajoso de todos os homens fazendo-o tremer diante da menor de todas as coisas, ou seja, nada que o homem possa fazer é capaz de evitar a doença. A medicina pode avançar o quanto quiser, o homem sempre vai adoecer e sempre vai morrer. Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente e vamos voando. (Salmo 90:10).

Deus criou o homem sem doenças (Gn 1:31), mas foi através do pecado original que originou-se toda doença, moléstia, dor, todo sofrimento prevalecente sobre a terra (Rm 5:12). Não haveria doença neste mundo se não fosse o pecado de Adão. Mas necessariamente não quer dizer que a doença que temos é conseqüência do pecado naquele momento, ou da maldição hereditária, ou como alguns dizem que crentes não podem ficar doentes, “é falta de fé”. Deus envia a doença em algumas pessoas, pois sempre tem propósitos, para alguns a doença é enviada a fim de preparar o coração para ouvir a palavra para a conversão daquela alma, não é que ele vá se converter pela doença (“quem não vem pelo amor vem pela dor” não é bíblico), ele só se converte pela palavra de Deus. Às vezes na saúde a palavra não lhe toca o coração. O mundo através de sua formosura, com seus prazeres, com seus encantos vai cativando a mente daquela pessoa e Deus às vezes lhe leva a um leito de enfermidade e lhe mostra o pecado de seu coração e a futilidade desses prazeres mundanos que de outra forma ele não veria. Então Deus dirige aquela alma a buscar um lugar seguro de descanso por toda eternidade em Cristo Jesus, então podemos dizer: Ó feliz enfermidade que dirige uma alma até Cristo! Outras vezes Deus envia a doença como julgamento contra o pecado que a pessoa está vivendo. Então quando pessoas incrédulas continuam em sua trilha pecaminosa contra a luz da bíblia e contra os avisos dos profetas de Deus aqui na terra, Ele às vezes os reprova subitamente e os deixam debilitados com a doença. O HOMEM que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, de repente será destruído sem que haja remédio. (Pv 29:1) - Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem (ICo 11:30)
Em outro caso, Deus envia a doença aos seus filhos “crentes” a quem Ele ama, para que o nome Dele seja glorificado através desta vida, que é o exemplo de Lázaro. 

Lázaro era irmão de Maria e Marta, pois pertenciam a uma família cristã e feliz, todos na sua casa eram crentes, mas mesmo assim o braço da doença alcançou aquela casa, daí Lázaro agora estava enfermo. Cristo amava Lázaro e apesar disto ele estava doente. Nunca podemos julgar as pessoas pelas aflições que elas passam, pois Deus aflige seus próprios queridos filhos como Ele bem quer e entende. Como exemplo Jó (pois seus amigos tentaram provar que ele era hipócrita, mentiroso e um homem mau porque Deus o estava afligindo), um outro exemplo o outro Lázaro que era mendigo cheio de chagas e feridas (um crente que quando morreu foi para o seio de Abraão), e outro exemplo era o rei Ezequias que Deus o amava mas foi afligido com a doença. Portando não deveríamos estar duvidando do amor de Deus quando somos afligidos, quando Ele pesa a mão sobre nós. Não devemos pensar que a dor e o sofrimento é um sinal da ira de Deus. Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem. (Pv 3:12) – Nós não devemos dar graças por tudo, mas devemos dar graças em tudo e apesar de tudo porque vem da mão do nosso Pai e o que Ele nos traz é bom, seja doença, seja o que for.

Então quando a doença chegou aquela casa, o recurso utilizado pelas irmãs foi correr aos pés de Jesus, pois sabiam que Jesus tinha um coração que sofria, por todo tipo de angustia, e por esta razão elas mandaram dizer a Jesus “Está enfermo aquele que tu amas”, elas se voltaram para Jesus na hora da necessidade como uma criança assustada se volta para sua mãe. Suas irmãs eram diferentes, uma era preocupada, ansiosa e a outra era muito tranqüila, mas na hora que adoeceu seu irmão as duas estavam em concordância, foram buscar socorro em Jesus Cristo, pois é isto que nós devemos fazer na hora da angústia - E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás." (Sl 50:15).
Não há aflição grande ou pequena demais que não possa ser levada até Cristo - Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. (Fl 4:6) O que quer que seja, leve a Jesus, pois Ele gosta de ser chamado em nossos problemas. 

O amor de Cristo por nós é a verdadeira base da nossa esperança, e não o nosso amor por Cristo. O nosso amor por Cristo é uma experiência dolorosa e insatisfatória, porém olhar para o amor de Cristo por nós isso nos dá paz e esperança, gratuitamente por toda eternidade Ele nos amou, e com amor atrativo Ele nos arrancou debaixo da ira de Deus, com amor perdoador Ele nos atraiu para Si e removeu todos os nossos pecados, e com amor sustentador Ele estava intercedendo por Lázaro. Devemos aprender a suplicar para Cristo, muitas vezes nós não recebemos porque não pedimos de forma correta. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. (Tg 4:3) – Pois muitas vezes pedimos orgulhosamente como se fossemos merecedores realmente daquilo, e dessa forma se Cristo nos atendesse, Ele estaria nutrindo as nossas cobiças. 

Portanto, temos que aprender a botar a cara no pó e suplicar somente por Seu amor gratuito. Antes as vossas petições sejam em tudo, conhecidas diante de Deus. Aquele que crer mais no amor e no poder de Jesus obterá muito mais na sua oração.

A resposta imediata de Cristo à petição daquelas duas irmãs: “Esta enfermidade não é para morte1, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela2”, Ele enviou uma palavra capaz de fazê-las felizes, e a cada dia Lázaro piorava vindo a falecer. Ele poderia até curá-lo de lá, pois Ele não é Deus só de perto, Ele é Deus também de longe, e veio chegar quatro dias depois de sepultado. Provavelmente Marta e Maria ficaram com o coração enfraquecido na sua fé. Portanto, devemos aprender a confiar na palavra de Cristo. Jesus veio diante da sepultura de Lázaro e chorou, e por conta desta doença e da ressurreição de Lázaro, o poder de Cristo ficou conhecido diante de todos. A ressurreição de um morto é muito mais gloriosa de que a cura de uma doença. Então Ele mostrou ser a ressurreição e a vida quando chamou Lázaro de seu sepulcro. Então Cristo foi muito mais glorificado do que se Lázaro tivesse sido curado.

Através da doença nós podemos ver uma útil provisão, para frear as devastações do pecado e do diabo nas almas dos homens. Se os homens não tivessem cometido pecados, não saberíamos ver nenhum benefício na doença, mas como existe o pecado nesse mundo, aí sim podemos observar que a doença é útil, mesmo sabendo que toda essa desgraça acompanha, porque não há nada que o corpo sofra que não seja de proveito para a alma. A doença beneficia o coração do homem porque o ajuda a lembrar-se da morte. A doença desperta o ser humano de seus sonhos fazendo lembrar que um dia eles vão morrer assim como hão de viver. A doença prepara o crente para glorificar a Deus e nos prepara também para a glória de Deus. "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." (Rm 8:28) A maioria das pessoas em seus dias na saúde não podem encontrar tempo para tais pensamentos, não pensam na vida futura (eternidade), não pensa nas coisas relativas a Deus, e a doença faz eles lembrarem que um dia eles terão que prestar contas diante de Deus. A doença nos ajuda a encarar uma nova realidade de vida. Muitas vezes nós vemos muitos mais por uma lágrima do que por um telescópio. Muitas vezes a doença torna o homem orgulhoso em humilde deixando-o dependente do outro, pois o leito da enfermidade é um poderoso domador de tais pensamentos. E muitos orgulhosos preferem a morte do que ficar numa cama sendo servido pelos outros, porque é humilhante ser dependente dos outros.

Deus sussurra a nós na saúde prosperidade, mas sendo maus ouvintes deixamos de ouvir a voz de Deus, então ele gira o botão do amplificador por meio do sofrimento e aí então ouvimos o trovejar da sua voz.

Em algumas denominações, a doença é coisa do diabo, é maldição, falta de fé... mas através da bíblia vemos que é bênção, que é um meio de glorificar a Deus.
Uma enfermidade prolongada e dolorosa na vida do crente ajuda a testar o seu cristianismo, pois muitos passam a vida inteira cultuando um deus desconhecido e se frustram quando caem na doença, chegam a descobrir que aquele deus que ela dizia crer, não é o Deus que consola, não é o Deus que conforta, e só aí ela vai descobrir que seu cristianismo foi falso, freqüentou a igreja, fez sessões, vigílias, corrente disso e daquilo, mas foi um cristianismo falso. Também existem pessoas que não aprendem nada com a doença, além de estar doente no físico, ele vai continuar doente na sua alma (igual a uma pedra: quanto mais me pisam, mais endurecido eu fico).

Você tem usados as aflições que Deus tem permitido na sua vida para estar glorificando a Deus através dela? Ou na pequena enfermidade você está murmurando, se queixando, se desesperando?

Quem não é fiel no pouco, não é fiel no muito. Aprenda a glorificar a Deus agora com os pequenos problemas porque quando a tragédia chegar a sua porta você estará experimentado.

Nascemos chorando e morremos gemendo, então enquanto a vida for vida, haverá doença. (Agostinho)

Você está preparado para a morte? Você está preparado para encontrar-se com Deus?
Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lc 12:20)

Como Cristo sofreu as aflições, prepare-se também com esse pensamento, que se você é filho de Deus, você vai sofrer as mesmas aflições. (IPe 4:1)
Que Deus nos conceda essa graça de glorificarmos a Ele na hora da aflição.

Neryvan Felipe

sábado, 6 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A decadência da sociedade brasileira

A sociedade brasileira está doente. Suas entranhas estão infectas. Seu mal é grave e crônico. O perigo de morte é iminente. A decadência da sociedade é moral e espiritual. Alcançamos o progresso científico e econômico, mas nossa cultura está moribunda. Conhecemos os segredos da ciência, mas não conhecemos as profundezas abissais do nosso próprio coração. Amealhamos riquezas e despontamo-nos como a sétima economia do planeta, mas nosso povo chafurda-se num pântano nauseabundo de pecados vís. Temos as maiores reservas naturais do planeta, mas estamos perdendo nosso senso de valores. Agigantamo-nos diante do cenário mundial, mas apequenamo-nos diante do espelho da verdade. Destacaremos, aqui, alguns sintomas que apontam a decadência da nossa sociedade:

Em primeiro lugar, a sociedade brasileira está doente porque abandonou a Deus, a fonte da vida. 
A apostasia é a porta de entrada do colapso moral. O abandono da verdade desemboca numa vida desregrada. A impiedade deságua na perversão. O homem, querendo destronar Deus, condecorou a si mesmo como a medida de todas as coisas. Mas tola atitude de colocar o homem no lugar de Deus, não o elevou às alturas, mas fê-lo descer aos abismos mais profundos. Por ter perdido a centralidade de Deus na vida, o homem bestializou-se e se rendeu aos vícios mais degradantes e à violência mais encarniçada. No século do apogeu do humanismo idolátrico, duas sangrentas guerras mundiais barbarizaram o mundo. Noventa milhões de pessoas foram trucidadas nessas duas conflagrações mundiais. O homem sem Deus tornou-se um monstro celerado. Explodiram guerras e revoltas entre as nações. Multiplicaram-se os conflitos étnicos. Recrudesceu a intolerância racial e religiosa. Cresceram os conflitos dentro da família. No vagão dessa locomotiva que desembesta, desgovernada, rumo ao abismo encontram-se aqueles que abandonaram a Deus, o refúgio verdadeiro, a única fonte da vida.
Em segundo lugar, a sociedade está doente porque abandonou a verdade, a fonte da ética. Uma sociedade que se esquece de Deus e abandona a verdade degrada-se irremediavelmente. 

A teologia é a mãe da ética e a impiedade, a genetriz da perversão. Porque o homem desprezou o conhecimento de Deus mergulhou nas águas turvas do relativismo moral. Porque sacudiu o jugo da verdade, caiu na rede mortal da degradação moral. Nossa sociedade aplaude o vício e escarnece da virtude. Promove a imoralidade e faz troça dos castiços valores morais. Chama trevas de luz e luz de trevas. A televisão brasileira, com desavergonhada desfaçatez, promove toda sorte de atentado moral contra a família. As práticas homossexuais são recomendas e expostas na mídia como indicador de benfazeja liberdade e a defesa da família criticada como uma intolerância medieval. Cumpriu-se o vaticínio: temos vergonha de ser honestos.

Em terceiro lugar, a sociedade está doente porque abandonou o temor de Deus, a fonte da sabedoria. Porque a sociedade abandonou a Deus e sua verdade, perdeu o temor do Senhor, o princípio da sabedoria. Com isso, os homens não apenas marcham céleres no caminho largo da perdição, mas também zombam daqueles que seguem o caminho estreito da salvação. A sociedade sem Deus não apenas caminha resoluta rumo à degradação mais sórdida, mas também gloria-se nas práticas, das quais deveria arrepender-se no pó e na cinza. Nossa cultura está moribunda, nossa sociedade à beira de um colapso. É preciso gritar aos ouvidos da nação brasileira que ainda é tempo de arrependimento, ainda é tempo de voltar-se para o Senhor, pois ele é rico em perdoar e tem prazer na misericórdia.

  Fonte:hernandesdiaslopes.com.br

terça-feira, 19 de julho de 2011

A Doutrina do Inferno

por Vincent Cheung

Alguns dos pontos são impopulares e controversos. Eu estou ciente das objeções; eu já as estudei e considerei cuidadosamente; e possuo respostas biblicamente e racionalmente definidas contra elas. Já forneci algumas destas em meus livros e artigos, e pretendo tratar das restantes em escritos futuros. Assim, até que argumentos bíblicos inegáveis sejam oferecidos para refutar qualquer um dos pontos que se seguem, ou qualquer um dos detalhes dos mesmos, devo considerar todos eles como bíblicos e coerentes, e, dessa forma, necessários e inegociáveis.
Eu tenho fortemente declarado minha insistência sobre estes pontos, pois estou ciente de que algumas das minhas crenças sobre o assunto são apaixonadamente confrontadas por muitas pessoas, incluindo cristãos reformados. Contudo, a verdade é que, se removermos todas as suposições anti-bíblicas, desnecessárias e injustificadas que são tão amplamente afirmadas, tornar-se-á claro que os seguintes pontos representam a única posição bíblica e coerente.
Dito isto, apresento a você os seguintes 10 pontos:
1. O inferno é um lugar criado para os espíritos réprobos, tanto dos anjos como dos homens.
2. O inferno é um lugar cujos habitantes foram soberanamente e incondicionalmente criados por Deus para condenação.
3. O inferno é um lugar no qual Deus exige castigos não-redentivos, mas vindicativos, dos seus habitantes.
4. O inferno é um lugar no qual Deus ativamente causa tormento eterno, consciente e extremo nos seus habitanets.
5. O inferno é um lugar no qual Deus demonstra Sua justiça, retidão, ira e poder, e através do qual Ele glorifica a Si mesmo.
6. O inferno é um lugar que Deus soberanamente criou, e tudo o que Deus faz é certo e bom por definição; portanto, é certo e bom que Deus tenha criado o inferno.
7. O inferno é um lugar que Deus soberanamente criou, e através do qual Ele glorifica a Si mesmo; portanto, é pecaminoso desaprovar ou ter repulsa por sua existência ou propósito, de qualquer jeito.
8. O inferno é um lugar que Deus soberanamente criou, e através do qual Ele glorifica a Si mesmo; portanto, é certo e bom oferecer louvor reverente e exuberante e ação de graças à Deus por sua criação, existência e propósito.
9. O inferno é um lugar sobre o qual Deus adverte na Escritura, e sobre o qual Cristo pregou em Seu ministério na terra; portanto, é certo e bom para os crentes pregar sobre o inferno, e pregar sobre a única forma de evitá-lo, que é a fé em Jesus Cristo, soberanamente concedida por Deus àqueles que Ele escolheu para salvação.
10. O inferno é um lugar que Deus predestinou para os réprobos; portanto, embora seja certo e bom pregar indiscriminadamente o evangelho a todos os homens, para chamar os eleitos e endurecer os réprobos, é errado e pecaminoso pregar como se Deus desejasse sinceramente a salvação dos réprobos, ou como se fosse possível para os réprobos receberem a fé e serem salvos.

Nota sobre #2: Qualquer condição que pareça correlacionar com a reprovação de Deus de um indivíduo, foi, em primeiro lugar, soberanamente decretada por Deus para ser parte deste indívuduo. Uma pessoa é escolhida para o inferno não por (ou sobre qualquer condição determinada por) seu próprio “livre”-arbítrio (que não existe de forma alguma), mas pela vontade soberana de Deus, que também soberanamente decretou e ativamente forneceu todas as condições que o próprio Deus considera apropriadas e necessárias, tais como o pecado e a incredulidade.
Nota sobre #6: Encontramos uma analogia na existência/criação do mal. Embora o mal seja mal (o mal não é bom), visto que o mal existe somente porque Deus ativamente e soberanamente o decretou (não passivamente ou permissivamente), portanto, é bom que exista o mal. Em outras palavras, o mal é mal (o mal não é bom), mas o decreto de Deus é bom –– isto é, Seu decreto de que o mal deveria existir por Sua vontade e poder ativo. Colocando isso de uma forma simples: o mal é mal, e não bom, mas Deus não errou em decretar o mal; Ele fez uma coisa certa e boa em decretar o mal. Da mesma forma, Deus fez uma coisa certa e boa ao criar o inferno e ao soberanamente, ativamente e incondicionalmente pré-determinar a condenação dos réprobos.
Nota sobre #7: É certo e apropriado considerar e discutir o assunto com temor e tremor, conhecendo a severidade e o poder de Deus, mas é errado e pecaminoso considerar e discutir o assunto de uma forma que, mesmo remotamente, implique numa desaprovação ou repulsa para com o inferno, como que dizendo que Deus fez algo errado ao criá-lo. Desaprovar ou ter repulsa pelo inferno não é um sinal de compaixão bíblica, mas um sinal de rebelião pecaminosa, que deseja o bem-estar e o conforto humano aparte da fé e da santidade, e aparte da dependência da graça de Deus. 

Vincent Cheung, Systematic Theology

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Alegria no Sofrimento

por Vincent Cheung
Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1.2-4)
Os seguidores de Jesus Cristo enfrentam muitas dificuldades neste mundo. Algumas delas são experiência comum de todos os homens; os cristãos, contudo, são um povo escolhido, salvo e iluminado por Deus, e por isso devemos interpretar nossas vidas à luz do evangelho. Os não cristãos sustentam uma filosofia que se opõe à justiça de Deus e ao caminho de Cristo. Negam as verdadeiras causas e soluções para os problemas da humanidade. Assim, independentemente das variações e revisões, todas as teorias não cristãs falham em chegar à verdade sobre a nossa situação. Em vez de tomar conselhos a partir das dificuldades e dores de cabeça, eles se tornam amargos e endurecem seus corações contra a mensagem da salvação. E, em vez de capitular sob o calor da ira de Deus, juntam-se para lhe resistir. Mas a rebelião aumenta seus problemas e causa estragos em suas almas.Jesus Cristo nos salva da amargura e da rebelião, e transforma nossas perspectivas e atitudes. De fato, ele nos apresenta a única perspectiva verdadeira e as únicas atitudes adequadas. Ele nos faz homens e mulheres superiores. Aqueles que ainda estão obstruídos pela incredulidade e por más tradições hesitam dizer isso acerca dos seguidores de Cristo, mas se você se recusa a dizer que agora é superior ao seu antigo eu, significa que também alega que o evangelho é impotente e que as reivindicações que ele faz sobre o poder de Cristo são fraudulentas. Mas se você admite que agora é superior, isto também deve significar que você se tornou superior aos não cristãos, já que eles não se beneficiaram da sabedoria e do poder de Deus. A lógica é inescapável, mas de praxe os teólogos não falam dessa maneira, pois a maioria continua escrava da falsa humildade e dos clichês religiosos. Somos superiores porque Jesus Cristo é superior, e ele nos fez superiores nele por sua graça. É um dom de Deus ao seu povo.
Os não cristãos estão fora de contato com a realidade. Sua visão do mundo é pura fantasia, segundo a qual são pessoas boas e úteis, homens e mulheres podem livrar a si mesmos da perversidade e da destruição e Deus não os punirá com fogo do inferno. Jesus Cristo nos mostra a verdade e a realidade. Revela-nos que Deus é justo e soberano, que a humanidade transgrediu o padrão divino e caiu em pecado, e que Cristo veio para nos salvar da ira que está para vir e que já agora está operando no mundo. Jesus nos mostra que, embora tenhamos um futuro glorioso nele, que embora o caminho dos justos brilhe cada vez mais, este mundo segue caído e corrompido, que ainda não somos aperfeiçoados e que o crescimento nas virtudes de Cristo envolve dificuldades duradouras nesta vida.
Em si mesmas, as dificuldades não são agradáveis nem encorajadoras, mas Jesus Cristo nos capacita a enfrentá-las com alegria porque compreendemos que, quando as abordamos à luz do evangelho, elas exercitam nossa paciência e aumentam nossa resistência. Para isso significar alguma coisa, devemos entesourar as virtudes de Cristo mais que os confortos deste mundo. Devemos ter em mente as coisas de Deus mais que as coisas dos homens, e devemos ter um apetite semelhante ao dos anjos em vez do das feras.
Aqueles que foram regenerados pelo Espírito de Deus receberam a sabedoria para enfrentar a vida com essa perspectiva. Queremos ser como Jesus Cristo, que persistiu não apenas em meio às dificuldades gerais de viver neste mundo, como também à incredulidade, calúnia, toda sorte de abuso e mesmo à morte, podendo assim honrar seu Pai e salvar seu povo, isto é, os crentes de todas as gerações. Se seguirmos seu exemplo, nosso sofrimento no Senhor não será em vão.
Contudo, isso não significa que não fazemos nada para resistir. Algumas tradições religiosas querem nos fazer crer que a paciência e a resistência se traduzem em capitulação, que deveríamos permitir que os problemas nos atropelassem, como se isso por si só glorificasse a Deus e como se fosse a maneira adequada de se render à soberania de Deus. Isso é uma mentira de Satanás para nos convencer a abraçar a derrota, e fazê-lo sem luta. Deus nos deu recursos para superar muitos dos nossos problemas; de fato, é frequente a sua ordem de resistirmos com os métodos que ele ensina e fornece.
Visto que chegamos ao conhecimento da fé cristã, não importa o que enfrentamos na vida, devemos sempre lembrar que em Jesus Cristo já escapamos do pior tipo de problema — isto é, da ira de Deus em ação na alma, da escuridão intelectual de uma mente incrédula e da depravação moral de um pecador que vive sem o poder do evangelho. Ao contrário dos não cristãos, que estão sendo devorados pela morte a partir de seu interior, temos uma liberdade definitiva e crescente da morte. Estamos sendo educados na verdade pela palavra de Deus, e crescendo em coragem e autocontrole pelo poder do Espírito Santo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

É sempre uma falta de amor criticar e julgar?

Por Augustus Nicodemus Lopes

Tornou-se comum evangélicos acusarem de falta de amor outros evangélicos que tomam posicionamentos firmes em questões éticas, doutrinárias e práticas. A discussão, o confronto e a exposição das posições de outros são consideradas como falta de amor.
Essa acusação reflete o sentimento pluralista e relativista que permeia a mentalidade evangélica de hoje e que considera todo confronto teológico como ofensivo. Nossa época perdeu a virilidade teológica. Vivemos dias de frouxidão, onde proliferam os que tremem em frêmito diante de uma peleja teológica de maior monta, e saem gritando histéricos, “linchamento, linchamento”!
Pergunto-me se a Reforma protestante teria acontecido se Lutero e os demais companheiros pensassem dessa forma.
É possível que no calor de uma argumentação, durante um debate, saiam palavras ou frases que poderiam ter sido ditas ou escritas de uma outra forma. Aprendi com meu mentor espiritual, Pr. Francisco Leonardo Schalkwijk, que a sabedoria reside em conhecer “o tempo e o modo” de dizer as coisas (Eclesiastes 8.5). Todos nós já experimentamos a frustração de descobrir que nem sempre conseguimos dizer as coisas da melhor maneira.
Todavia, não posso aceitar que seja falta de amor confrontar irmãos que entendemos não estarem andando na verdade, assim como Paulo confrontou Pedro, quando este deixou de andar de acordo com a verdade do Evangelho (Gálatas 2:11). Muitos vão dizer que essa atitude é arrogante e que ninguém é dono da verdade. Outros, contudo, entenderão que faz parte do chamamento bíblico examinar todas as coisas, reter o que é bom e rejeitar o que for falso, errado e injusto.
Considerar como falta de amor o discordar dos erros de alguém é desconhecer a natureza do amor bíblico. Amor e verdade andam juntos. Oséias reclamou que não havia nem amor nem verdade nos habitantes da terra em sua época (Oséias 4.1). Paulo pediu que os efésios seguissem a verdade em amor (Efésios 4.15) e aos tessalonicenses denunciou os que não recebiam o amor da verdade para serem salvos (2Tessalonicenses 2.10). Pedro afirma que a obediência à verdade purifica a alma e leva ao amor não fingido (1Pedro 1.22). João deseja que a verdade e o amor do Pai estejam com seus leitores (2João 3). Querer que a verdade predomine e lutar por isso não pode ser confundido com falta de amor para com os que ensinam o erro.
Apelar para o amor sempre encontra eco no coração dos evangélicos, mas falar de amor não é garantia de espiritualidade e de verdade. Tem quem se gabe de amar e que não leva uma vida reta diante de Deus. O profeta Ezequiel enfrentou um grupo desses. “… com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33.31). O que ocorre é que às vezes a ênfase ao amor é simplesmente uma capa para acobertar uma conduta imoral ou irregular diante de Deus. Paulo criticou isso nos crentes de Corinto, que se gabavam de ser uma igreja espiritual, amorosa, ao mesmo tempo em que toleravam imoralidades em seu meio. “… contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? Não é boa a vossa jactância…” (1Co 5.2,6). Tratava-se de um jovem “incluído” que dormia com sua madrasta. O discurso das igrejas que hoje toleram todo tipo de conduta irregular em seus membros é exatamente esse, de que são igrejas amorosas, que não condenam nem excluem ninguém.
Ninguém na Bíblia falou mais de amor do que o apóstolo João, conhecido por esse motivo como o “apóstolo do amor” (a figura ao lado é uma representação antiquíssima de João) Ele disse que amava os crentes “na verdade” (2João 1; 3João 1), isto é, porque eles andavam na verdade. “Verdade” nas cartas de João tem um componente teológico e doutrinário. É o Evangelho em sua plenitude. João ama seus leitores porque eles, junto com o apóstolo, conhecem a verdade e andam nela. A verdade é a base do verdadeiro amor cristão. Nós amamos os irmãos porque professamos a mesma verdade sobre Deus e Cristo. Todavia, eis o que o apóstolo do amor proferiu contra mestres e líderes evangélicos que haviam se desviado do caminho da verdade:
- “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1Jo 2.19).
- “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho” (1Jo 2.22).
- “Aquele que pratica o pecado procede do diabo” (1Jo 3.8).
- “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” (1Jo 3.10).
- “todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo” (1Jo 4.3).
- “… muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo… Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus… Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo 7-1).
Poderíamos acusar João de falta de amor pela firmeza com que ele resiste ao erro teológico?
O amor que é cobrado pelos evangélicos sentimentalistas acaba se tornando a postura de quem não tem convicções. O amor bíblico disciplina, corrige, repreende, diz a verdade. E quando se vê diante do erro seguido de arrependimento e da contrição, perdoa, esquece, tolera, suporta. O Senhor Jesus, ao perdoar a mulher adúltera, acrescentou “vai e não peques mais”. O amor perdoa, mas cobra retidão. O Senhor pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, que não sabiam o que faziam; todavia, durante a semana que antecedeu seu martírio não deixou de censurá-los, chamando-os de hipócritas, raça de víboras e filhos do inferno. Essa separação entre amor e verdade feita por alguns evangélicos torna o amor num mero sentimentalismo vazio.
O amor, segundo Paulo, “é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Coríntios 13.4-7). Percebe-se que Paulo não está falando de um sentimento geral de inclusão e tolerância, mas de uma atitude decisiva em favor da verdade, do bem e da retidão. Não é de admirar que o autor desse “hino ao amor” pronunciou um anátema aos que pregam outro Evangelho (Gálatas 1). Destaco da descrição de Paulo a frase “O amor regozija-se com a verdade” (1Coríntios 13.6b). A idéia de “aprovar” está presente na frase. O amor aprova alegremente a verdade. Ele se regozija quando a verdade de Deus triunfa, quando Cristo está sendo glorificado e a igreja edificada.
Portanto, o amor cobrado pelos que se ofendem com a defesa da fé, a exposição do erro e o confronto da inverdade não é o amor bíblico. Falta de amor para com as pessoas seria deixar que elas continuassem a ser enganadas sem ao menos tentar mostrar o outro lado da questão.
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Fonte: O Tempora, O Mores