A Verdade é a Base do Verdadeiro Amor Cristão
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sábado, 16 de novembro de 2013

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Afinal, o que é Orar?

Por Augustus Nicodemus

Alguns vão estranhar que um calvinista escreva sobre oração e mais ainda se eu disser que costumo orar todo dia... mas, aqui vai...


Orar a Deus deveria ser uma coisa simples. Todavia, poucos assuntos precisam de mais esclarecimentos do que a oração. Há muitos conceitos errados sobre a oração por causa do misticismo e da superstição que acometem o ser humano (não somente os brasileiros), por falta de mais conhecimento bíblico sobre o assunto e por causa de ideias equivocadas que as pessoas têm sobre Deus. Seguem alguns pontos sobre oração que penso que são fundamentais e também relevantes para nós hoje. Estou pressupondo o básico: quem vai orar acredita que Deus existe e que Ele recompensa os que o buscam (Hb 11.1-2 e 6). 

"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." (Hebreus 11:6)

1 Orar é basicamente apresentar a Deus, mediante Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo, nossos desejos, necessidades, confissão de pecados, intercessões, agradecimentos. A razão é que somente o Deus Triúno conhece nossos corações, é capaz de atender os pedidos e o único que pode perdoar pecados. Portanto, não há qualquer fundamento bíblico para dirigirmos nossas orações a quaisquer criaturas, vivas ou mortas, mas somente ao Deus Triúno (2 Sm 22:32; 1Rs 8:39; Is 42:8; Sl 65:1-4;145:16,19; Mq 7:18-20; Mt 4:10; Lc 4:8; Jo 14:1; At 1:24; Rm 8:26-27; Jo 14:14 e dezenas de outros textos que falam de nos dirigirmos a Deus).

"E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido," (Atos 1:24)
"E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos." (Romanos 8:26-27)

2– O Novo Testamento nos ensina que devemos orar a Deus em nome de Jesus Cristo. A razão é que o pecado nos afastou de Deus e não podemos nos aproximar dele por nossos próprios méritos. Jesus Cristo é o único, na terra e no céu, que foi constituído pelo próprio Deus como mediador entre ele e os homens. Não há qualquer base bíblica para se chegar a Deus em oração pela mediação de qualquer outro nome. A Bíblia nos ensina que “não há outro nome dado aos homens” (At 4:12) e que “há somente um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo” (1Tim 2:5). (Ver ainda Jo 14:6; Ef 3:12; Cl 3:17;Hb 7:25-27;13:15). 

"No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele." (Efésios 3:12)

3– Orar em nome de Jesus é nos achegarmos a Deus confiados nos méritos de Jesus Cristo e no perdão de pecados que ele nos conseguiu por meio de sua morte na cruz. É pedir a Deus com base nos merecimentos de Cristo e não nos nossos. É renunciar a toda justiça própria e chegarmos esvaziados de nós mesmos diante de Deus, nada tendo para oferecer em nosso favor a não ser a obra daquele que morreu e ressuscitou por nós. Onde não houver esta disposição e atitude, invocar o nome de Jesus é vão. O nome de Jesus não é um talismã ou uma palavra mágica, ou a senha para desbloquear as bênçãos de Deus. Não funciona nos lábios daqueles que ainda confiam em si mesmos e na sua própria justiça, ainda que repitam este Nome dezenas de vezes em oração (Mt 6:7-8; 7:21; Lc 6:46-49; Jo 14:13,14; At 19:13-16; 1Jo 5:13-15; Hb 4:14-16).

"Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus. E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos." (1João 5:13-15)

4 Embora possamos pedir a Deus qualquer coisa que desejarmos, todavia, só deveríamos orar por aquelas que trazem a maior glória de Deus, que promovem o crescimento do Reino de Deus neste mundo e que são para nosso bem, sustento, proteção, alegria, bem como de nosso próximo. Foi isto que Jesus nos ensinou a pedir na oração do “Pai Nosso” (Mt 6:9-13), além de outras coisas afins (Lc 9:11-13). Assim, é tentar a Deus orarmos por coisas ilícitas e pedir coisas que Ele declara, na Bíblia, serem contra a sua vontade (Tg 4:1-3; Mt 20:20-28).

"De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis.Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." (Tiago 4:1-3)

5– Em nossas orações, deveríamos nos lembrar de orar por outras pessoas. A Bíblia nos ensina a pedir a Deus pelos irmãos em Cristo, pela Igreja de Cristo em todo o mundo, pelos governantes, por nossos familiares e pessoas de todas as classes, inclusive pelos nossos inimigos. Todavia, não há qualquer base bíblica para orarmos pelos que já morreram ou oferecer petições em favor dos mortos (Gn 32:11; 2Sm 7:29; Sl 28:9; Mt 5:44; Jo 17:9 e 20; Ef 6:18; 1Tm 2:1-2; 2Ts 1:11; 3:1; Cl 4:3).

"Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso;" (Colossenses 4:3)

6– Deus nos encoraja a trazer diante dele as nossas petições. Todavia, ainda que a eficácia de nossas orações dependa exclusivamente dos méritos de Cristo, Deus nos ensina em sua Palavra que há determinadas atitudes nos que oram que fazem com que ele não atenda estas orações, como brigas entre irmãos, mundanismo e egoísmo, tratar mal a esposa, pecados ocultos, incredulidade e dúvidas, falta de perdão a quem nos ofende, hipocrisia, vãs repetições, entre outras coisas (Mt 5:23-24; Tg 4:1-3; 1Pe 3:7; Sl 66:18; Pv 28:13; Is 59:1-2; Tg 1:6-7; Mt 6:14-15; Mt 6:5; Mt 6:7-8). Por outro lado, se nossas orações são respondidas, isto não se deve à nossa santidade, mas à graça de Deus mediante Jesus Cristo, que nos habilita a viver de forma agradável a ele (1Jo 3:21-22), e ao fato de que as orações, por esta mesma graça, foram feitas de acordo com a vontade de Deus (1Jo 5:14).

"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve." (1João 5:14)

7– Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem.

"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos." (1João 5:14-15)

Se houvesse mais oração verdadeira a Deus por parte dos que professam conhecê-lo mediante Jesus Cristo, quem sabe veríamos aquele avivamento e reforma espirituais que tanto desejamos para nossa pátria?

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Crônicas 7:14).


Extraído de uma postagem do Pr. Augustus Nicodemus no Facebook



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O que é um Cristão "Reformado"?


Ainda aproveitando o aniversário da Reforma o qual é comemorado no dia 31 de outubro...

O crescimento do interesse pela fé reformada em todo o mundo é um fato que tem sido notado aqui e ali pelos estudiosos de religião. Crescem em toda a parte a publicação de literatura reformada, o ingresso de estudantes em seminários e instituições reformadas, a realização de eventos, o surgimento de novas igrejas e instituições de ensino reformadas e o número de pessoas que se dizem reformadas, especialmente oriundas de denominações pentecostais.

Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Por “reformado” entendo aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados “Cinco Pontos do Calvinismo,” resumidos no acrônimo TULIP (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança final). 

A Reforma produziu movimentos associados aos seus grandes líderes, os quais concordariam substancialmente entre si quanto aos “solas” e o TULIP, mas que divergiram em outros pontos. Refiro-me a luteranos, zuinglianos e calvinistas. Com o passar do tempo, o nome “reformado” foi se associando mais e mais aos calvinistas, de maneira que, de maneira genérica, os termos “reformado” e “calvinista” são usados hoje como similares.

Existe, todavia, um grande número de igrejas que são da "tradição reformada" mas que já não creem de maneira ortodoxa quanto a estas doutrinas. Geralmente essas igrejas não estão experimentando esse crescimento, mas um esvaziamento, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos e outras denominações historicamente ligadas à Reforma, mas que já não professam seus postulados. Por outro lado, da África, Coréia, China, Indonésia, por exemplo, chegam relatórios do florescimento calvinista. É claro que o calvinismo acaba recebendo diferentes interpretações e expressões em tantas culturas variadas, mas os pontos centrais estão lá.

Isso não quer dizer que os reformados são muito numerosos, comparados com pentecostais e arminianos, por exemplo. O que eu quero dizer é que os relativamente poucos reformados têm experimentado um crescimento que já chama a atenção de muitas denominações e tem provocado alertas da parte de seus líderes.


A ressurgência calvinista nos Estados Unidos não está ocorrendo somente entre os Batistas, mas entre muitas outras denominações. Um dos motores é o ministério de pastores reformados populares, como John Piper, R. C. Sproul, Mark Driscoll, J. C. Mahaney, Paul Washer , Tim Keller, Kevin DeYoung e John MacArthur, entre outros. Os eventos promovidos por eles recebem milhares de pastores de todas as denominações e seus livros são traduzidos em dezenas de línguas, inclusive em português. No Brasil temos quase todos os títulos destes autores.

Mas, o interesse maior na fé reformada no Brasil parece ser da parte dos pentecostais. Cresce a presença de pastores e líderes pentecostais nos grandes eventos reformados no Brasil. Cresce também o número de pentecostais que estão adquirindo literatura reformada. E cresce o número de igrejas pentecostais independentes que estão nascendo já com uma teologia influenciada pelo calvinismo. Algumas denominações pentecostais também vêm recebendo a influência calvinista a passos largos. 

O ministério de editoras que publicam material reformado, como a Editora Cultura Cristã, a Editora Fiel e a Publicações Evangélicas Selecionadas, por exemplo, tem servido para colocar as obras de reformados brasileiros e internacionais nas mãos dos evangélicos brasileiros ávidos por uma teologia consistente, e cansados dos excessos do neopentecostalismo e da aridez do liberalismo teológico.

Não tenho uma explicação definitiva para esse fenômeno do retorno da TULIP. No mínimo, é curioso que uma fé tão perseguida e odiada como o calvinismo, de repente, passe a ter mais aceitação. Poucos, na história da Igreja, foram tão mal entendidos, distorcidos, vilipendiados, odiados e amaldiçoados quanto João Calvino. Chamado de tirano, déspota, incendiário de hereges, frio, duro, determinista, criador do capitalismo selvagem, Calvino tem sofrido mil mortes nas mãos de seus detratores, os quais, na maioria das vezes, nunca leram sequer uma de suas obras, e que formaram sua opinião lendo obras de críticos.

Somente espero que, à medida que o movimento cresce no Brasil, os reformados aprendam a reter o que é essencial e bíblico na Reforma, sem tornar em matéria de fé aquilo que pertenceu a séculos passados em outras culturas, como, infelizmente, já tem acontecido no Brasil com alguns grupos. Que eles lembrem que a fé bíblica, que é a fé da Reforma, também pode se expressar dentro da rica e variada cultura brasileira.


Pr. Augustus Nicodemus

Postado em uma rede social

domingo, 16 de junho de 2013

Pastor Augustus explica se evangélicos podem ou não participar de Festas Juninas


O pastor presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes publicou em seu blog, O Tempora! O Mores!, um artigo no qual fala sobre a participação de evangélicos em festas juninas. Este é um questionamento que é sempre levantado nas igrejas evangélicas nesse período do ano.

O pastor explica que tal festa celebra o nascimento de João Batista, que virou um dos santos católicos, e que os costumes da festa misturam elementos herdados de culturas pagãs e outros criados pela Igreja Católica.

Respondendo à constante pergunta sobre evangélicos poderem ou não participar dessas festividades, o pastor afirma que a festa junina já não tem mais caráter religioso, e que já fazem parte da cultura popular do país.

- Acontece que as festas juninas foram absorvidas em grande parte pela cultura brasileira de maneira que em muitos lugares já perdeu o caráter de festa religiosa. Para muitos, é apenas uma festa onde se acendem fogueiras, come-se milho preparado de diferentes maneiras e soltam-se fogos de artifício, sem menção do santo, e sem orações ou rezas feitas a ele – afirmou.

Em seu texto, Nicodemus compara a situação dos evangélicos de hoje à da igreja de Corinto em relação aos festivais pagãos que aconteciam em sua cidade. Tendo como exemplo o conselho de Paulo àquele povo, o pastor afirma que o cristão pode sim participar desse tipo de festividades, desde que não se coloquem em culto idólatra e nem cause escândalo.

- O crente não deveria ir ao templo pagão para estas festas e ali comer carne, pois isto configuraria culto e portanto, idolatria (1Cor 10:19-23). Na mesma linha, eu creio que os crentes não devem ir às igrejas católicas ou a qualquer outro lugar onde haverá oração, rezas, missas e invocação do São João, pois isto implicaria em culto idólatra e falso – ensina.

“Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou irritaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele? Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” (1Coríntios 10:19-23)

- Fazendo uma aplicação para nosso caso, se convidado para ir à casa de um amigo católico neste dia para comer milho, etc., ele poderia ir, desde que não houvesse atos religiosos e desde que ninguém ali ficasse escandalizado – explica Nicodemus.

Extraído do Site Gospelmais

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Cristão pode celebrar o natal?


Na TV Mackenzie, o programa "Academia em Debate" traz um especial de Natal onde o Rev. Augustus Nicodemus trata dos seguintes assuntos:

- Jesus realmente existiu? 

- Onde ele viveu dos 12 aos 30 anos? 
- Podemos celebrar o natal? 
- Qual o sentido do Natal? 



Veja agora:


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Onde estão os Finados?

Eu sei que a resposta óbvia é "enterrados no cemitério", mas eu me refiro à alma dos finados. A resposta bíblica pode ser resumida em alguns pontos, que não pretendem ser exaustivos, mas que representam o pensamento evangélico histórico e reformado sobre o que acontece após a morte.


  • Imediatamente após a morte, as almas dos homens voltam a Deus. Seus corpos permanecem na terra, onde são destruídos.

  • As almas dos finados não caem em um estado de sono ou de inconsciência após a morte.  

  • As almas dos salvos em Cristo Jesus entram em um estado de perfeita santidade e alegria, na presença de Deus, e reinam com Cristo, enquanto aguardam a ressurreição de seus corpos.  

  • Esta felicidade não é impedida pela memória de suas vidas na terra, uma vez que agora eles consideram tudo à luz de perfeita vontade de Deus e do Seu plano perfeito.  

  • Sua felicidade e salvação são somente pela graça de Deus.  

  • Eles não têm poder de interceder pelos vivos ou tornar-se mediadores entre eles e Deus.  

  • As almas dos perdidos não são destruídas após a morte, mas entram em um estado de sofrimento consciente e de escuridão, tirados da presença de Deus, enquanto esperam o dia do julgamento.  

  • Não há outros estados além destes dois após a morte. Não há qualquer base bíblica para a doutrina do purgatório e nem da reencarnação. 

  • Nem as almas dos salvos nem as dos perdidos podem voltar para a terra dos vivos após a morte. Todos os fenômenos considerados como a ação de almas desencarnadas devem ser atribuídos à imaginação humana ou à ação de demônios.

A realidade da morte e da sobrevivência da alma deveria nos lembrar sempre das palavras de Jesus: "De que adiante ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mateus 16:26)"



sábado, 22 de outubro de 2011

O Dia do Senhor - Sábado ou Domingo?

Algumas mudanças aconteceram no início da fase da igreja cristã, no século primeiro (NT), e entre elas foi a mudança da guarda do sábado para o Dia do Senhor. Não podemos esquecer que o culto a Deus prestado publicamente pelo seu povo, sempre foi o mesmo, quer no AT, quer no NT. Deus sempre teve um povo por Ele chamado e convocado para adorá-lo publicamente, proclamar as suas virtudes, declarar ao mundo a confiança e a fé nEle, culto ou reunião que Ele era servido espiritualmente através de vários exercícios (orações, cânticos, louvores, leitura da Sua palavra, instrução ao povo, tanto no antigo testamento como no novo, o culto foi e é essencialmente o mesmo. É um encontro com Deus redentor, o criador de todas as coisas, o Deus a quem nós nos submetemos.

O que garante essa identidade do culto do antigo com o novo testamento é a aliança que Deus fez com seu povo. É a mesma aliança que foi feita com Abrãao, Isaac e Jacó, e que nós temos a aliança ratificada em Cristo Jesus. Mesmo povo, mesma aliança, mesmo culto, mesmo caminho de salvação. No antigo testamento as pessoas eram salvas exatamente como nós somos hoje, pela fé no Messias que havia de vir, e hoje nós somos salvos pela fé no Messias que veio. Em ambos os casos, tanto eles como nós, é pela fé e pela graça, nunca foi por obras, nunca foi pela lei, sempre foi da mesma maneira. A igreja cristã é a continuação espiritual do Israel de Deus. Nessa unidade existe uma diversidade, ou seja, no antigo testamento, antes da vinda de Cristo, esse culto era feito de maneira diferente, pois nele continha determinados elementos, determinadas formas, e algumas manifestações particularmente externas, que eram diferentes porque elas eram típicas, eram sombras, eram figuras das realidades que haveriam de vir. É por isso que no antigo testamento havia um culto mais elaborado, um lugar fixo de adoração, havia todo um sistema de sacrifício, havia uma classe de homens, uma elite espiritual chamado de Sacerdotes juntamente com os Levitas para ajudá-los, que ministravam constantemente no templo, as regulamentações referentes as orações, as ofertas foram feitas de maneira minuciosa, e tudo aquilo era típico, era simbólico, todas estas coisas apontavam para Cristo. No antigo testamento você tem a sombra, tem a figura, tem o tipo, apontando para o Senhor Jesus, e nós vivemos no período em que Ele já veio que portanto, completou, cumpriu, terminou estes aspectos do culto no antigo testamento.

Embora o culto em essência seja o mesmo, ele foi administrado de maneiras diferentes durantes estas duas dispensações. A dispensação do antigo testamento foram símbolos, figuras, formas, ações externas, cerimonial, e no novo testamento é uma liberdade maior, espiritualidade, uma compreensão mais ampla, uma vez em que Jesus já veio e fez a diferença. A vinda dEle, o seu nascimento, a sua morte, sua ressurreição e o dia de Pentecostes marcaram uma diferença na maneira como o povo de Deus oferecia esse culto que sempre foi o mesmo através das eras. E entre as mudanças efetuadas está exatamente essa, com relação ao dia do Senhor, a guarda do sábado.

19 Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. 20 Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. 21 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. 24 Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. (João 4:19-24)

O texto acima, narra o encontro de Jesus com a mulher samaritana, e no meio da conversa é levantada a questão do culto. A mulher sendo uma samaritana, ela adorava a Deus juntamente com os samaritanos no templo que havia no monte Gerezim. E aquele templo foi edificado contra as ordens de Deus, um sacerdócio que era ilegal foi também constituído, isso foi depois que Israel foi levado pro cativeiro, e os babilônicos como tática de guerra trouxeram sua gente para morar em Israel que já estava deserta, fazendo uma espécie de sincretismo, trouxeram seus deuses, misturaram sua religião com a de Israel, e dessa mistura de babilônicos com israelitas, nasceu essa raça mista “samaritanos”, que também tinha um culto misto, um culto eclético, tinham suas próprias escrituras, rejeitavam uma parte do Pentateuco, tinha sua própria ordem sacerdotal, e por isso que os judeus não se davam com os samaritanos, e no encontro de Jesus com essa mulher, naturalmente a questão do culto veio a tona, porque os samaritanos diziam que deles eram o verdadeiro culto a Deus, já os judeus disseram que não, eles é que tinham recebido a verdadeira revelação.

A questão toda começa quando a samaritana pergunta a Jesus (vers. 20), onde se deve adorar a Deus, e Jesus deu uma resposta surpreendente até para os judeus (vers. 21-22), onde Ele deslocaliza, dizendo que não haverá mais local santo, não haverá mais um local único, destacado, exclusivo para o culto a Deus, nem lá em Samaria, nem lá em Jerusalém. Quando meche o templo, meche no dia, porque a reunião maior deles era nos sábados no templo, meche na ordem dos sacerdotes, meche no processo dos sacrifícios, então aqui está a profecia de Jesus de que uma mudança radical estaria para acontecer no culto que era prestado a Deus. Jesus diz (vers. 23) que já chegou a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão a Deus em espírito e em verdade. Jesus introduz o conceito de que uma mudança profunda estaria para acontecer no culto prestado a Deus. Estas mudanças de fato vieram a acontecer, onde destacarei algumas delas, que foram efetivadas por Cristo e pelos apóstolos:

1ª. Templo (local de adoração) – O culto no antigo testamento só podia realizar-se no templo. Culto público a Deus onde Ele sempre escolhia locais específicos para revelar-se (Dt 12:5 e 11, Dt 15:20, Moisés diz ao povo de Deus, quando vocês entrarem na terra prometida, não vão adorar a Deus em qualquer lugar, mas Deus vai designar locais de adoração, orientando para impedir que o povo se misturasse com as religiões dos povos que já habitavam naquela terra, e que adoravam em locais que estavam relacionados com suas divindades). Eles já tinham mais ou menos uma idéia que seria assim, porque durante os 40 anos de peregrinação que fizeram no deserto, adoravam a Deus no tabernáculo. Deus havia mandado fazer um tabernáculo, uma tenda especial, com medidas especiais, que acompanhavam o povo, e onde o tabernáculo parava, e era edificado, erigido, instalado e ali o povo adorava a Deus, não podiam sacrificar animais em outro local a não ser no tabernáculo pelo sacerdote, pelos levitas, todo ritual seria feito, ligado ao local onde estava o tabernáculo, ou em nenhum outro lugar. Quando eles entraram na terra prometida, que Deus havia dito, coube a Salomão seguindo a Davi, erigiu o templo segundo as ordens de Deus, onde havia a arca, sacrifícios, dízimos eram trazidos, as ofertas, as consagrações, toda religião de Israel concentrava-se naquele templo construído em Jerusalém, por ordem de Davi, e pelo esforço de Salomão. Quando Jesus veio, Ele teve uma atitude para com o templo que chocou a muitos, por um lado Ele mostrou um grande respeito pelo templo, quando entrou e purificou expelindo do templo os vendedores ambulantes, os aproveitadores, (Jo 2:17-23) dizendo “a casa de meu Pai é casa de oração”, mostrando reverência pelo templo de Salomão. Porém, Ele falou de um outro templo que seria erguido após a sua ressurreição substituindo aquele templo construído por Salomão (Jo 2:18-22), “se vocês destruírem este templo, ele será reconstruído depois de três dias e não por mãos humanas...”, e todos pensavam que Ele estava falando do templo de Salomão. Mas na verdade Ele estava se referindo ao símbolo de Seu corpo, a queda do templo era o símbolo de Sua morte, e sua reconstrução em três dias depois simbolizava Sua ressurreição, portanto, Jesus já ensinava que o templo era simbólico, era típico, apontava para uma outra realidade. Os discípulos entenderam que o culto a Deus não era mais para ser num único local santo, exclusivo, pois nas cartas que Paulo escreveu, ele diz que a igreja está unida ao Cristo vivo, e onde ela está reunida, eis aí o templo de Deus. A igreja agora é o ajuntamento dos crentes (na cidade, na praia, no campo, nas cavernas, na catacumba, onde o povo de Deus ali convocá-lo e estiver presente para cultuá-lo, ali está o templo de Deus. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo (1Co 3:16-17). Paulo exortava ao povo da igreja quando não havia templos, pois os templos cristãos só começaram a ser construídos a partir do século IV, quando o cristianismo passou a ser aceita legal, e posteriormente a religião oficial do império romano. Daí, os cristão saíram das casas, das catacumbas e construíram as primeiras grandes edificações onde se reuniam regularmente.  Não há mais um local santo, exclusivo de adoração a Deus.

É um erro grande quando nos reunimos no templo, e identificamos essa construção como sendo o templo do antigo testamento, chamamos púlpito de altar, chamamos cantores de levitas, chamamos pastores de sacerdotes, queremos reativar uma coisa que Cristo aboliu, e estas coisas eram partes do culto do antigo testamento, coisas simbólicas, que apontavam para Jesus, a nossa união mística com Ele, e agora a igreja não está presa a local nenhum.

2ª. Sacrifícios – No templo do antigo testamento se faziam sacrifícios de animais. Eram quatro tipos de ofertas que eram oferecidas pelo povo de Israel. O israelita trazia um cordeiro (Lv 1, 6:8-15), boi ou bezerro, macho, sem defeito, de preferência o primogênito, para oferecer a Deus, e ao queimar o animal, o cheiro da carne e gordura queimada, era dita que subia como aroma agradável a Deus. Tinha também o sacrifício, onde o ofertante comia da oferta daquele animal que era queimado na presença de Deus (Lv 3, 7:11-14). Em terceiro lugar, tinha as ofertas pelo pecado cometido pelo ofertante (Lv 4, 6), onde ele estava consciente que havia pecado, e para ser perdoado sacrificava o animal pelo sacerdote. E as ofertas de manjares (Lv 2, 6:14-18), de cereais, especificados da colheitas que era recolhida pelo ofertante. Na vinda de Jesus, (Jo 1:29) João Batista viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. O sacrifício de Jesus foi único, perfeito, completo, eficaz e suficiente, que não pode ser repetido. Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus (Hb 10:12). Os sacrifícios que nós devemos fazer é, Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me (Lc 9:23). Referindo-se ao culto racional, “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2)”. “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome (Hb 13:15)”. Temos que oferecer corações que entoam os louvores de Deus. O cristão agora se gloria no sacrifício de Cristo.

3ª. Sacerdote – No antigo testamento o sacerdote era a figura mais importante, onde eles tinham uma função importantíssima, que era de oferecer os sacrifícios a Deus, imolavam os animais, de acordo com as regras estabelecidas por Moisés, e intercediam em favor do povo, pedindo a Deus o perdão, com auxílio dos levitas. Os levitas eram os porteiros que cuidavam do templo, quando terminavam os sacrifícios, eles iam limpar animal, limpar o local do sacrifício, limpar o fogão, limpar o altar, e quando tinha tempo eles iam tocar e cantar. Engraçado é que hoje tem gente que se diz ser levita só porque canta ou toca um instrumento musical, onde no AT, cantar ou tocar era uma fração do trabalho dele. Na vinda de Jesus todas estas coisas foram abolidas. Ele reuniu em Si, todas as funções do sumo sacerdote e dos sacerdotes do antigo testamento. Porque somente Ele satisfaz as condições divinas e humanas, e pra isso Ele tornou-se o único mediador, intercessor entre Deus e os homens (1Tm 2:5, Hb 2:17, Hb 7:25-28, Ap 1:6, 1Pe 2:9). No novo testamento, por virtude da união com Cristo, todos os cristãos são na verdade sacerdotes, porque todos eles podem participar da ceia do Senhor, todos eles podem interceder (1Tm 2:1), eles ministram mutuamente (uns aos outros), portanto, cada cristão faz a mesma coisa, não há mais um sacerdote (clero), pastor também não é sacerdote, a oração do pastor não é mais forte do que a ovelha, pois o mediador é o mesmo. Ficando livre o acesso a Deus mediante Jesus Cristo.

4ª. Dia do Senhor – Caiu o templo, caiu o sacrifício, caiu o sacerdócio, e ficou a questão do dia, porque tudo isso era feito no sábado. O culto no antigo testamento tinha tempos e épocas determinados por Deus. Tinha o sábado como o 4º mandamento, dia em que grande parte desse culto era realizado, e haviam várias festas anuais, havia a festa da páscoa, havia a festa do Tabernáculo, havia a festa de Pentecostes, havia festa de dedicação, fora isso tinha o ano do Jubileu, tinha dias santos como Lua Nova, e as orações eram prescritas três vezes por dia em determinados horários, podia-se orar em todo lugar, mas especialmente três vezes ao dia no templo, ou voltado para o templo, como fez Daniel na babilônia. Quando Jesus veio, ele se opôs a tudo isso, não à lei de Deus, mas a maneira como o judaísmo da sua época havia tomado aquelas leis e sacramentado, cristalizado, calcificado num legalismo absurdo. E de propósito, Ele saiu quebrando aquelas tradições humanas que foram construídas em cima da lei de Deus. Deixou os fariseus furiosos por: comer espigas de milho num dia de sábado (Mt 12:1-4), curou um homem com a mão mirrada num dia de sábado (Mc 3:1-5), curou uma mulher curvada (escrava de satanás durantes muitos anos) num dia de sábado (Lc 3:10-17), curou um homem hidrópico e inchado num dia de sábado (Lc 14:1-6), curou um paralítico num dia de sábado (Jo 5:1-18), curou o cego no tanque de Siloé num dia de sábado (Jo 9:1-41). Porque que Jesus fez isso? Porque o judaísmo da sua época, havia transformado a guarda do sábado, colocando regras e mais regras em cima das regras que Moisés havia dado para a guarda do sábado. Estipulavam o quanto a pessoa podia andar naquele dia, o peso que a pessoa podia carregar naquele dia, regras minuciosas a ponto de perder de vista o propósito do mandamento. Jesus veio e afrontou essa interpretação legalista da guarda do sábado nos seus dias. Como a igreja via essa questão da guarda do sábado? Na verdade, o cristianismo santificou todos os dias da semana, e ocasiões como sendo tempo de culto, e eliminou dias santos. A igreja cristã não celebra a páscoa, mas a Ceia do Senhor. Não celebramos Pentecostes, Tabernáculo, pois estas festas faziam parte da dispensação do calendário judaico que era típico das realidades espirituais.

Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco (Gl 4:8-11). Paulo diz que isso são coisas antigas, estão voltando à escravidão, que fazia parte do tipo de culto da antiga aliança, não é mais da nossa época. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo (Cl 2:16-17).
Ilustração de Paulo aos Colossensses: Suponha que há uma luz forte atrás de mim, e alguém se próxima por trás de mim, mas não estou vendo a pessoa, qual a primeira coisa que eu vejo da pessoa? A Sombra da pessoa. Na sombra, pelo contorno não dá pra ver a face, não dá pra ver os olhos, não dá pra saber se é homem ou mulher, mas quando o corpo que projeta a sombra chega e vejo o corpo, estou o vendo face a face, eu não preciso mais da sombra, porque estou vendo o corpo. Logo, comida, bebida, dia de festas, lua nova ou sábado, isso era sombra, era Cristo que estava vindo no antigo testamento. E a sombra dEle estava projetada no antigo testamento. Quando Ele chegou, eu não preciso mais, porque agora Ele está presente, e aqueles simbolismos eram sombra. Tudo isso é misticismo, tudo isso apontava a chegada do Senhor Jesus.

Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus (Rm 14:1-6). Paulo diz aos cristãos judeus que estavam insistindo ainda em guardar o calendário judaico, e chama-os de débil na fé. Tem que ser respeitados, mas são débeis ou fracos na fé! Ficando claro no novo testamento que embora os cristãos tenham abolido o calendário judaico, particularmente o sábado como dia do Senhor específico. Há sinais claros na bíblia de que eles passaram a considerar o dia da ressurreição de Cristo como sendo o dia em que caracterizava para os cristãos o Dia do Senhor, dia em que eles se reuniam para cultuar a Deus. O dia em que Cristo ressuscitou passou a ser para os cristãos, aquilo que o sábado era para os Judeus, embora não observar aquela rigidez com determinações dos judeus fariseus, abusando da lei do quarto mandamento.
Era natural que isso acontecesse, porque para os primeiros cristãos, a lei moral de Deus não foi abolida por Jesus, na verdade, continua tendo o propósito que sempre teve, mostrar Santidade de Deus, mostrar o Seu caráter, e dizer de que maneira nós podemos agradar a Deus.

Senhor, de que maneira te agradeço por me salvar pela graça? Não farás para ti imagem de escultura, honra teu pai e tua mãe, lembra-te do dia de sábado para O santificar. Os cristãos naturalmente transferiram, passaram o sábado para o domingo pelas seguintes evidências: a ressurreição de Cristo no domingo (Mc 16:9), e no mesmo dia aparece aos seus discípulos (Jo 20:19), e no outro domingo, oito dias depois estavam os seus discípulos e Jesus apresentou-se no meio que disse: Paz seja convosco (Jo 20:26). Tudo isso sugere que, a ressurreição de Cristo foi o evento que aboliu o templo, aboliu os sacrifícios, aboliu os sacerdócio, e introduz agora o sentido da guarda do sábado que simbolizava o descanso espiritual, e que na ressurreição de Cristo nos traz o descanso eterno, a vitória, a vida eterna. Com a ressurreição de Cristo no domingo, mudou-se o foco dos discípulos, a partir daí eles entenderam que a questão de guardar o sábado era símbolo, era sombra, com muita naturalidade passa a ser o dia da ressurreição de Cristo, que é o cumprimento, o alvo, o propósito do mandamento do sábado, passando a reunir-se no domingo.

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite (At 20:7). Reuniram-se no primeiro dia para partir o “pão”, e a essa altura, as igrejas cristãs já se reuniam no domingo com o objetivo de celebrar a ceia, não tem nada no novo testamento dizendo que os cristãos continuaram a reunir-se no sábado. Outra evidência foi quando Paulo disse: No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar  (1Co 16:2).
E para finalizar, quando João estava na ilha de Pátmos, teve a revelação no Dia do Senhor (é utilizada apenas uma vez no novo testamento e exatamente em Ap 1:10), em grego kuriakos (Kυριακη) que significa "que pertence ao SENHOR". Kuriakios, esse termo não foi inventado por João, pois foi tirado do vocabulário da sua época. Originalmente, esta palavra era usada com o sentido imperial, como algo que pertencia ao César romano. Kyriakos é uma forma adjetivada da palavra KurioV (Kýrios – Senhor) e significa literal e exatamente: “que diz respeito ao Senhor”; “concernente ao Senhor”; “pertencente ao Senhor”; “senhorial”, ou “dominical”, e não “do Senhor”, como lemos em algumas das nossas traduções. Os cristãos consideravam como Senhor, não César o imperador, mas Jesus, e utilizaram essa expressão para se referir o dia da ressurreição dEle. Kuriakios, o Dia em que o Senhor ressuscitou (termo utilizado também em 1Co 11:20). Então, quando Apocalipse é escrito o “domingo”, dia do Senhor já era um termo técnico teológico, para se referir ao domingo, e não ao sábado, porque os cristãos mui naturalmente com todas estas mudanças, passaram a celebrar o culto público a Deus no domingo, dia da ressurreição, dia do Senhor, dia em que introduz a nossa redenção, a nossa salvação, prenúncio da nova era, descanso eterno.
Usai o domingo como o Dia do Senhor, pois tem raízes profundamente bíblicas, as sombras já se foram, o corpo já veio e o vemos em plena luz, e na ressurreição terminou com templos, sacrifícios, sacerdócios, a lei cerimonial, e nos introduz ao culto espiritual de livre acesso a Deus, pela Sua mediação, onde todos nós podemos ministrar e servir ao Senhor.
Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele. (Sl 118.24)
Que neste Dia, possamos aproveitá-lo, e desfrutar de toda Sua plenitude, por amor do Teu nome. Bendito seja o nome do Senhor Jesus Cristo!

Neryvan Felipe
Sermão extraído de um áudio do Rev. Augustus Nicodemus - O Dia do Senhor
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Predestinação x Livre Arbítrio

Por Augustus Nicodemus
(Soberania de Deus + Responsabilidade Humana) x Livre Arbítrio.
A junção de dois pensamentos que parecem contradizer um ao outro, que podemos chamar de Antinômio.


Entenda um pouco sobre Calvinismo (Predestinação) x Arminianismo (Livre-arbítrio)


Abaixo, para melhor compreensão, uma tabela comparativa entre os dois sistemas teológicos:
Arminianismo x Calvinismo
Categoria

Arminianismo
Calvinismo
1. Livre-Arbítrio ou Capacidade Humana
1. Incapacidade Total
ou Depravação Total
Depravação Total
Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, por livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento.
(Is 55:7; Mt 25:41-46; Mc 9:47-48; Rm 14:10-12; 2Co 5:10)
O homem natural não pode sequer apreciar as coisas de Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não tomar a iniciativa, infundindo-lhe a fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente. (Sl 51:5; Jr 13:23; Rm 3:10-12; 7:18; 1Co 2:14; Ef 1:3-12; Cl 2:11-13)

Eleição Incondicional
2. Eleição Condicional
2. Eleição Incondicional
Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.
(Dt 30:19; Jo 5:40; 8:24; Ef 1:5-6, 12; 2:10; Tg 1:14; 1Pe 1:2; Ap 3:20; 22:17)
Deus elegeu alguns para a salvação em Cristo, reprovando os demais. Aos eleitos Deus manifesta a Sua misericórdia e aos reprovados a Sua justiça. Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, nem homens nem anjos decaídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens (reprovando todos os demais) e torná-los filhos adotivos quando eram filhos das trevas. Teve misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais (inclusive os demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é dom de Deus ao homem, não do homem a Deus.
(Ml 1:2-3; Jo 6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At 13:48; Rm 8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef 1:4-5; 2:8-10; 2Ts 2:13; 1Pe 2:8-9; Jd 1:4)

Expiação Limitada
3. Redenção Universal ou Expiação Geral
3. Redenção Particular ou Expiação Limitada
O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, e todos os que crêem, serão salvos.
(Jo 3:16; 12:32; 17:21; 1Jo 2:2; 1Co 15:22; 1Tm 2:3-4; Hb 2:9; 2Pe 3:9; 1Jo 2:2)
Segundo Agostinho, a graça de Deus é "suficiente para todos, eficiente para os eleitos". Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos, porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram.
(Jo 17:6,9,10; At 20:28; Ef 5:15; Tt 3:5)

Graça Irresistível
4. Pode-se Efetivamente Resistir ao Espírito Santo
4. A Vocação Eficaz do Espírito
ou Graça Irresistível
Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.
(Lc 18:23; 19:41-42; Ef 4:30; 1Ts 5:19)
Embora os homens possam resistir à graça de Deus, ela é, todavia, infalível: acaba convencendo o pecador de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como um rapaz apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acaba casando-se com ele, livremente. Deus age e o crente reage, livremente. Quem se perde tem consciência de que está livremente rejeitando a salvação. Alguns escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão, outros demonstram total indiferença para as coisas sagradas. Todos, porém, agem livremente.
(Jr. 3:3; 5:24; 24:7; Ez 11:19; 20; 36:26-27; 1Co 4:7; 2Co 5:17; Ef 1:19-20; Cl 2:13; Hb 12:2)

Perseverança dos Santos
5. Decair da Graça
5. Perseverança dos Santos
Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo.
(Lc 21:36; Gl 5:4; Hb 6:6; 10:26-27; 2Pe 2:20-22)
Alguns preferem dizer "perseverança do Salvador". Nada há no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e disciplina, na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em pecado, e ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de Deus infundiu-lhe fé em para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação. Poderá até pecar e morrer fisicamente (1Co 5:1-5). Os apóstatas nunca nasceram de novo, jamais se converteram.
(Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp 1:6; 2Ts 3:3; Hb 7:25)

No consenso do povo é crer que Deus traçou um plano para a nossa vida e devemos segui-lo sem o direito da escolha. Em outras palavras – somos autômatos, desempenhando um papel previamente estabelecido por Deus. 


“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória. (Efésios 1:3-14)”


Neryvan Felipe
Para maior entendimento sobre o tema, visite o site:
http://www.monergismo.com/textos/arminianismo/cincopontos_arminianismo.htm