2º dia - Solus Christus
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
O Dia do Senhor - Sábado ou Domingo?
O que garante essa identidade do culto do antigo com o novo testamento é a aliança que Deus fez com seu povo. É a mesma aliança que foi feita com Abrãao, Isaac e Jacó, e que nós temos a aliança ratificada em Cristo Jesus. Mesmo povo, mesma aliança, mesmo culto, mesmo caminho de salvação. No antigo testamento as pessoas eram salvas exatamente como nós somos hoje, pela fé no Messias que havia de vir, e hoje nós somos salvos pela fé no Messias que veio. Em ambos os casos, tanto eles como nós, é pela fé e pela graça, nunca foi por obras, nunca foi pela lei, sempre foi da mesma maneira. A igreja cristã é a continuação espiritual do Israel de Deus. Nessa unidade existe uma diversidade, ou seja, no antigo testamento, antes da vinda de Cristo, esse culto era feito de maneira diferente, pois nele continha determinados elementos, determinadas formas, e algumas manifestações particularmente externas, que eram diferentes porque elas eram típicas, eram sombras, eram figuras das realidades que haveriam de vir. É por isso que no antigo testamento havia um culto mais elaborado, um lugar fixo de adoração, havia todo um sistema de sacrifício, havia uma classe de homens, uma elite espiritual chamado de Sacerdotes juntamente com os Levitas para ajudá-los, que ministravam constantemente no templo, as regulamentações referentes as orações, as ofertas foram feitas de maneira minuciosa, e tudo aquilo era típico, era simbólico, todas estas coisas apontavam para Cristo. No antigo testamento você tem a sombra, tem a figura, tem o tipo, apontando para o Senhor Jesus, e nós vivemos no período em que Ele já veio que portanto, completou, cumpriu, terminou estes aspectos do culto no antigo testamento.
19 Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. 20 Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. 21 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. 24 Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. (João 4:19-24)
O texto acima, narra o encontro de Jesus com a mulher samaritana, e no meio da conversa é levantada a questão do culto. A mulher sendo uma samaritana, ela adorava a Deus juntamente com os samaritanos no templo que havia no monte Gerezim. E aquele templo foi edificado contra as ordens de Deus, um sacerdócio que era ilegal foi também constituído, isso foi depois que Israel foi levado pro cativeiro, e os babilônicos como tática de guerra trouxeram sua gente para morar em Israel que já estava deserta, fazendo uma espécie de sincretismo, trouxeram seus deuses, misturaram sua religião com a de Israel, e dessa mistura de babilônicos com israelitas, nasceu essa raça mista “samaritanos”, que também tinha um culto misto, um culto eclético, tinham suas próprias escrituras, rejeitavam uma parte do Pentateuco, tinha sua própria ordem sacerdotal, e por isso que os judeus não se davam com os samaritanos, e no encontro de Jesus com essa mulher, naturalmente a questão do culto veio a tona, porque os samaritanos diziam que deles eram o verdadeiro culto a Deus, já os judeus disseram que não, eles é que tinham recebido a verdadeira revelação.
A questão toda começa quando a samaritana pergunta a Jesus (vers. 20), onde se deve adorar a Deus, e Jesus deu uma resposta surpreendente até para os judeus (vers. 21-22), onde Ele deslocaliza, dizendo que não haverá mais local santo, não haverá mais um local único, destacado, exclusivo para o culto a Deus, nem lá em Samaria, nem lá em Jerusalém. Quando meche o templo, meche no dia, porque a reunião maior deles era nos sábados no templo, meche na ordem dos sacerdotes, meche no processo dos sacrifícios, então aqui está a profecia de Jesus de que uma mudança radical estaria para acontecer no culto que era prestado a Deus. Jesus diz (vers. 23) que já chegou a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão a Deus em espírito e em verdade. Jesus introduz o conceito de que uma mudança profunda estaria para acontecer no culto prestado a Deus. Estas mudanças de fato vieram a acontecer, onde destacarei algumas delas, que foram efetivadas por Cristo e pelos apóstolos:
1ª. Templo (local de adoração) – O culto no antigo testamento só podia realizar-se no templo. Culto público a Deus onde Ele sempre escolhia locais específicos para revelar-se (Dt 12:5 e 11, Dt 15:20, Moisés diz ao povo de Deus, quando vocês entrarem na terra prometida, não vão adorar a Deus em qualquer lugar, mas Deus vai designar locais de adoração, orientando para impedir que o povo se misturasse com as religiões dos povos que já habitavam naquela terra, e que adoravam em locais que estavam relacionados com suas divindades). Eles já tinham mais ou menos uma idéia que seria assim, porque durante os 40 anos de peregrinação que fizeram no deserto, adoravam a Deus no tabernáculo. Deus havia mandado fazer um tabernáculo, uma tenda especial, com medidas especiais, que acompanhavam o povo, e onde o tabernáculo parava, e era edificado, erigido, instalado e ali o povo adorava a Deus, não podiam sacrificar animais em outro local a não ser no tabernáculo pelo sacerdote, pelos levitas, todo ritual seria feito, ligado ao local onde estava o tabernáculo, ou em nenhum outro lugar. Quando eles entraram na terra prometida, que Deus havia dito, coube a Salomão seguindo a Davi, erigiu o templo segundo as ordens de Deus, onde havia a arca, sacrifícios, dízimos eram trazidos, as ofertas, as consagrações, toda religião de Israel concentrava-se naquele templo construído em Jerusalém, por ordem de Davi, e pelo esforço de Salomão. Quando Jesus veio, Ele teve uma atitude para com o templo que chocou a muitos, por um lado Ele mostrou um grande respeito pelo templo, quando entrou e purificou expelindo do templo os vendedores ambulantes, os aproveitadores, (Jo 2:17-23) dizendo “a casa de meu Pai é casa de oração”, mostrando reverência pelo templo de Salomão. Porém, Ele falou de um outro templo que seria erguido após a sua ressurreição substituindo aquele templo construído por Salomão (Jo 2:18-22), “se vocês destruírem este templo, ele será reconstruído depois de três dias e não por mãos humanas...”, e todos pensavam que Ele estava falando do templo de Salomão. Mas na verdade Ele estava se referindo ao símbolo de Seu corpo, a queda do templo era o símbolo de Sua morte, e sua reconstrução em três dias depois simbolizava Sua ressurreição, portanto, Jesus já ensinava que o templo era simbólico, era típico, apontava para uma outra realidade. Os discípulos entenderam que o culto a Deus não era mais para ser num único local santo, exclusivo, pois nas cartas que Paulo escreveu, ele diz que a igreja está unida ao Cristo vivo, e onde ela está reunida, eis aí o templo de Deus. A igreja agora é o ajuntamento dos crentes (na cidade, na praia, no campo, nas cavernas, na catacumba, onde o povo de Deus ali convocá-lo e estiver presente para cultuá-lo, ali está o templo de Deus. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo (1Co 3:16-17). Paulo exortava ao povo da igreja quando não havia templos, pois os templos cristãos só começaram a ser construídos a partir do século IV, quando o cristianismo passou a ser aceita legal, e posteriormente a religião oficial do império romano. Daí, os cristão saíram das casas, das catacumbas e construíram as primeiras grandes edificações onde se reuniam regularmente. Não há mais um local santo, exclusivo de adoração a Deus.É um erro grande quando nos reunimos no templo, e identificamos essa construção como sendo o templo do antigo testamento, chamamos púlpito de altar, chamamos cantores de levitas, chamamos pastores de sacerdotes, queremos reativar uma coisa que Cristo aboliu, e estas coisas eram partes do culto do antigo testamento, coisas simbólicas, que apontavam para Jesus, a nossa união mística com Ele, e agora a igreja não está presa a local nenhum.
3ª. Sacerdote – No antigo testamento o sacerdote era a figura mais importante, onde eles tinham uma função importantíssima, que era de oferecer os sacrifícios a Deus, imolavam os animais, de acordo com as regras estabelecidas por Moisés, e intercediam em favor do povo, pedindo a Deus o perdão, com auxílio dos levitas. Os levitas eram os porteiros que cuidavam do templo, quando terminavam os sacrifícios, eles iam limpar animal, limpar o local do sacrifício, limpar o fogão, limpar o altar, e quando tinha tempo eles iam tocar e cantar. Engraçado é que hoje tem gente que se diz ser levita só porque canta ou toca um instrumento musical, onde no AT, cantar ou tocar era uma fração do trabalho dele. Na vinda de Jesus todas estas coisas foram abolidas. Ele reuniu em Si, todas as funções do sumo sacerdote e dos sacerdotes do antigo testamento. Porque somente Ele satisfaz as condições divinas e humanas, e pra isso Ele tornou-se o único mediador, intercessor entre Deus e os homens (1Tm 2:5, Hb 2:17, Hb 7:25-28, Ap 1:6, 1Pe 2:9). No novo testamento, por virtude da união com Cristo, todos os cristãos são na verdade sacerdotes, porque todos eles podem participar da ceia do Senhor, todos eles podem interceder (1Tm 2:1), eles ministram mutuamente (uns aos outros), portanto, cada cristão faz a mesma coisa, não há mais um sacerdote (clero), pastor também não é sacerdote, a oração do pastor não é mais forte do que a ovelha, pois o mediador é o mesmo. Ficando livre o acesso a Deus mediante Jesus Cristo.
4ª. Dia do Senhor – Caiu o templo, caiu o sacrifício, caiu o sacerdócio, e ficou a questão do dia, porque tudo isso era feito no sábado. O culto no antigo testamento tinha tempos e épocas determinados por Deus. Tinha o sábado como o 4º mandamento, dia em que grande parte desse culto era realizado, e haviam várias festas anuais, havia a festa da páscoa, havia a festa do Tabernáculo, havia a festa de Pentecostes, havia festa de dedicação, fora isso tinha o ano do Jubileu, tinha dias santos como Lua Nova, e as orações eram prescritas três vezes por dia em determinados horários, podia-se orar em todo lugar, mas especialmente três vezes ao dia no templo, ou voltado para o templo, como fez Daniel na babilônia. Quando Jesus veio, ele se opôs a tudo isso, não à lei de Deus, mas a maneira como o judaísmo da sua época havia tomado aquelas leis e sacramentado, cristalizado, calcificado num legalismo absurdo. E de propósito, Ele saiu quebrando aquelas tradições humanas que foram construídas em cima da lei de Deus. Deixou os fariseus furiosos por: comer espigas de milho num dia de sábado (Mt 12:1-4), curou um homem com a mão mirrada num dia de sábado (Mc 3:1-5), curou uma mulher curvada (escrava de satanás durantes muitos anos) num dia de sábado (Lc 3:10-17), curou um homem hidrópico e inchado num dia de sábado (Lc 14:1-6), curou um paralítico num dia de sábado (Jo 5:1-18), curou o cego no tanque de Siloé num dia de sábado (Jo 9:1-41). Porque que Jesus fez isso? Porque o judaísmo da sua época, havia transformado a guarda do sábado, colocando regras e mais regras em cima das regras que Moisés havia dado para a guarda do sábado. Estipulavam o quanto a pessoa podia andar naquele dia, o peso que a pessoa podia carregar naquele dia, regras minuciosas a ponto de perder de vista o propósito do mandamento. Jesus veio e afrontou essa interpretação legalista da guarda do sábado nos seus dias. Como a igreja via essa questão da guarda do sábado? Na verdade, o cristianismo santificou todos os dias da semana, e ocasiões como sendo tempo de culto, e eliminou dias santos. A igreja cristã não celebra a páscoa, mas a Ceia do Senhor. Não celebramos Pentecostes, Tabernáculo, pois estas festas faziam parte da dispensação do calendário judaico que era típico das realidades espirituais. Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco (Gl 4:8-11). Paulo diz que isso são coisas antigas, estão voltando à escravidão, que fazia parte do tipo de culto da antiga aliança, não é mais da nossa época. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo (Cl 2:16-17).
Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus (Rm 14:1-6). Paulo diz aos cristãos judeus que estavam insistindo ainda em guardar o calendário judaico, e chama-os de débil na fé. Tem que ser respeitados, mas são débeis ou fracos na fé! Ficando claro no novo testamento que embora os cristãos tenham abolido o calendário judaico, particularmente o sábado como dia do Senhor específico. Há sinais claros na bíblia de que eles passaram a considerar o dia da ressurreição de Cristo como sendo o dia em que caracterizava para os cristãos o Dia do Senhor, dia em que eles se reuniam para cultuar a Deus. O dia em que Cristo ressuscitou passou a ser para os cristãos, aquilo que o sábado era para os Judeus, embora não observar aquela rigidez com determinações dos judeus fariseus, abusando da lei do quarto mandamento.
Era natural que isso acontecesse, porque para os primeiros cristãos, a lei moral de Deus não foi abolida por Jesus, na verdade, continua tendo o propósito que sempre teve, mostrar Santidade de Deus, mostrar o Seu caráter, e dizer de que maneira nós podemos agradar a Deus.
E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite (At 20:7). Reuniram-se no primeiro dia para partir o “pão”, e a essa altura, as igrejas cristãs já se reuniam no domingo com o objetivo de celebrar a ceia, não tem nada no novo testamento dizendo que os cristãos continuaram a reunir-se no sábado. Outra evidência foi quando Paulo disse: No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar (1Co 16:2).
E para finalizar, quando João estava na ilha de Pátmos, teve a revelação no Dia do Senhor (é utilizada apenas uma vez no novo testamento e exatamente em Ap 1:10), em grego kuriakos (Kυριακη) que significa "que pertence ao SENHOR". Kuriakios, esse termo não foi inventado por João, pois foi tirado do vocabulário da sua época. Originalmente, esta palavra era usada com o sentido imperial, como algo que pertencia ao César romano. Kyriakos é uma forma adjetivada da palavra KurioV (Kýrios – Senhor) e significa literal e exatamente: “que diz respeito ao Senhor”; “concernente ao Senhor”; “pertencente ao Senhor”; “senhorial”, ou “dominical”, e não “do Senhor”, como lemos em algumas das nossas traduções. Os cristãos consideravam como Senhor, não César o imperador, mas Jesus, e utilizaram essa expressão para se referir o dia da ressurreição dEle. Kuriakios, o Dia em que o Senhor ressuscitou (termo utilizado também em 1Co 11:20). Então, quando Apocalipse é escrito o “domingo”, dia do Senhor já era um termo técnico teológico, para se referir ao domingo, e não ao sábado, porque os cristãos mui naturalmente com todas estas mudanças, passaram a celebrar o culto público a Deus no domingo, dia da ressurreição, dia do Senhor, dia em que introduz a nossa redenção, a nossa salvação, prenúncio da nova era, descanso eterno.
E para finalizar, quando João estava na ilha de Pátmos, teve a revelação no Dia do Senhor (é utilizada apenas uma vez no novo testamento e exatamente em Ap 1:10), em grego kuriakos (Kυριακη) que significa "que pertence ao SENHOR". Kuriakios, esse termo não foi inventado por João, pois foi tirado do vocabulário da sua época. Originalmente, esta palavra era usada com o sentido imperial, como algo que pertencia ao César romano. Kyriakos é uma forma adjetivada da palavra KurioV (Kýrios – Senhor) e significa literal e exatamente: “que diz respeito ao Senhor”; “concernente ao Senhor”; “pertencente ao Senhor”; “senhorial”, ou “dominical”, e não “do Senhor”, como lemos em algumas das nossas traduções. Os cristãos consideravam como Senhor, não César o imperador, mas Jesus, e utilizaram essa expressão para se referir o dia da ressurreição dEle. Kuriakios, o Dia em que o Senhor ressuscitou (termo utilizado também em 1Co 11:20). Então, quando Apocalipse é escrito o “domingo”, dia do Senhor já era um termo técnico teológico, para se referir ao domingo, e não ao sábado, porque os cristãos mui naturalmente com todas estas mudanças, passaram a celebrar o culto público a Deus no domingo, dia da ressurreição, dia do Senhor, dia em que introduz a nossa redenção, a nossa salvação, prenúncio da nova era, descanso eterno.
Usai o domingo como o Dia do Senhor, pois tem raízes profundamente bíblicas, as sombras já se foram, o corpo já veio e o vemos em plena luz, e na ressurreição terminou com templos, sacrifícios, sacerdócios, a lei cerimonial, e nos introduz ao culto espiritual de livre acesso a Deus, pela Sua mediação, onde todos nós podemos ministrar e servir ao Senhor.
Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele. (Sl 118.24)
Que neste Dia, possamos aproveitá-lo, e desfrutar de toda Sua plenitude, por amor do Teu nome. Bendito seja o nome do Senhor Jesus Cristo!
Neryvan Felipe
Sermão extraído de um áudio do Rev. Augustus Nicodemus - O Dia do Senhor
Site referência ~ http://monergismo.com/?feed=rss2&tag=sermao-em-audio
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Os Pilares da Reforma Protestante
A igreja Cristã, no primeiro século, nasceu num berço humilde, e seus apóstolos na sua maioria eram pescadores, igreja esta que nasceu sob o poder do Espírito Santo quando foi derramado no Pentecoste. Era uma igreja sem dinheiro, sem pessoas influentes na sociedade, sem meios modernos de comunicação, e em apenas quarenta anos penetrou em todo império romano. Apesar da perseguição sangrenta, truculenta, que foi imposta sobre a igreja, ela cresceu, floresceu e se multiplicou.Entretanto, no ano 313 a.C., o imperador Constantino juntou o estado com a igreja, e aquela união tornou-se um concubinato espúrio, porque quando Constantino declara o cristianismo como religião oficial do império romano ele passa a ser chefe da igreja e chefe do estado. Não tardou para que os bispos das cinco principais cidades do mundo (Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém) começassem a buscar hegemonia de poder.
Então no ano 607 a.C. o imperador Flávio Focas decreta e declara o bispo de Roma Bonifácio III como o bispo universal, começando aí a instituição do papado. Esta posição levou a igreja a desviar-se rapidamente da sua fidelidade à escritura sagrada. A igreja tornou-se política e economicamente cada vez mais forte passando a unir-se informalmente ao estado e a igreja foi perdendo sua pureza doutrinária, perdendo a sua piedade espiritual, e não tardou para que a igreja se corrompesse e introduzir doutrinas estranhas à palavra de Deus.
Já no começo do século XVI, pregavam-se as indulgências, porque o Papa Leão X estava construindo a basílica de São Pedro e precisando de dinheiro mandou seus emissários para a Europa (especialmente Johannes Tetzel para a Alemanha) para vender perdão de pecados (indulgências). Dependendo do dinheiro que entrava nos cofres da igreja o Papa assinava uma bula vendendo anos, cinco anos, dez anos, vinte anos, ou até mesmo o perdão eterno. Essa situação certamente estava equivocada, porque não tem amparo na palavra de Deus, visto que só Deus tem poder para perdoar pecados.
O monge agostiniano Martinho Lutero, que já tinha descoberto a verdade bendita da palavra de Deus (“o justo viverá pela fé” - Rm 1:17), ao ver que Tetzel pregava estas coisas contrárias a Bíblia na Alemanha, estrategicamente, em 31 de outubro de 1517, Lutero fixou nas portas da igreja de Wittenberg as 95 teses contra as indulgências. Porque ele fixa essas teses exatamente no dia 31? Porque Wittenberg era a igreja da universidade, e lá existia um tipo de painel onde as pessoas iam ler as principais notícias, seja da faculdade ou das situações políticas e religiosas mais relevantes daquele tempo, e no dia 1º era celebrado o dia de todos os santos gerando um grande fluxo de pessoas se dirigindo a aquela igreja. Desta maneira, colocando estas teses no dia 31, na véspera desta grande multidão na igreja, era uma atitude estratégica de Lutero para que as idéias da reforma pudessem espalhar por toda Alemanha.Então neste dia 31 de outubro de 1517, nasceu a Reforma Protestante, vindo daí muitos embates como a Dieta Imperial em Worms, as perseguições onde Lutero refugiou-se num castelo e traduziu a bíblia para o alemão e a reforma começou a ganhar corpo. A partir daí, o evangelho passou a ser pregado na língua do povo.
E hoje podemos sintetizar os pilares da reforma em alguns pontos importantes:
1. Sola Scriptura (Somente a Escritura) – A reforma não foi um movimento de desvio da igreja, ao contrário, foi uma volta ao cristianismo bíblico, uma volta à doutrina apostólica, uma volta à palavra de Deus. A reforma preceitua que a bíblia sagrada é a nossa única regra de fé e prática. Nós não podemos aceitar a tradição, nem os sonhos, nem as visões, nem as revelações fora das escrituras, nem as experiências, nem os decretos, nem os concílios, nada tem a mesma autoridade da palavra de Deus, pois a autoridade da igreja está debaixo da autoridade da escritura. Uma igreja para ser bíblica ela precisa crer que a bíblia é a palavra de Deus, inerrante, infalível e suficiente.
2. Sola Fide (Somente a Fé) – A reforma revela que não é fé + obras que nos leva a salvação (doutrina do sinergismo, como se o homem pudesse cooperar com Deus na sua salvação), pois isso é um equívoco. A bíblia diz que “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; (Efésios 2:8-9)”, de tal maneira a fé é a causa da nossa salvação, e as obras são conseqüências da salvação, a fé é como a raiz e as obras são como frutos. Na verdade não somos salvos apenas pela fé, mas uma fé que não vem só, uma fé que produz obras, não é uma fé morta, é uma fé viva do Deus vivo que tem obras como sua evidência e como seu resultado.
3. Sola Gratia (Somente a Graça) – A reforma afirma que somente através da graça de Deus que pode levar o homem à salvação. Graça é favor não merecido, pois o ser humano não merece o favor de Deus, e Deus não é obrigado a favorecer ao homem. Primeiro porque o homem está morto em seus delitos e pecados, o homem jamais pode salvar-se a si mesmo, quer pela sua religiosidade, pelos seus predicados morais, pelos seus ritos sagrados, nada que o homem faça pode atender aos reclamos da lei de Deus, pois diz a bíblia que nossas justiças aos olhos de Deus não passam de trapos de imundícia (Isaías 64:6). A salvação é obra específica e exclusiva da graça de Deus, pois não há nenhum mérito no homem, não há nada que o homem possa fazer para Deus amá-lo mais ou amá-lo menos. Deus ama você (cristão) com amor eterno e derramou abundantemente sobre você a Sua graça dando seu único filho para morrer em seu lugar e em seu favor. A salvação é inteiramente pela graça de Deus, de tal maneira, que ninguém vai entrar no céu batendo no peito dizendo “estou aqui porque mereço, porque fiz por onde, porque sou bom, porque pratiquei boas obras, ...”, isso é impossível, porque o padrão para entrar o céu é a perfeição, ser perfeito. A bíblia diz: “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. (Tiago 2:10)”. O homem é imperfeito, pecador, e a bíblia diz que o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23), de tal forma que, somos salvos somente pela abundante graça de Deus.
4. Solus Christus (Somente Cristo) – Note que a igreja da idade média, que tinha se desviado da verdade de Deus, pregava Jesus e uma série de outros que podiam cooperar com a salvação, outros mediadores, como santos, como os apóstolos, como o Papa, como Maria. Mas a reforma resgata essa verdade bíblica de que Jesus Cristo é exclusivo, não há salvação em nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos, a não ser o nome do bendito Senhor Jesus. A bíblia diz “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. (1Timóteo 2:5)”, “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6)”. Somente Jesus Cristo pode conduzir você a Deus, somente Ele morreu em seu lugar, somente Ele verteu seu sangue em seu favor, somente Ele é o seu advogado que pode defender a sua causa junto ao trono da graça, não há outro salvador, não há outro mediador, somente Jesus. De tal forma, que não há possibilidade de alguém chegar até Deus pegando um atalho, ou por outros meios, porque o próprio Deus já estabeleceu Jesus como a única porta, o único e vivo caminho. Se você quer ser salvo, não há outra possibilidade de você ser salvo, a não ser que você receba Jesus como seu Senhor, Seu Salvador, e se arrependa de seus pecados, se derrame aos pés de seu Salvador e entregue completamente incondicionalmente a sua vida a Jesus Cristo.
5. Soli Deo Gloria (Somente a Deus a Glória) – Toda glória dada ao homem é glória vazia, é vã glória. Não há nenhum mérito humano, pois a salvação é obra exclusiva de Deus. A bíblia diz que, “E aos que Deus predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou (Romanos 8:30)”. Embora a glorificação seja um fato futuro e escatológico, na mente de Deus os decretos já é um fato consumado. De tal maneira que tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Jesus Cristo. A salvação é obra de Deus, planejada por Deus, realizada por Deus, aplicada por Deus e consumada por Deus. De tal maneira, que a graça vem de Deus e a glória tem que ser dada exclusivamente a Deus. Quando paramos para analisar as igrejas evangélicas hoje, percebemos que estão perdendo essa singularidade do evangelho, pois estamos vendo a multiplicação da igreja evangélica em solo terreno, mas o que está crescendo na verdade não é o evangelho genuíno da graça, é outro evangelho, um evangelho híbrido, místico, adocicado, palatável, para agradar o gosto da freguesia, o evangelho sem cruz, sem arrependimento, sem novo nascimento, sem santidade, sem ética, sem transformação de vida. Hoje as igrejas chamadas evangélicas estão tantas vezes comprometidas com o misticismo, com pragmatismo, com liberalismo teológico, perdendo o rumo da sua fidelidade a Deus e as escrituras, e desta maneira não basta ter o nome de evangelho ou protestante, precisamos verdadeiramente abraçar o cristianismo bíblico, o cristianismo apostólico, o cristianismo da reforma do século XVI, dos avivalistas, dos missionários que deram sua vida pelo evangelho, o evangelho vivo, poderoso, santo, que enche a alma de esperança e dar ao homem a garantia da vida eterna.
Então devemos voltar-nos a escritura, ter uma vida santa, ter uma vida pura, ter uma vida sincera diante de Deus, pois Deus quer que sejamos uma luz a brilhar, sejamos o sal a salgar e dar sabor a este mundo que perece, sem rumo e sem direção na escuridão das trevas. Que venhamos verdadeiramente levantar a bandeira da reforma, ter e pregar um evangelho genuíno, para a salvação de milhares e para glória de Deus.
Neryvan Felipe
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
BATALHA ESPIRITUAL, UMA REALIDADE INEGÁVEL
Estamos em Guerra - Efésios 6:10-20
Certamente temos que ter plena consciência que vida cristã não é uma colônia de férias, não é um parque de diversões, não é uma estufa espiritual, não existe essa ideia de estar blindado espiritualmente, imune aos ataques sutis do inimigo. Vida cristã é luta, é guerra, é batalha sem pausa e sem trégua. Nesta luta não existe um campo neutro, ou você é um guerreiro ou uma vítima, não tem como ficar em cima do muro. Disse Jesus, quem não é por mim é contra mim, quem comigo não ajunta espalha (Mt 12:30). Só existe duas possibilidades, ou você está no reino da luz (que é Jesus Cristo) ou no reino das trevas (potestade de Satanás).
Jesus Cristo disse que o diabo é como um valente que tem uma casa bem guardada, e ele a guarda em segurança todos seus bens, são vidas que ainda não nasceram de novo, não foram redimidas pelo sangue de Jesus, não foram transportadas do reino das trevas para o reino da luz. Mas a bíblia diz que estas coisas mudarão em sua vida, quando Jesus, Aquele que é mais forte do que o valente, o todo poderoso Deus, entrar na casa do valente, prendê-lo, amarrá-lo, tirá-lo a armadura em que ele confiava (Lc 11:22), então Jesus saqueia sua casa e lhe toma os despojos (os bens), ou seja, arrancando a sua vida das garras deste terrível inimigo.
O apóstolo Paulo nos diz em Efésios que a nossa luta não é contra a carne, mas contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal. Nós temos que entender que: O inimigo é organizado, o diabo não é tão tolo ao ponto de estar desorganizado neste combate que faz ao povo de Deus. A bíblia diz que o reino do maligno não está dividido, o diabo não trabalha contra ele mesmo, pois a casa dividida contra si mesma não pode prosperar. Mas no reino do inimigo também existe uma hierarquia, onde Paulo fala de um líder maior que é o diabo. No vers. 11 Paulo fala que nós devemos ficar firmes contra as ciladas do diabo (onde o inimigo é chamado de diabo, satanás, ladrão, assassino, tentador, maligno, destruidor, apolion, lúcifer, belial, e ele veio para roubar, para matar, para destruir, ele não tem descanso, 24 horas por dia este inimigo investiga sua vida, rondando como um leão que ruge procurando devorar você, procurando brechas em sua vida para atingi-lo. Esta é uma batalha sem pausa e sem trégua. Este inimigo que não é onipotente, nem onisciente, nem onipresente, não está sozinho, existe uma corja de anjos caídos, demônios que trabalham nesta batalha contra você, que são os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, as forças espirituais do mal. Nós não podemos subestimar este inimigo, pois os liberais dizem que o diabo é apenas um mito, uma lenda, que foi criado pela religião para impressionar as pessoas ou embocar medo no coração dos incautos. Mas o diabo não é uma lenda, ele não é um mito, ele é um anjo caído e com ele estão seus demônios que tentam, que matam, que roubam, que espreitam, que trazem grandes tragédias pra vida da humanidade. Paulo também fala que não podemos superestimar nosso inimigo. Ultimamente igrejas do mundo inteiro foram assaltadas por uma onda de “batalha espiritual”, e muitos escritores falaram de demônios territoriais, dando nomes a esses demônios, e pessoas açodadas chegaram a receber revelações desses demônios. Nós precisamos entender que essa atitude de atribuir tudo ao diabo não é uma prática bíblica, pois muitas pessoas atribuem uma dor de cabeça ao diabo, o qual resolveria com aspirina, o pneu do carro fura no trânsito se atribui ao diabo, numa briga entre marido e mulher se atribui ao diabo, a pessoa comete deslizes morais e trai e diz que está possuída pelo demônio do adultério. Embora o demônio seja tentador, ele induz as pessoas ao pecado, pois o adultério não é obra do demônio, mas é obra da carne, na verdade essas pessoas precisam mesmo é de arrependimento. Essas práticas levam as pessoas a buscarem libertação em vez de buscarem arrependimento.
Nós precisamos entender também que a nossa luta é contra o diabo, contra o mundo e contra a carne. Paulo também diz que o inimigo age primeiro por pressão, e nós precisamos tomar cuidado, nos revestir das armaduras de Deus, ficar firmes contra as ciladas diabólicas pra você resistir no dia mau, no dia do ataque implacável, pois o diabo é estratégico. Este inimigo tem muitos métodos, muitas abordagens, e certamente ele vai dar uma aparente folga para a você, achando tudo calmo, tranquilo, parece que você está até tirando férias de Deus, já não lê mais a bíblia, já não ora mais, já não vai mais a igreja, e de repente quando você pensa que está tudo calmo, vem o ataque frontal, avassalador, e você então percebe que esse é o dia mau, você acorda mal humorado, você discute com sua mulher, você briga no trânsito, nada dá certo no seu dia, é um ataque contra sua vida, é a ação da pressão do inimigo. Outra artimanha do inimigo é agir perseverantemente, e depois de você terdes vencido tudo, permaneceis inabaláveis, porque este inimigo pode até dar uma trégua, mas não desiste.
Foi assim também com Jesus, o diabo tentando-o por três vezes e deixando-o até momento oportuno (Lc 4:13), citando até mesmo o contexto bíblico, mas o diabo cita a bíblia incompleta, distorce a escritura, usa a bíblia para tentar. O diabo retornou através dos fariseus, dos escribas, dos discípulos, através da multidão, de diversas maneiras. Diz também a bíblia que ele cega o entendimento dos incrédulos, ele arrebata a semente da palavra para que as pessoas não creiam, ele semeia o joio no meio do trigal de Deus quando os filhos do reino estão dormindo (os joios são filhos do maligno), semeia os falsos mestres dentro da igreja. O diabo penetra na mente das pessoas sugestionando-as a ideias erradas. Ele entra pela mentira, pela porta da mágoa, quando você guarda ira no coração, você abre um flanco para que o diabo penetre e faça um estrago na sua vida. Ele penetra pela janela da impureza, da pornografia, da prostituição, e ele vai dominando sua mente, acorrentando você com as algemas da imoralidade.
A palavra de Deus nos diz que o diabo pode nos oprimir através da doença, de enfermidades, de pensamentos impuros, ou pode também levar a você ideia de que não precisa de Deus, é o humanismo, é o secularismo, e você vai se contentando com o glamour deste mundo, com a fascinação das riquezas, de maneira sutil do satanismo entrar e dominar nessa batalha espiritual.
Como você pode enfrentar esta luta? O apóstolo Paulo diz que primeiro você precisa tomar toda a armadura de Deus, e precisa entender que Jesus já arrancou a armadura do diabo, mas você pode ter a armadura de Deus. Você precisa ter o cinturão da verdade, a couraça da justiça, o escudo da fé, as sandálias do evangelho da paz, a espada do espírito santo, precisa se equipar com essas ferramentas espirituais, porque essa luta não é física, precisando entrar neste campo de batalha com as armas espirituais poderosas em Deus para desfazer sofismas, anular as artimanhas e os estratagemas do inimigo. Você precisa vigiar, se acautelar, você precisa depender de Deus, colocar seus olhos no comandante que é Jesus, e não pode confiar em sua própria carne, em seu conhecimento, em sua sabedoria ou sua estratégia, você precisa “ser revestido com o poder de Deus”. Sem o revestimento do poder de Jesus você não terá condições de enfrentar esta batalha e sair vitorioso. Muitas pessoas estão caindo neste campo de peleja, pois o diabo usa diversas armadilhas, através do orgulho, do poder, da tentação do sexo, o engano, a arma do racionalismo, da feitiçaria, do sincretismo religioso, do liberalismo teológico. Mas agora mesmo você pode tomar a decisão de voltar-se para Deus, pôr sua confiança em Jesus, de buscar a armadura de Deus e revestir-se com o poder de Deus pra que você entre nesta peleja como mais do que vencedor em Cristo Jesus e seja vitorioso para glória de Deus. Não temos que temer o diabo, temos de sujeitar-nos a Deus, resistir ao diabo e ele fugirá de você. O problema não é a presença do inimigo, mas sim a ausência de Jesus, e se você está com Jesus você é vencedor, porque se Deus é por nós, quem será contra nós?
Neryvan Felipe
domingo, 11 de setembro de 2011
Deus, a maior necessidade da igreja
E Moisés disse ao SENHOR: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo; e tu disseste: Conheço-te por teu nome, também achaste graça aos meus olhos. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo. Disse pois: Irá a minha presença contigo para te fazer descansar. Então lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra? (Êxodo 33:12-16)
Infelizmente o cenário que temos hoje dentro do contexto da igreja chamada evangélica em nosso país e em muitos outros no mundo, é aquele que ensina com as suas práticas, que a maior necessidade da igreja são as bênçãos de Deus e não o próprio Deus. A pregação dos nossos dias tem feito do homem a medida das coisas e não mais o Senhor. Os homens trocaram Deus pelas bênçãos de Deus, trocaram a glória de Deus pela glória humana, as pessoas querem a bênção e não o Abençoador, querem a salvação e não o Salvador, querem os dons e não o doador. O evangelho moderno ensina que Deus está a serviço do homem e não o homem a serviço de Deus. A verdade é que precisamos desesperadamente da presença de Deus, pois sem ela as nossas vidas serão vazias, o nosso culto sem vida e as nossas mensagens mortas sem a presença de Deus. Não podemos confundir a onipresença de Deus com a presença manifesta de Deus, pois a onipresença nos diz que Deus está em todos os lugares, mas a presença manifesta de Deus nos fala da sua ação, da sua aprovação e da sua direção.
O contexto desta passagem (Ex 33:12-16) é justamente após a punição de Deus ao seu povo como castigo por terem construído um bezerro de ouro para a adoração no deserto, quando Moisés foi ao monte e ali esteve durante quarenta dias recebendo de Deus as tábuas dos dez mandamentos para normatizar o comportamento do seu povo. Como castigo pela idolatria, três mil homens foram mortos dentre aqueles que deixaram a terra do Egito. Depois de interceder pelo povo, no capítulo 33, Moisés ouve de Deus que seu anjo iria adiante do seu povo. No contexto acima fala-nos da oração de Moisés ao Senhor por sua presença, pois Moisés sabia que aquilo que afasta o homem da presença de Deus é o pecado, e foi justamente o pecado que aquele povo havia provocado a ira de Deus. Moisés então roga para que Deus seja com eles, pois entendia que a maior necessidade daquele povo era a presença de Deus.
O que aprendemos nesse contexto:
A presença de Deus entre o seu povo é obra da sua graça [vers. 12-13]
a) Moisés queria atender a vontade de Deus para ele e para o seu povo. Deus havia prometido no vers. 2 que enviaria o seu anjo adiante deles, e também lhes prometeu vitória, porém Moisés queria a presença de Deus e por ela roga. Sabia da importância de ter o anjo de Deus com eles, sabia que seria vitorioso, mas roga a Deus por sua presença. Moisés queria Deus, a presença de Deus. Shekhinah (em hebraico: שכינה - Divina presença).
b) Quando Moisés roga ao Senhor, a base do seu pedido é a graça de Deus. Moisés pede que o Senhor mostre o seu caminho, a sua vontade para que lhe conheça e que também considere a nação de Israel como seu povo. Observemos que Moisés ora a Deus respaldado na palavra de Deus quando lhe disse que este havia achado graça aos seus olhos, e por três vezes Moisés usa o termo graça para falar do seu chamado e também da revelação de Deus a sua pessoa.
c) Moisés sabia que o Senhor era gracioso, e esta graça havia se mostrado na vida do seu povo que foi tirado do Egito de forma sobrenatural, e agora em sua oração, a graça de Deus é lembrada num contexto de perdão e recomeço. Deus havia dito ao seu povo que não iria com ele porque este povo era povo de dura cerviz, mas depois da oração de Moisés Deus promete ir com eles. Observemos que Moisés cria categoricamente na graça de Deus, no seu favor imerecido e que o Senhor lhes podia trazer perdão, restauração, e sobretudo a sua presença.
A nossa maior necessidade é a presença de Deus. Não são as suas bênçãos, não são os seus dons... roguemos ao Senhor que nos faça conhecer a sua vontade, e que sejamos guiados por ela, mas que, sobretudo Ele seja conosco.
A presença de Deus entre o seu povo deve ser o nosso maior anseio [vers. 14-15]
a)Depois da oração de Moisés e sua intercessão pelo povo, Deus promete ir com eles e lhes dar descanso, onde observamos as palavras de Moisés [vers. 15] – “Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui”. Tais palavras de Moisés revelam a sua dependência de Deus e a total necessidade do povo de tê-lo com eles na trajetória do deserto. Para Moisés era melhor não progredir naquele lugar a prosseguir sem a presença de Deus com o seu povo.
b) As palavras de Moisés nos fazem refletir sobre a diferença entre alguém que se sente totalmente dependente de Deus e aqueles que vivem apenas na expectativa da benção do Senhor. Consideremos o comportamento do povo diante de necessidades que se apresentaram na caminhada do deserto. O povo murmurou por pão, murmurou por água, por carne, por causa das lutas contra os inimigos e falavam em retroceder para o Egito diante das dificuldades, porém o que podia fazer Moisés estagnar era a possibilidade de Deus não estar com ele.
c) A igreja tem aprendido a buscar algo de Deus, a constituir para si ídolos em seus corações, e tem esquecido de sua grande necessidade. Recorrendo ao novo testamento, podemos perceber no livro Ap 3 as condições da igreja de Laudicéia, rica materialmente, porém as suas obras mantinham Cristo a porta, fora da igreja que havia perdido justamente a compreensão da necessidade da presença de Deus acima de todas as outras coisas - “Eis que estou à porta, e bato; (Ap 3:20a)”. Aquela igreja era espiritualmente pobre, como são pobres todos aqueles que não entendem que a presença de Deus é a maior necessidade da igreja.
A presença de Deus é o que difere o seu povo dentre todos os povos da terra [vers. 16]
a)Esta colocação de Moisés revela a sua compreensão da graça eletiva de Deus, atribui ao Senhor o poder soberano de separar para si um povo que se distingui de todos os povos da terra. O poder está em Deus e não em nós. Esta verdade está presente em toda a escritura, e em Israel esta verdade se mostra de forma clara e graciosa.
b) Em 1Pedro 2:9, o apóstolo Pedro usa vários termos do velho testamento, e diz: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;”
c) O que nos difere dentre os povos é a presença de Deus conosco. Não são os nossos méritos, a nossa capacidade, a nossa teologia, mas a presença de Deus conosco o que nos faz privilegiados. Ainda que nada disso seja obra do nosso esforço como diz Efésios 2:8-9 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. [...]”, é a presença do Senhor, é a Sua pessoa, é por Ele, por meio dEle e para Ele.
Qual é a sua maior necessidade?
Certamente é a presença de Deus. Clamemos então: Se o Senhor não for conosco, não nos faça subir deste lugar.
Conclusão: O filho foi presenteado pelo pai, porém o pai ausente a maior parte do tempo, e o filho quando perguntado sobre qual presente gostaria de ganhar no seu aniversário, o filho responde: Fique comigo hoje!
Assim como nossos filhos precisam mais de nós do que presentes, precisamos mais de Deus, Ele é a nossa maior necessidade. Que a sua maior necessidade se mostre no anseio pela presença de Deus.
Pr Romildon Andrade
Igreja Batista Graça e Paz
domingo, 4 de setembro de 2011
Batismo com o Espírito Santo e com Fogo
O batismo com fogo não é uma promessa para os crentes. E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Mateus 3.11).
A nossa intenção neste pequeno artigo não é analisar de uma forma geral o ensinamento antibíblico de um batismo com o Espírito Santo pós-conversão, defendido pelos pentecostais e neopentecostais. Antes, queremos atentar para a passagem acima e ver à luz das Escrituras o que significa o “batismo com o Espírito Santo e com fogo” (vale ressaltar que esta é uma das passagens prediletas dos pentecostais e neopentecostais, a qual eles afirmam ensinar a necessidade de um revestimento de poder para os crentes após a conversão).
Tanto pentecostais como muitos reformados crêem que “o batismo com o Espírito Santo e com fogo” se refere ao batismo que os crentes genuínos recebem (é claro que a diferença quanto ao tempo desse recebimento e a extensão do mesmo é fundamental entre esses dois grupos). Mas o que diz “a Lei e o Testemunho”?
Primeiramente, vejamos o contexto da passagem:
7 – E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? 8 – Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento 9 – e não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 – E também, agora, está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. 11 – E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12 – Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará (Mateus 3.7-12).
Analisando cuidadosamente o discurso de João Batista, vemos que a expressão “batizará com o Espírito Santo e com fogo” refere-se a dois batismos distintos para duas classes de pessoas distintas:
- O batismo com o Espírito é para o trigo, ou seja, para aqueles que produziram, pela graça de Deus, frutos dignos de arrependimento. O trigo é recolhido no Seu celeiro em virtude de ser algo muito valioso, muito precioso.- O batismo com fogo é para a palha, ou seja, para aquelas “árvores” que não produziram frutos, as quais serão cortadas e lançadas no fogo. Assim, a palha será separada do trigo, ou seja, os ímpios dos bons, e será queimada no fogo que nunca se apaga.
Além do mais, João Batista não estava se dirigindo aos discípulos dele ou de Cristo. Ao contrário, ele falava com os “fariseus e saduceus” que estavam querendo se batizar, sem demonstrar arrependimento. A esses ele diz: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?”. Certamente João Batista não prometeria um batismo com Espírito Santo para tais pessoas.
Portanto, ao invés do “batismo com fogo” ser uma promessa para os crentes, ele é uma frase expressiva dos terríveis julgamentos que Ele (Jesus) infligiria sobre a nação Judia e sobre todos quantos morressem impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-Lo; e quando Ele aparecer como o “fogo do ourives” e como o “sabão dos lavandeiros” (Malaquias 3.2); quando “o dia do Senhor” vier “ardendo como forno” (Malaquias 4:.); quando Ele “limpar o sangue de Jerusalém”, Seu próprio sangue e o sangue dos Apóstolos e Profetas derramados nela, “do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor”; o batismo com fogo é o mesmo que a “ira vindoura”, com a qual os ouvintes de João Batista são ameaçados no contexto, na ocasião da qual as árvores infrutíferas “serão cortadas e lançadas no fogo” e a “palha” será queimada com fogo que nunca se apaga.
Aqueles que insistem em afirmar que o “batismo com o Espírito Santo e com fogo” se refere a um só batismo, experimentado pelos crentes, costumam apelas para Atos 2.3 como prova de sua teoria. Contudo, lemos assim nesse verso: “Apareceram línguas como de fogo, pousando sobre cada um deles”. Note que as línguas eram COMO de fogo e não DE fogo, ou seja, elas tinham apenas aparência de fogo. Além do mais, não vemos este ato repetido em numa parte da Bíblia. Até mesmo no batismo de Cornélio e de sua casa, o qual Pedro afirma ser o mesmo fenômeno experimentado por ele e os outros apóstolos, as “línguas como de fogo” estão ausentes. Poderíamos ainda dizer que se “línguas como de fogo” fosse cumprimento de “batismo com fogo”, esta promessa não é para nós, visto que ninguém, senão os 120 reunidos no cenáculo no dia de Pentecoste , experimentou isso em toda a história cristã.
É verdade que, como Calvino disse, é Cristo quem concede o Espírito de regeneração, e que, como o fogo, este Espírito nos purifica retirando a nossa imundícia. O Espírito tanto ilumina como purifica. Contudo, Mateus 3.11 não se refere a esta obra purificadora nos crentes, mas ao juízo final preparado para os ímpios. Portanto, concluímos com o puritano Dr. John Gill:
E como este sentido [o de julgamento para os ímpios] melhor concorda com o contexto, creio ser ele o genuíno; visto que João não está falando para os discípulos de Cristo, que ainda não tinham sido chamados, e que somente no dia de Pentecostes foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, no outro sentido desta frase [no sentido de fogo como a obra da graça purificadora para os crentes - ver Isaías 6.6,7; Zacarias 13.9; Malaquias 3.3; 1 Pedro 1.7]; mas ele se dirigia aos Judeus, alguns dos quais tinham sido batizados por ele.
por Felipe Sabino de Araújo Neto
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