A Verdade é a Base do Verdadeiro Amor Cristão
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quarta-feira, 8 de maio de 2013

O QUE ACONTECE QUANDO UMA IGREJA DEIXA DE PREGAR SOBRE O PECADO?


A doutrina do pecado não tem sido ensinada em boa parte dos púlpitos evangélicos. Lamentavelmente alguns pastores consideram contraproducente falar sobre pecado em seus cultos. Outro dia eu soube de um pastor que chamou a atenção de um de seus líderes que ousou pregar contra o pecado num culto de domingo a noite. Segundo o pastor, o povo brasileiro sofre demais e em virtude disso, as mensagens pregadas precisam conter esperança, fé e ousadia. 

Pois é, a história nos ensina que quando a igreja não prega sobre o pecado ela também deixa de falar do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e as consequências disso são as piores possíveis, senão vejamos:

1- Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado é uma igreja que deixa de anunciar o fato inequívoco que  todos os homens independente da posição social, raça, cor da pele, nacionalidade e cultura, prestarão contas a Deus em virtude dos seus delitos e pecados.

2- Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado é uma igreja que não ensina as consequências de uma vida de transgressões.

3- Uma Igreja que não prega contra e sobre o pecado deixa de anunciar a necessidade de salvação e vida eterna a humanidade caída e separada de Deus.

4- Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado deixa de proclamar a graça, o amor e a misericórdia de um Deus maravilhoso que deu o seu filho unigênito para morrer em nosso lugar na cruz do calvário.

5- Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado abre espaço em suas trincheiras para a infiltração do maldito liberalismo teológico.

6-  Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado contribui com licenciosidade e ausência de temor na congregação.

7- Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado relativiza a Palavra de Deus juntamente com as suas principais doutrinas.

8- Uma  igreja que não prega contra e sobre o pecado,  Cristo deixa de ser Rei e Salvador  transformando-se num mero galardoador daqueles que dele se aproximam.

9- Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado contribui para que os valores deste  mundo prevalecem sobre ela.

10- Uma igreja que não prega contra e sobre o pecado permite que há frieza espiritual adoeça a sua membresia local.

Prezado amigo, o pecado é a enxada que cava nossas sepulturas. Como muito bem afirmou Hernandes Dias Lopes, o pecado é uma fraude. Promete prazer e paga com o desgosto. Faz propaganda de liberdade, mas escraviza. Levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte. Tem um aroma sedutor, mas ao fim cheira a enxofre. Só os loucos zombam do pecado. O pecado é perverso. Ele é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença. O pecado é pior do que a própria morte.


Pense nisso!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quando os lobos atacam as ovelhas


O apóstolo João, em sua segunda carta, versículos 7 a 11, fala acerca de três perigos que a igreja enfrenta em relação aos falsos mestres e enganadores, que como lobos, espreitam as ovelhas de Cristo. Os falsos mestres sempre existiram e sempre procuraram se infiltrar no meio do rebanho para atacar as ovelhas. Esses enganadores negam, por exemplo, as verdades essenciais da fé cristã, como a encarnação de Cristo e sua morte vicária na cruz. Eles têm o mesmo espírito do anticristo e vêm para preparar seu caminho (2João 7). Esses lobos nem sempre colocam as unhas de fora. Na maioria das vezes, travestem-se de ovelhas para entrar no aprisco e devorá-las. Que cautela a igreja precisa ter? Quais são os perigos que precisamos evitar para não sermos atacados por essa alcateia de lobos?

1. O perigo de tornar atrás (2João 8) - João alerta aos crentes para ficarem atentos a fim de não retrocederem e não perderem aquilo que foi realizado com esforço pelos verdadeiros obreiros de Deus. Quem retrocede na fé, quem escuta a voz dos falsos mestres e quem se afasta da igreja do Deus vivo para dar ouvidos às heresias perniciosas dos falsos mestres rifa sua própria alma no balcão do engano. O apóstolo João recomenda cautela, pois os falsos mestres não se apresentam como tal. Eles vêm com voz suave. São simpáticos, atraentes, bons comunicadores. Parecem sempre estar na frente, trazendo revelações novas e espetaculares. Mas, sorrateiramente ou mesmo explicitamente negam as verdades fundamentais da fé cristã e desconstroem os pilares do cristianismo. Seguir esses aventureiros é desviar-se da fé, é mergulhar na escuridão da mentira de Satanás e colocar os pés no caminho largo que conduz à perdição.

2. O perigo de ir além (2João 9) - Os falsos mestres sempre ficam aquém das Escrituras ou vão além delas. Eles ultrapassam a doutrina de Cristo. Não têm a Palavra de Deus como única regra de fé e prática. Acrescentam à Bíblia alguma nova revelação. Ao fazerem isso, negam a veracidade e a suficiência das Escrituras. Negam também a Pessoa e a obra perfeita e completa de Cristo. Negam a salvação pela graça e introduzem mentiras perniciosas, fazendo-as passar pela última verdade a que todos os homens devem se render. O apóstolo Paulo já havia alertado aos crentes da Galácia que ainda que um anjo de Deus viesse do céu para pregar outro evangelho, além daquele que foi pregado, deveria ser rejeitado veementemente. Só há um evangelho. Só há uma mensagem salvadora. Buscar outros caminhos, outras fontes e outras revelações é cair num abismo trevoso, é desviar-se da verdade, é apostatar-se da fé.

3. O perigo de ir junto (2João 10,11) - O apóstolo João é enfático em dizer que não podemos receber em nossa casa aqueles que trazem em sua bagagem a falsa doutrina, aqueles que negam nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador e Senhor. Não podemos dar as boas vindas a esses lobos travestidos de ovelhas, pois fazer isso é tornar-se cúmplice de suas obras más. Os falsos mestres são incansáveis em sua jornada de morte. Eles são itinerantes. Batem de porta em porta e buscam sempre uma oportunidade para enredar alguém com sua astúcia. A única forma de mantermos esses lobos fora do aprisco, longe das ovelhas e distante da nossa casa é firmarmo-nos na verdade. Sem o conhecimento das Escrituras, não teremos discernimento necessário para distinguir entre o lobo e a ovelha, entre a verdade e a mentira, entre o verdadeiro evangelho e o falso evangelho. Nesse tempo em que a sociedade organizada, por meio de suas mais respeitadas instituições, conspiram contra os valores espirituais e morais que devem reger a família. Nesse tempo em que florescem como cogumelo novas seitas bem como novas igrejas introduzindo novidades estranhas às Escrituras, arrebatando multidões aos seus redutos, precisamos nos acautelar e dar ouvidos à exortação do apóstolo João: Não torne atrás! Não vá além da doutrina! Não caminhe junto com os falsos mestres!

Examinai as escrituras!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fazei tudo para glória de Deus


Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem. Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência. Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude. E, se algum dos infiéis vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem nada perguntar, por causa da consciência. Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude. Digo, porém, a consciência, não a tua, mas a do outro. Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem? E, se eu com graça participo, por que sou blasfemado naquilo por que dou graças? Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. (1Co 10:23-31)


É necessário fazer a pergunta sobre a nossa vida para com Deus, sobre a nossa prática cristã. Se de fato nós vivemos para glória de Deus, e essa é uma preocupação que devemos ter. A nossa vida corresponde aquilo que a bíblia nos diz, que deve ser a conduta cristã diante de toda e qualquer decisão.

Nós precisamos entender que vida cristã não é simplesmente uma profissão de fé, vida cristã não é portar uma bíblia e vir ao culto, vida cristã não é simplesmente anunciar o evangelho as pessoas lá fora. Todas essas coisas são muito importantes, mas vida cristã é de fato um novo estilo de vida, é nascer para viver para glória de alguém que você crê (Jesus) e que normatiza a conduta de sua vida, é nascer de novo para uma vida com Deus, e essa vida com Deus cobra do cristão uma postura de santidade, cobra do cristão no nível acima e muito acima daquilo que vivia outrora, porque antes era escravo do pecado, rendido ao pecado, com decisões tomadas com vistas ao pecado.

No contexto acima citado, originou-se quando Paulo replicava à igreja de Corinto, igreja que ele havia fundado por volta do ano 55-57 d.C, sendo pastor da igreja, e fazendo algumas viagens não estava muito presente na igreja. Por não está muitas vezes presente, heresias e práticas que eram pagãs eram introduzidas na igreja, mesmo sendo Paulo o pastor da mesma. No retorno de Paulo a igreja, ele encontrava muitas contradições, daí surgiram muitos questionamentos, e a igreja pergunta a Paulo sobre casamento, sobre litígio público entre irmãos, sobre a carne sacrificada aos ídolos, e sobre dons espirituais dados a igreja. Então nesse contexto, Paulo está respondendo a pergunta feita pela igreja que era a seguinte: Paulo, nós vivemos numa situação onde a prática pagã é terrível, porque em Corinto se adorava entre outros deuses a deusa Afrodite, a deusa do amor (da sensualidade, da depravação moral), mas como os gregos confundiam amor com sexo, eles queriam saber sobre aquela carne que era vendida no açougue no dia posterior à adoração a Afrodite, onde havia sacerdotisas que se prostituiam, relacionavam-se com aqueles que iam para o templo para adorar a deusa do amor praticando sexo, pois para eles sexo era uma forma de adoração a deusa, e aquela carne que era oferecida nos bacanais, eram levadas ao mercado. Então eles queriam saber se podia comer da carne que era vendida no mercado, posteriormente oferecida ao culto a Afrodite, pois eles sabiam de onde vinha a carne, mas queriam saber se podia ou não.

Contudo, Paulo começa a responder à igreja, “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm” (1Co 10:23), então a primeira pergunta que a igreja devia fazer antes de comer a carne era, convêm? Antes de fazer qualquer coisa, antes de tomar qualquer decisão, convêm ao crente fazer isso? Então eles respondiam com um ditado “todas as coisas me são lícitas”, e Paulo responde novamente a igreja, “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam”. Diante de todas as decisões que vou tomar isso me edifica? Aquilo que você vai fazer, vai lhe edificar? Paulo também fala que se algum dos infiéis lhe convidar para comer, comei de tudo sem nada perguntar, mas se lhes disser que foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa da consciência dele, porque tudo é do Senhor. Porque há de ser julgada minha liberdade pela consciência alheia? Ou seja, a prática, a decisão, a atitude do crente escandaliza alguém? E Paulo conclui dizendo, “porque que vou ser envergonhado por aquilo que dou graças?” Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Em tudo o que faço ou irei fazer glorifica a Deus? Toda motivação do cristão deve ser glorificar a Deus em todo e qualquer procedimento. É o maior motivador que devemos ter. Paulo contrapõe o sentido do entendimento que até se tinha da lei, da regra, porque a igreja pergunta a Paulo não querendo princípios, mas querendo regras, seria muito mais fácil viver por regras do que por princípios. O que Paulo quis dizer é que o mais importante é o que motiva o coração do cristão, pois Deus observa o motivador antes da prática. Um exemplo: Os fariseus jejuavam, davam dízimo, oravam, iam para a sinagoga, faziam discursos nas praças, visitavam as viúvas, mas mesmo assim Jesus os condenou, pois é possível pecar fazendo a coisa certa, mas o motivador dos fariseus estava equivocado, eles faziam tudo aquilo o que é certo para serem vistos pelos homens, e Jesus afirmou que os fariseus já receberam seus galardões, o qual seriam os aplausos dos homens, a glória humana.

Porém, a motivação vem antes da prática, vem antes da atitude, pois não adianta fazer algo apenas para mostrar para a igreja ou para o pastor que está fazendo alguma coisa, não adianta ir ao culto pra prestar contas de sua presença e sentar na cadeira e ouvir o sermão. O que te leva a ir para a igreja? Porque você serve a Deus? Porque você professa o cristianismo? Você vive dessa forma, pra quê e pra quem? Onde você anda ou trabalha, você é percebido como um servo de Deus? Como você é em casa, tem sido um bom pai ou filho, marido ou esposa? As palavras que saem de sua boca glorificam a Deus? Se não é para glória de Deus você está pecando! Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. (1Co 10:31). Irmão, você vive para a glória de Deus? Suas atitudes são tomadas com esta perspectiva? Senão você deve rever os seus conceitos, os seus princípios e o que de fato glorifica o Senhor. Deus quer do crente, um coração voltado a Sua adoração, pois santidade começa dentro do coração, no querer, no fazer aquilo que o Senhor quer que façamos, pois isso é ser santo, e ao contrário disso é ser religioso. Aquele crente que é conhecido apenas pelo que não faz, não bebe, não fuma, não usa drogas, não faz isso ou aquilo, uma igreja que é reconhecida pelo que deixou de fazer, mas a igreja que glorifica a Deus deve ser reconhecida pelo que ela faz, que faz tudo para glória de Deus? Qual é o propósito da igreja nesse mundo? Quer comais quer bebais, ou seja, qualquer prática para que o mundo conheça a igreja, seja sal e luz, que glorifique a Deus e seja conhecida por isso. 

Todavia, viver para a glória de Deus só é possível se conhecermos a vontade do Senhor, a Sua Palavra, pois à igreja de Corinto tinha uma deficiência terrível, onde foram dados todos os dons a essa igreja, mas eles valorizavam o que era menor, ou seja, valorizavam apenas os dons miraculosos e desprezavam os dons ministeriais, onde na verdade é o que edificava a igreja.

Portanto, antes de tomar qualquer decisão, veja se realmente convêm, se lhe edifica, e principalmente se glorifica a Deus. A cada dia busque conhecer sempre mais a palavra de Deus, e que o mundo olhe para você e diga: aquele homem vive para a glória de Deus, ou, aquela mulher vive em santidade porque ela teme ao Senhor.

“Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1Co 10:33).

Fazei tudo para glória de Deus!


Neryvan

sábado, 22 de outubro de 2011

O Dia do Senhor - Sábado ou Domingo?

Algumas mudanças aconteceram no início da fase da igreja cristã, no século primeiro (NT), e entre elas foi a mudança da guarda do sábado para o Dia do Senhor. Não podemos esquecer que o culto a Deus prestado publicamente pelo seu povo, sempre foi o mesmo, quer no AT, quer no NT. Deus sempre teve um povo por Ele chamado e convocado para adorá-lo publicamente, proclamar as suas virtudes, declarar ao mundo a confiança e a fé nEle, culto ou reunião que Ele era servido espiritualmente através de vários exercícios (orações, cânticos, louvores, leitura da Sua palavra, instrução ao povo, tanto no antigo testamento como no novo, o culto foi e é essencialmente o mesmo. É um encontro com Deus redentor, o criador de todas as coisas, o Deus a quem nós nos submetemos.

O que garante essa identidade do culto do antigo com o novo testamento é a aliança que Deus fez com seu povo. É a mesma aliança que foi feita com Abrãao, Isaac e Jacó, e que nós temos a aliança ratificada em Cristo Jesus. Mesmo povo, mesma aliança, mesmo culto, mesmo caminho de salvação. No antigo testamento as pessoas eram salvas exatamente como nós somos hoje, pela fé no Messias que havia de vir, e hoje nós somos salvos pela fé no Messias que veio. Em ambos os casos, tanto eles como nós, é pela fé e pela graça, nunca foi por obras, nunca foi pela lei, sempre foi da mesma maneira. A igreja cristã é a continuação espiritual do Israel de Deus. Nessa unidade existe uma diversidade, ou seja, no antigo testamento, antes da vinda de Cristo, esse culto era feito de maneira diferente, pois nele continha determinados elementos, determinadas formas, e algumas manifestações particularmente externas, que eram diferentes porque elas eram típicas, eram sombras, eram figuras das realidades que haveriam de vir. É por isso que no antigo testamento havia um culto mais elaborado, um lugar fixo de adoração, havia todo um sistema de sacrifício, havia uma classe de homens, uma elite espiritual chamado de Sacerdotes juntamente com os Levitas para ajudá-los, que ministravam constantemente no templo, as regulamentações referentes as orações, as ofertas foram feitas de maneira minuciosa, e tudo aquilo era típico, era simbólico, todas estas coisas apontavam para Cristo. No antigo testamento você tem a sombra, tem a figura, tem o tipo, apontando para o Senhor Jesus, e nós vivemos no período em que Ele já veio que portanto, completou, cumpriu, terminou estes aspectos do culto no antigo testamento.

Embora o culto em essência seja o mesmo, ele foi administrado de maneiras diferentes durantes estas duas dispensações. A dispensação do antigo testamento foram símbolos, figuras, formas, ações externas, cerimonial, e no novo testamento é uma liberdade maior, espiritualidade, uma compreensão mais ampla, uma vez em que Jesus já veio e fez a diferença. A vinda dEle, o seu nascimento, a sua morte, sua ressurreição e o dia de Pentecostes marcaram uma diferença na maneira como o povo de Deus oferecia esse culto que sempre foi o mesmo através das eras. E entre as mudanças efetuadas está exatamente essa, com relação ao dia do Senhor, a guarda do sábado.

19 Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. 20 Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. 21 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. 24 Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. (João 4:19-24)

O texto acima, narra o encontro de Jesus com a mulher samaritana, e no meio da conversa é levantada a questão do culto. A mulher sendo uma samaritana, ela adorava a Deus juntamente com os samaritanos no templo que havia no monte Gerezim. E aquele templo foi edificado contra as ordens de Deus, um sacerdócio que era ilegal foi também constituído, isso foi depois que Israel foi levado pro cativeiro, e os babilônicos como tática de guerra trouxeram sua gente para morar em Israel que já estava deserta, fazendo uma espécie de sincretismo, trouxeram seus deuses, misturaram sua religião com a de Israel, e dessa mistura de babilônicos com israelitas, nasceu essa raça mista “samaritanos”, que também tinha um culto misto, um culto eclético, tinham suas próprias escrituras, rejeitavam uma parte do Pentateuco, tinha sua própria ordem sacerdotal, e por isso que os judeus não se davam com os samaritanos, e no encontro de Jesus com essa mulher, naturalmente a questão do culto veio a tona, porque os samaritanos diziam que deles eram o verdadeiro culto a Deus, já os judeus disseram que não, eles é que tinham recebido a verdadeira revelação.

A questão toda começa quando a samaritana pergunta a Jesus (vers. 20), onde se deve adorar a Deus, e Jesus deu uma resposta surpreendente até para os judeus (vers. 21-22), onde Ele deslocaliza, dizendo que não haverá mais local santo, não haverá mais um local único, destacado, exclusivo para o culto a Deus, nem lá em Samaria, nem lá em Jerusalém. Quando meche o templo, meche no dia, porque a reunião maior deles era nos sábados no templo, meche na ordem dos sacerdotes, meche no processo dos sacrifícios, então aqui está a profecia de Jesus de que uma mudança radical estaria para acontecer no culto que era prestado a Deus. Jesus diz (vers. 23) que já chegou a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão a Deus em espírito e em verdade. Jesus introduz o conceito de que uma mudança profunda estaria para acontecer no culto prestado a Deus. Estas mudanças de fato vieram a acontecer, onde destacarei algumas delas, que foram efetivadas por Cristo e pelos apóstolos:

1ª. Templo (local de adoração) – O culto no antigo testamento só podia realizar-se no templo. Culto público a Deus onde Ele sempre escolhia locais específicos para revelar-se (Dt 12:5 e 11, Dt 15:20, Moisés diz ao povo de Deus, quando vocês entrarem na terra prometida, não vão adorar a Deus em qualquer lugar, mas Deus vai designar locais de adoração, orientando para impedir que o povo se misturasse com as religiões dos povos que já habitavam naquela terra, e que adoravam em locais que estavam relacionados com suas divindades). Eles já tinham mais ou menos uma idéia que seria assim, porque durante os 40 anos de peregrinação que fizeram no deserto, adoravam a Deus no tabernáculo. Deus havia mandado fazer um tabernáculo, uma tenda especial, com medidas especiais, que acompanhavam o povo, e onde o tabernáculo parava, e era edificado, erigido, instalado e ali o povo adorava a Deus, não podiam sacrificar animais em outro local a não ser no tabernáculo pelo sacerdote, pelos levitas, todo ritual seria feito, ligado ao local onde estava o tabernáculo, ou em nenhum outro lugar. Quando eles entraram na terra prometida, que Deus havia dito, coube a Salomão seguindo a Davi, erigiu o templo segundo as ordens de Deus, onde havia a arca, sacrifícios, dízimos eram trazidos, as ofertas, as consagrações, toda religião de Israel concentrava-se naquele templo construído em Jerusalém, por ordem de Davi, e pelo esforço de Salomão. Quando Jesus veio, Ele teve uma atitude para com o templo que chocou a muitos, por um lado Ele mostrou um grande respeito pelo templo, quando entrou e purificou expelindo do templo os vendedores ambulantes, os aproveitadores, (Jo 2:17-23) dizendo “a casa de meu Pai é casa de oração”, mostrando reverência pelo templo de Salomão. Porém, Ele falou de um outro templo que seria erguido após a sua ressurreição substituindo aquele templo construído por Salomão (Jo 2:18-22), “se vocês destruírem este templo, ele será reconstruído depois de três dias e não por mãos humanas...”, e todos pensavam que Ele estava falando do templo de Salomão. Mas na verdade Ele estava se referindo ao símbolo de Seu corpo, a queda do templo era o símbolo de Sua morte, e sua reconstrução em três dias depois simbolizava Sua ressurreição, portanto, Jesus já ensinava que o templo era simbólico, era típico, apontava para uma outra realidade. Os discípulos entenderam que o culto a Deus não era mais para ser num único local santo, exclusivo, pois nas cartas que Paulo escreveu, ele diz que a igreja está unida ao Cristo vivo, e onde ela está reunida, eis aí o templo de Deus. A igreja agora é o ajuntamento dos crentes (na cidade, na praia, no campo, nas cavernas, na catacumba, onde o povo de Deus ali convocá-lo e estiver presente para cultuá-lo, ali está o templo de Deus. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo (1Co 3:16-17). Paulo exortava ao povo da igreja quando não havia templos, pois os templos cristãos só começaram a ser construídos a partir do século IV, quando o cristianismo passou a ser aceita legal, e posteriormente a religião oficial do império romano. Daí, os cristão saíram das casas, das catacumbas e construíram as primeiras grandes edificações onde se reuniam regularmente.  Não há mais um local santo, exclusivo de adoração a Deus.

É um erro grande quando nos reunimos no templo, e identificamos essa construção como sendo o templo do antigo testamento, chamamos púlpito de altar, chamamos cantores de levitas, chamamos pastores de sacerdotes, queremos reativar uma coisa que Cristo aboliu, e estas coisas eram partes do culto do antigo testamento, coisas simbólicas, que apontavam para Jesus, a nossa união mística com Ele, e agora a igreja não está presa a local nenhum.

2ª. Sacrifícios – No templo do antigo testamento se faziam sacrifícios de animais. Eram quatro tipos de ofertas que eram oferecidas pelo povo de Israel. O israelita trazia um cordeiro (Lv 1, 6:8-15), boi ou bezerro, macho, sem defeito, de preferência o primogênito, para oferecer a Deus, e ao queimar o animal, o cheiro da carne e gordura queimada, era dita que subia como aroma agradável a Deus. Tinha também o sacrifício, onde o ofertante comia da oferta daquele animal que era queimado na presença de Deus (Lv 3, 7:11-14). Em terceiro lugar, tinha as ofertas pelo pecado cometido pelo ofertante (Lv 4, 6), onde ele estava consciente que havia pecado, e para ser perdoado sacrificava o animal pelo sacerdote. E as ofertas de manjares (Lv 2, 6:14-18), de cereais, especificados da colheitas que era recolhida pelo ofertante. Na vinda de Jesus, (Jo 1:29) João Batista viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. O sacrifício de Jesus foi único, perfeito, completo, eficaz e suficiente, que não pode ser repetido. Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus (Hb 10:12). Os sacrifícios que nós devemos fazer é, Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me (Lc 9:23). Referindo-se ao culto racional, “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2)”. “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome (Hb 13:15)”. Temos que oferecer corações que entoam os louvores de Deus. O cristão agora se gloria no sacrifício de Cristo.

3ª. Sacerdote – No antigo testamento o sacerdote era a figura mais importante, onde eles tinham uma função importantíssima, que era de oferecer os sacrifícios a Deus, imolavam os animais, de acordo com as regras estabelecidas por Moisés, e intercediam em favor do povo, pedindo a Deus o perdão, com auxílio dos levitas. Os levitas eram os porteiros que cuidavam do templo, quando terminavam os sacrifícios, eles iam limpar animal, limpar o local do sacrifício, limpar o fogão, limpar o altar, e quando tinha tempo eles iam tocar e cantar. Engraçado é que hoje tem gente que se diz ser levita só porque canta ou toca um instrumento musical, onde no AT, cantar ou tocar era uma fração do trabalho dele. Na vinda de Jesus todas estas coisas foram abolidas. Ele reuniu em Si, todas as funções do sumo sacerdote e dos sacerdotes do antigo testamento. Porque somente Ele satisfaz as condições divinas e humanas, e pra isso Ele tornou-se o único mediador, intercessor entre Deus e os homens (1Tm 2:5, Hb 2:17, Hb 7:25-28, Ap 1:6, 1Pe 2:9). No novo testamento, por virtude da união com Cristo, todos os cristãos são na verdade sacerdotes, porque todos eles podem participar da ceia do Senhor, todos eles podem interceder (1Tm 2:1), eles ministram mutuamente (uns aos outros), portanto, cada cristão faz a mesma coisa, não há mais um sacerdote (clero), pastor também não é sacerdote, a oração do pastor não é mais forte do que a ovelha, pois o mediador é o mesmo. Ficando livre o acesso a Deus mediante Jesus Cristo.

4ª. Dia do Senhor – Caiu o templo, caiu o sacrifício, caiu o sacerdócio, e ficou a questão do dia, porque tudo isso era feito no sábado. O culto no antigo testamento tinha tempos e épocas determinados por Deus. Tinha o sábado como o 4º mandamento, dia em que grande parte desse culto era realizado, e haviam várias festas anuais, havia a festa da páscoa, havia a festa do Tabernáculo, havia a festa de Pentecostes, havia festa de dedicação, fora isso tinha o ano do Jubileu, tinha dias santos como Lua Nova, e as orações eram prescritas três vezes por dia em determinados horários, podia-se orar em todo lugar, mas especialmente três vezes ao dia no templo, ou voltado para o templo, como fez Daniel na babilônia. Quando Jesus veio, ele se opôs a tudo isso, não à lei de Deus, mas a maneira como o judaísmo da sua época havia tomado aquelas leis e sacramentado, cristalizado, calcificado num legalismo absurdo. E de propósito, Ele saiu quebrando aquelas tradições humanas que foram construídas em cima da lei de Deus. Deixou os fariseus furiosos por: comer espigas de milho num dia de sábado (Mt 12:1-4), curou um homem com a mão mirrada num dia de sábado (Mc 3:1-5), curou uma mulher curvada (escrava de satanás durantes muitos anos) num dia de sábado (Lc 3:10-17), curou um homem hidrópico e inchado num dia de sábado (Lc 14:1-6), curou um paralítico num dia de sábado (Jo 5:1-18), curou o cego no tanque de Siloé num dia de sábado (Jo 9:1-41). Porque que Jesus fez isso? Porque o judaísmo da sua época, havia transformado a guarda do sábado, colocando regras e mais regras em cima das regras que Moisés havia dado para a guarda do sábado. Estipulavam o quanto a pessoa podia andar naquele dia, o peso que a pessoa podia carregar naquele dia, regras minuciosas a ponto de perder de vista o propósito do mandamento. Jesus veio e afrontou essa interpretação legalista da guarda do sábado nos seus dias. Como a igreja via essa questão da guarda do sábado? Na verdade, o cristianismo santificou todos os dias da semana, e ocasiões como sendo tempo de culto, e eliminou dias santos. A igreja cristã não celebra a páscoa, mas a Ceia do Senhor. Não celebramos Pentecostes, Tabernáculo, pois estas festas faziam parte da dispensação do calendário judaico que era típico das realidades espirituais.

Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco (Gl 4:8-11). Paulo diz que isso são coisas antigas, estão voltando à escravidão, que fazia parte do tipo de culto da antiga aliança, não é mais da nossa época. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo (Cl 2:16-17).
Ilustração de Paulo aos Colossensses: Suponha que há uma luz forte atrás de mim, e alguém se próxima por trás de mim, mas não estou vendo a pessoa, qual a primeira coisa que eu vejo da pessoa? A Sombra da pessoa. Na sombra, pelo contorno não dá pra ver a face, não dá pra ver os olhos, não dá pra saber se é homem ou mulher, mas quando o corpo que projeta a sombra chega e vejo o corpo, estou o vendo face a face, eu não preciso mais da sombra, porque estou vendo o corpo. Logo, comida, bebida, dia de festas, lua nova ou sábado, isso era sombra, era Cristo que estava vindo no antigo testamento. E a sombra dEle estava projetada no antigo testamento. Quando Ele chegou, eu não preciso mais, porque agora Ele está presente, e aqueles simbolismos eram sombra. Tudo isso é misticismo, tudo isso apontava a chegada do Senhor Jesus.

Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus (Rm 14:1-6). Paulo diz aos cristãos judeus que estavam insistindo ainda em guardar o calendário judaico, e chama-os de débil na fé. Tem que ser respeitados, mas são débeis ou fracos na fé! Ficando claro no novo testamento que embora os cristãos tenham abolido o calendário judaico, particularmente o sábado como dia do Senhor específico. Há sinais claros na bíblia de que eles passaram a considerar o dia da ressurreição de Cristo como sendo o dia em que caracterizava para os cristãos o Dia do Senhor, dia em que eles se reuniam para cultuar a Deus. O dia em que Cristo ressuscitou passou a ser para os cristãos, aquilo que o sábado era para os Judeus, embora não observar aquela rigidez com determinações dos judeus fariseus, abusando da lei do quarto mandamento.
Era natural que isso acontecesse, porque para os primeiros cristãos, a lei moral de Deus não foi abolida por Jesus, na verdade, continua tendo o propósito que sempre teve, mostrar Santidade de Deus, mostrar o Seu caráter, e dizer de que maneira nós podemos agradar a Deus.

Senhor, de que maneira te agradeço por me salvar pela graça? Não farás para ti imagem de escultura, honra teu pai e tua mãe, lembra-te do dia de sábado para O santificar. Os cristãos naturalmente transferiram, passaram o sábado para o domingo pelas seguintes evidências: a ressurreição de Cristo no domingo (Mc 16:9), e no mesmo dia aparece aos seus discípulos (Jo 20:19), e no outro domingo, oito dias depois estavam os seus discípulos e Jesus apresentou-se no meio que disse: Paz seja convosco (Jo 20:26). Tudo isso sugere que, a ressurreição de Cristo foi o evento que aboliu o templo, aboliu os sacrifícios, aboliu os sacerdócio, e introduz agora o sentido da guarda do sábado que simbolizava o descanso espiritual, e que na ressurreição de Cristo nos traz o descanso eterno, a vitória, a vida eterna. Com a ressurreição de Cristo no domingo, mudou-se o foco dos discípulos, a partir daí eles entenderam que a questão de guardar o sábado era símbolo, era sombra, com muita naturalidade passa a ser o dia da ressurreição de Cristo, que é o cumprimento, o alvo, o propósito do mandamento do sábado, passando a reunir-se no domingo.

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite (At 20:7). Reuniram-se no primeiro dia para partir o “pão”, e a essa altura, as igrejas cristãs já se reuniam no domingo com o objetivo de celebrar a ceia, não tem nada no novo testamento dizendo que os cristãos continuaram a reunir-se no sábado. Outra evidência foi quando Paulo disse: No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar  (1Co 16:2).
E para finalizar, quando João estava na ilha de Pátmos, teve a revelação no Dia do Senhor (é utilizada apenas uma vez no novo testamento e exatamente em Ap 1:10), em grego kuriakos (Kυριακη) que significa "que pertence ao SENHOR". Kuriakios, esse termo não foi inventado por João, pois foi tirado do vocabulário da sua época. Originalmente, esta palavra era usada com o sentido imperial, como algo que pertencia ao César romano. Kyriakos é uma forma adjetivada da palavra KurioV (Kýrios – Senhor) e significa literal e exatamente: “que diz respeito ao Senhor”; “concernente ao Senhor”; “pertencente ao Senhor”; “senhorial”, ou “dominical”, e não “do Senhor”, como lemos em algumas das nossas traduções. Os cristãos consideravam como Senhor, não César o imperador, mas Jesus, e utilizaram essa expressão para se referir o dia da ressurreição dEle. Kuriakios, o Dia em que o Senhor ressuscitou (termo utilizado também em 1Co 11:20). Então, quando Apocalipse é escrito o “domingo”, dia do Senhor já era um termo técnico teológico, para se referir ao domingo, e não ao sábado, porque os cristãos mui naturalmente com todas estas mudanças, passaram a celebrar o culto público a Deus no domingo, dia da ressurreição, dia do Senhor, dia em que introduz a nossa redenção, a nossa salvação, prenúncio da nova era, descanso eterno.
Usai o domingo como o Dia do Senhor, pois tem raízes profundamente bíblicas, as sombras já se foram, o corpo já veio e o vemos em plena luz, e na ressurreição terminou com templos, sacrifícios, sacerdócios, a lei cerimonial, e nos introduz ao culto espiritual de livre acesso a Deus, pela Sua mediação, onde todos nós podemos ministrar e servir ao Senhor.
Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele. (Sl 118.24)
Que neste Dia, possamos aproveitá-lo, e desfrutar de toda Sua plenitude, por amor do Teu nome. Bendito seja o nome do Senhor Jesus Cristo!

Neryvan Felipe
Sermão extraído de um áudio do Rev. Augustus Nicodemus - O Dia do Senhor
Site referência ~ http://monergismo.com/?feed=rss2&tag=sermao-em-audio

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pregações em Áudio de Augustus Nicodemus



Acesse o Site da Escola Teológica Charles Spurgeon e ouça todas as mensagens 
expositivas sendo pregadas pelo Pastor Augustus Nicodemus
e seja bastante edificado pela palavra de Deus.

http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/nav/pregacoes/audio.cshtml?id=24
ou http://t.co/8ZThz5ER

domingo, 11 de setembro de 2011

Deus, a maior necessidade da igreja

E Moisés disse ao SENHOR: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo; e tu disseste: Conheço-te por teu nome, também achaste graça aos meus olhos. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo. Disse pois: Irá a minha presença contigo para te fazer descansar. Então lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra? (Êxodo 33:12-16)

Infelizmente o cenário que temos hoje dentro do contexto da igreja chamada evangélica em nosso país e em muitos outros no mundo, é aquele que ensina com as suas práticas, que a maior necessidade da igreja são as bênçãos de Deus e não o próprio Deus. A pregação dos nossos dias tem feito do homem a medida das coisas e não mais o Senhor. Os homens trocaram Deus pelas bênçãos de Deus, trocaram a glória de Deus pela glória humana, as pessoas querem a bênção e não o Abençoador, querem a salvação e não o Salvador, querem os dons e não o doador. O evangelho moderno ensina que Deus está a serviço do homem e não o homem a serviço de Deus. A verdade é que precisamos desesperadamente da presença de Deus, pois sem ela as nossas vidas serão vazias, o nosso culto sem vida e as nossas mensagens mortas sem a presença de Deus. Não podemos confundir a onipresença de Deus com a presença manifesta de Deus, pois a onipresença nos diz que Deus está em todos os lugares, mas a presença manifesta de Deus nos fala da sua ação, da sua aprovação e da sua direção.

O contexto desta passagem (Ex 33:12-16) é justamente após a punição de Deus ao seu povo como castigo por terem construído um bezerro de ouro para a adoração no deserto, quando Moisés foi ao monte e ali esteve durante quarenta dias recebendo de Deus as tábuas dos dez mandamentos para normatizar o comportamento do seu povo. Como castigo pela idolatria, três mil homens foram mortos dentre aqueles que deixaram a terra do Egito. Depois de interceder pelo povo, no capítulo 33, Moisés ouve de Deus que seu anjo iria adiante do seu povo. No contexto acima fala-nos da oração de Moisés ao Senhor por sua presença, pois Moisés sabia que aquilo que afasta o homem da presença de Deus é o pecado, e foi justamente o pecado que aquele povo havia provocado a ira de Deus. Moisés então roga para que Deus seja com eles, pois entendia que a maior necessidade daquele povo era a presença de Deus.

O que aprendemos nesse contexto:

A presença de Deus entre o seu povo é obra da sua graça [vers. 12-13]

a) Moisés queria atender a vontade de Deus para ele e para o seu povo. Deus havia prometido no vers. 2 que enviaria o seu anjo adiante deles, e também lhes prometeu vitória, porém Moisés queria a presença de Deus e por ela roga. Sabia da importância de ter o anjo de Deus com eles, sabia que seria vitorioso, mas roga a Deus por sua presença. Moisés queria Deus, a presença de Deus. Shekhinah (em hebraico: שכינה - Divina presença).
b) Quando Moisés roga ao Senhor, a base do seu pedido é a graça de Deus. Moisés pede que o Senhor mostre o seu caminho, a sua vontade para que lhe conheça e que também considere a nação de Israel como seu povo. Observemos que Moisés ora a Deus respaldado na palavra de Deus quando lhe disse que este havia achado graça aos seus olhos, e por três vezes Moisés usa o termo graça para falar do seu chamado e também da revelação de Deus a sua pessoa.
c) Moisés sabia que o Senhor era gracioso, e esta graça havia se mostrado na vida do seu povo que foi tirado do Egito de forma sobrenatural, e agora em sua oração, a graça de Deus é lembrada num contexto de perdão e recomeço. Deus havia dito ao seu povo que não iria com ele porque este povo era povo de dura cerviz, mas depois da oração de Moisés Deus promete ir com eles. Observemos que Moisés cria categoricamente na graça de Deus, no seu favor imerecido e que o Senhor lhes podia trazer perdão, restauração, e sobretudo a sua presença.

A nossa maior necessidade é a presença de Deus. Não são as suas bênçãos, não são os seus dons... roguemos ao Senhor que nos faça conhecer a sua vontade, e que sejamos guiados por ela, mas que, sobretudo Ele seja conosco.

A presença de Deus entre o seu povo deve ser o nosso maior anseio [vers. 14-15]

 
 a)Depois da oração de Moisés e sua intercessão pelo povo, Deus promete ir com eles e lhes dar descanso, onde observamos as palavras de Moisés [vers. 15] – “Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui”. Tais palavras de Moisés revelam a sua dependência de Deus e a total necessidade do povo de tê-lo com eles na trajetória do deserto. Para Moisés era melhor não progredir naquele lugar a prosseguir sem a presença de Deus com o seu povo.

b) As palavras de Moisés nos fazem refletir sobre a diferença entre alguém que se sente totalmente dependente de Deus e aqueles que vivem apenas na expectativa da benção do Senhor. Consideremos o comportamento do povo diante de necessidades que se apresentaram na caminhada do deserto. O povo murmurou por pão, murmurou por água, por carne, por causa das lutas contra os inimigos e falavam em retroceder para o Egito diante das dificuldades, porém o que podia fazer Moisés estagnar era a possibilidade de Deus não estar com ele.

c) A igreja tem aprendido a buscar algo de Deus, a constituir para si ídolos em seus corações, e tem esquecido de sua grande necessidade. Recorrendo ao novo testamento, podemos perceber no livro Ap 3 as condições da igreja de Laudicéia, rica materialmente, porém as suas obras mantinham Cristo a porta, fora da igreja que havia perdido justamente a compreensão da necessidade da presença de Deus acima de todas as outras coisas - “Eis que estou à porta, e bato; (Ap 3:20a)”. Aquela igreja era espiritualmente pobre, como são pobres todos aqueles que não entendem que a presença de Deus é a maior necessidade da igreja.

A presença de Deus é o que difere o seu povo dentre todos os povos da terra [vers. 16]

 a)Esta colocação de Moisés revela a sua compreensão da graça eletiva de Deus, atribui ao Senhor o poder soberano de separar para si um povo que se distingui de todos os povos da terra. O poder está em Deus e não em nós. Esta verdade está presente em toda a escritura, e em Israel esta verdade se mostra de forma clara e graciosa.


b) Em 1Pedro 2:9, o apóstolo Pedro usa vários termos do velho testamento, e diz: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;”

c) O que nos difere dentre os povos é a presença de Deus conosco. Não são os nossos méritos, a nossa capacidade, a nossa teologia, mas a presença de Deus conosco o que nos faz privilegiados. Ainda que nada disso seja obra do nosso esforço como diz Efésios 2:8-9 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. [...]”, é a presença do Senhor, é a Sua pessoa, é por Ele, por meio dEle e para Ele.


Qual é a sua maior necessidade?
Certamente é a presença de Deus. Clamemos então: Se o Senhor não for conosco, não nos faça subir deste lugar.

Conclusão: O filho foi presenteado pelo pai, porém o pai ausente a maior parte do tempo, e o filho quando perguntado sobre qual presente gostaria de ganhar no seu aniversário, o filho responde: Fique comigo hoje!

Assim como nossos filhos precisam mais de nós do que presentes, precisamos mais de Deus, Ele é a nossa maior necessidade. Que a sua maior necessidade se mostre no anseio pela presença de Deus.


Pr Romildon Andrade
Igreja Batista Graça e Paz