A Verdade é a Base do Verdadeiro Amor Cristão
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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como Saber se Você é um Verdadeiro Cristão?

por Jonathan Edwards



Conteúdo

  • Os Demônios têm um Conhecimento de Deus. 
  • Só o Conhecimento de Deus não é prova de salvação. 
  • As experiências religiosas não são prova de salvação. 
  • Objeção #1 - As pessoas são diferentes dos demônios. 
  • Objeção #2 - As pessoas podem ter sentimentos religiosos que os demônios não podem. 
  • As verdadeiras experiências espirituais têm uma diferente origem. 
  • Uma verdadeira experiência espiritual transforma o coração. 
  • As genuínas experiências espirituais têm resultados diferentes. 
  • A visão da beleza de Cristo - o maior dom de Deus!



"Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem  e estremecem." (Tiago 2:19)


Como você sabe se pertence a Deus? Nós vemos nestas palavras no que algumas pessoas confiam como sendo uma evidência de sua aceitação diante de Deus. Algumas pessoas pensam que elas estarão certas diante de Deus se não forem tão más como algumas pessoas ímpias. Há um sistema evangelístico em uso comum que pergunta às pessoas certas questões. Uma das questões é: "Suponha que tu morras hoje. Por que Deus deveria deixar-te entrar no Seu céu?" Uma resposta muito comum é: "Eu creio em Deus". Aparentemente o apóstolo Tiago conhecia pessoas que diziam a mesma coisa: Eu sei que estou no favor de Deus, porque eu conheço estas doutrinas religiosas.


Certamente Tiago admite que este conhecimento é bom. Não somente é bom, mas é também necessário. Ninguém que não acredite em Deus, pode ser um Cristão; e mais do que isto, no Único e Verdadeiro Deus. Isto é particularmente verdadeiro para aqueles que tiveram a grande vantagem de realmente conhecer o apóstolo, alguém que poderia lhes dizer em primeira mão de sua experiência com Jesus, o Filho de Deus. Imagine o grande pecado de uma pessoa, que conheceu Tiago, e depois recusou crer em Deus! Certamente isto faria sua condenação maior. Certamente, todos Cristãos sabem que esta crença no Único Deus é somente uma parte das boas coisas "porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam". (Hebreus 11:6)


Todavia, Tiago é claro que embora esta crença seja uma boa coisa, definitivamente ela não é prova de que uma pessoa é salva. O que ele pretende dizer é isto: "Você diz que é um Cristão e que está no favor de Deus. Você pensa que Deus permitirá que você entre no céu, e a prova disto é: você crê em Deus. Mas, isto não á uma evidência de maneira nenhuma, porque os demônios também creem  e eles estão certos de que serão punidos no inferno". Os demônios creem em Deus, podem estar certos disto! Eles não somente creem que Ele existe, mas eles creem que Deus é um santo Deus, um Deus que odeia o pecado, um Deus de verdade, que prometeu julgamentos, e que cumprirá Sua vingança sobre eles. Esta é a razão dos demônios "estremecerem" ou tremerem - eles conhecem Deus mais claramente que a maioria dos seres humanos, e eles estão amedrontados. Todavia, nada na mente do homem, que os demônios possam experimentar também, é sinal de que a graça de Deus esteja em nossos corações.


Este raciocínio pode facilmente ser girado ao redor. Supor que os demônios tenham, ou encontrem dentro de si mesmos, algo da graça salvadora de Deus, não prova que eles irão para o céu. Isto provaria um erro de Tiago. Mas, quão absurdo! A Bíblia deixa claro que os demônios não têm esperança de salvação, e que sua crença em Deus não tira sua futura punição. Portanto, crer em Deus não é prova de salvação para os demônios, e pode-se dizer com segurança que tampouco para os seres humanos.

Os Demônios têm um Conhecimento de Deus.



Isto é visto mais claramente quando pensamos sobre o que os demônios são de fato. Eles não são santos: qualquer coisa que eles experimentem, não pode ser uma santa experiência. O diabo é perfeitamente mau. "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira". (João 8:44) "Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo". (1 João 3:8) Portanto, os demônios são chamados espíritos maus, espíritos impuros, poderes das trevas, e assim por diante. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". (Efésios 6:12)


Assim, é óbvio que qualquer coisa nas mentes de demônios não podem ser santas, ou conduzir à verdadeira santidade por si mesma. Os demônios claramente sabem muitas coisas sobre Deus e religião, mas eles não possuem um santo conhecimento. As coisas que eles conhecem em suas mentes podem fazer impressões em seus corações - realmente, veremos que os demônios possuem sentimentos muito fortes sobre Deus; tão forte, na realidade, que eles "estremecem". Mas, eles não possuem sentimentos santos porque eles não têm nada a ver com a obra do Espírito Santo. Se esta é a verdade sobre a experiência dos demônios, isto é também verdadeiro sobre a experiência dos homens.


Note isto, que não importa quão genuínos, sinceros, e poderosos estes pensamentos e sentimentos são. Os demônios, sendo criaturas espirituais, conhecem Deus em um caminho que os homens na terra não podem. O conhecimento deles sobre a existência de Deus é mais concreto do que o conhecimento de qualquer homem possa ser. Porque eles estão presos na batalha com as forças do bem, eles possuem uma sinceridade de conhecimento também. Em uma ocasião, Jesus expulsou alguns demônios. "Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus?", eles clamaram, "Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" (Mateus 8:29). Que experiência pode ser mais nítida do que esta? Todavia, apesar dos pensamentos e sentimentos deles serem genuínos e poderosos, eles não eram santos.


Também podemos ver que os santos objetos de seus pensamentos não fazem seus pensamentos e sentimentos serem santos. Os demônios sabem que Deus existe! Mateus 8:29 mostra que eles sabem mais sobre Jesus do que muitas pessoas! Eles sabem perfeitamente que Jesus julgara-los algum dia, porque Ele é santo. Mas é claro, que pensamentos e sentimentos genuínos, sinceros e poderosos sobre coisas santas e espirituais, não são prova da graça de Deus no coração. Os demônios têm estas coisas, e enxergam adiante a punição eterna no inferno. Se os homens não têm mais do que os demônios têm, eles sofrerão do mesmo modo.

Só o conhecimento de Deus não é prova de salvação.



Nós podemos fazer diversas conclusões baseadas nestas verdades. Primeiramente que, não importa quanto as pessoas possam saber sobre Deus e a Bíblia, isto não é um sinal certo de salvação. O diabo antes de sua queda, era uma das mais brilhantes estrelas da manhã, uma labareda de fogo, um que excedia em força e sabedoria. (Isaías 14:12, Ezequiel 28:12-19). Aparentemente, como um dos principais anjos, Satanás conhecia muito sobre Deus. Agora que ele está caído, seu pecado não tem destruído suas memórias de antes. O pecado destrói a natureza espiritual, mas não as habilidades naturais, tais como a memória. Que os anjos caídos têm muitas habilidades naturais pode ser visto em muitos versos da Bíblia, por exemplo, Efésios 6:12. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". No mesmo modo, a Bíblia diz que Satanás é "mais astuto" do que os outros seres criados. (Gênesis 3:1, também 2 Coríntios 11:3, Atos 13:10) Portanto, podemos ver que o Diabo sempre teve grandes habilidades mentais e que é capaz de conhecer muito sobre Deus, sobre o mundo visível e invisível, e sobre muitas outras coisas. Visto que sua ocupação no princípio era ser um anjo principal diante de Deus, é somente natural que compreender estas coisas sempre tenha sido de primeira importância para ele, e que todas suas atividades tenham a ver com estas áreas de pensamentos, sentimentos e conhecimento.


Porque era sua ocupação original ser um dos anjos diante da própria face de Deus e porque o pecado não destrói a memória, é claro que Satanás conhece muito mais sobre Deus do que qualquer outro ser criado. Depois da queda, podemos ver de suas atividades como a tentação, etc., (Mateus 4:3) que ele tem gastado seu tempo para aumentar seu conhecimento e suas aplicações práticas. Que o seu conhecimento é grande pode ser visto em quão enganador ele é quando tenta as pessoas. A astúcia de suas mentiras mostra quão sagaz ele é. Certamente não poderia manejar tão bem suas ludibriações sem um conhecimento real e verdadeiro dos fatos. 
Este conhecimento de Deus e de Suas obras é desde o princípio. Satanás existia desde a Criação, como Jó 38:4-7 mostra: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência...Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Assim, ele deve conhecer muito sobre a maneira como Deus criou o mundo, e como Ele governa todos os eventos do universo. Além do mais, Satanás viu como Deus desenvolveu Seu plano de redenção no mundo; e não como um inocente espectador, mas como um inimigo ativo da graça de Deus. Ele viu Deus trabalhar nas vidas de Adão e Eva, em Noé, Abraão, e Davi. Ele deve ter tomando um especial interesse na vida de Jesus Cristo, o Salvador dos homens, a Palavra de Deus encarnada. Quão próximo prestou atenção a Cristo? Quão cuidadosamente ele observou Seus milagres e ouviu Suas palavras? Isto é o porque Satanás se pôs contra a obra de Cristo, e foi para o seu tormento e angústia que Satanás assistiu a obra de Cristo desvelada com sucesso. 

Satanás, então, conhece muito sobre Deus e sobre a obra de Deus. Ele conhece o céu em primeira mão. Ele conhece o inferno também, com conhecimento pessoal como sua principal residência, e tem experimentado seus tormentos por todos estes milhares de anos. Ele deve ter um grande conhecimento da Bíblia: pelo menos, podemos ver que ele conhecia o suficiente para ver se conseguia tentar nosso Salvador. Além do mais, ele tem tido anos de estudo dos corações dos homens, seus campo de batalha onde ele luta contra nosso Redentor. Quanto labores, esforços, e cuidados o Diabo usou através dos séculos a medida que ludibriava os homens. Somente um ser com seu conhecimento e experiência sobre a obra de Deus, e sobre o coração do homem, portanto, poderia imitar a verdadeira religião e transformar-se em um anjo de luz. (2 Coríntios 11:14)



Portanto, podemos ver que não há nenhuma quantidade de conhecimento sobre Deus e religião que poderia provar que uma pessoa tem sido salva de seu pecado. Um homem pode falar sobre a Bíblia, Deus, e a Trindade. Ele pode ser capaz de pregar um sermão sobre Jesus Cristo e tudo que Ele fez. Imaginem, alguns podem ser capazes de falar sobre o caminho da salvação e a obra do Espírito Santo nos corações dos pecadores, talvez até mesmo mostrar a outros como se tornarem Cristãos. Todas estas coisas podem edificar a igreja e iluminar o mundo, todavia, não é uma prova certa da graça de Deus no coração de uma pessoa.


Pode também ser visto que as pessoas meramente concordarem com a Bíblia não é um sinal certo de salvação. Tiago 2:19 mostra que os demônios realmente, verdadeiramente, creem na verdade. Da mesma forma que eles creem que há um só Deus, eles concordam com toda a verdade da Bíblia. O diabo não é um herético: todos os artigos de sua fé estão firmemente estabelecidos na verdade.


Deve ser entendido que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia tenciona dizer não um mero concordar com a verdade, mas outro tipo de crença. "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido". (1 João 5:1) Este outro tipo de conhecimento é chamado "a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade". (Tito 1:1) Há um acreditar espiritual na verdade, o que será explicado mais tarde.

As Experiências Religiosas não são prova de salvação.



Algumas pessoas têm fortes experiências religiosas, e pensam delas como uma prova da obra de Deus em seus corações. Freqüentemente, estas experiências dão às pessoas um sentimento da importância do mundo espiritual, e a realidade das coisas divinas. Contudo, elas, também, não são uma prova certa da salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que têm um grande efeito em suas atitudes de coração. Freqüentemente, essas experiências dão às pessoas um sentido da importância do mundo espiritual, e da realidade das coisas divinas. Contudo, essas, também, não são uma prova seguro de salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que causam um grande efeito nas atitudes de seus corações. Eles vivem no mundo espiritual e vêem em primeira mão como este é de fato. Os sofrimentos deles mostram-lhes o valor da salvação e o valor de uma alma humana em uma maneira mais poderosa do que se possa imaginar. A parábola em Lucas capítulo 16 ensina isto claramente, porque o homem sofrendo pergunta se Lázaro pode ser enviado para avisar seus irmãos, a fim de evitarem este lugar de tormento. Sem dúvidas, as pessoas no inferno têm uma ideia distinta da vastidão da eternidade, e da brevidade da vida. Eles estão completamente convencidos de que todas as coisas desta vida não são importantes quando comparadas com as experiências do mundo eterno. As pessoas que estão agora no inferno têm um grande sentido da preciosidade do tempo, e das maravilhosas oportunidades que as pessoas têm, as que possuem o privilégio de ouvir o Evangelho. Elas estão completamente conscientes da loucura do pecado, da negligência das oportunidades, e de se ignorar as advertências de Deus. Quando os pecadores descobrem por experiência pessoal o resultado final de seu pecado há "pranto e ranger de dentes" (Mateus 13:42) Assim, até mesmo as mais poderosas experiências religiosas não são um sinal seguro da graça de Deus no coração. 


Os demônios e as pessoas condenadas também têm um forte senso da majestade e poder de Deus. O poder de Deus é mais claramente demonstrado na execução de Sua divina vingança sobre Seus inimigos. "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" (Romanos 9:22). Estremecendo, os diabos aguardar a punição final deles, debaixo de um poderoso senso da majestade de Deus. Eles sentem isto agora, certamente, mas no futuro isto se mostrará em altíssimo grau, quando "se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder. Como labareda de fogo..." (2 Tessalonicenses 1:7-8) Neste dia, eles desejarão fugir, se esconder da presença de Deus. "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele." (Apocalipse 1:7) Portanto, todos O verão na glória de Seu Pai. Porém, obviamente, nem todos que O verão, serão salvos.



Objeção #1- As pessoas são diferentes dos demônios.
Agora, é possível que algumas pessoas possam objetar-se à tudo isto, dizendo que os homens ímpios deste mundo são totalmente diferentes dos demônios. Eles estão sob circunstâncias diferentes e são diferentes espécies de seres. Um objetor pode dizer: "Aquelas coisas que são visível e presentes para os demônios, são invisíveis e futuras para os homens. Além disso, as pessoas têm a desvantagem de terem corpos, que restringem a alma, e impedem que as pessoas vejam estas coisas espirituais em primeira mão. 

Portanto, mesmo se os demônios possuem um grande conhecimento e experiência pessoal das coisas de Deus, e não têm graça, a conclusão não se aplica a mim". Ou, colocando de uma outra forma: se as pessoas possuem estas coisas nesta vida, isto pode ser muito bem um sinal seguro da graça de Deus em seus corações. 
Na resposta, concorda-se que nenhum homem nesta vida jamais terá o grau destas coisas como os demônios as têm. Nenhuma pessoa jamais estremecerá, com a mesma quantidade de temor que os demônios estremecem. Nenhum homem, nesta vida, pode jamais ter o mesmo tipo de conhecimento que o Diabo tem. É claro que os demônios e os homens condenados entendem a vastidão da eternidade, e a importância do outro mundo, mais do qualquer outra pessoa viva, e assim eles desejam ardentemente a salvação ainda mais. 

Porém, podemos ver que os homens neste mundo podem ter experiências do mesmo tipo daquelas dos demônios e pessoas condenadas. Eles têm a mesma percepção mental, as mesmas opiniões e emoções, e os mesmos tipos de impressões na mente e no coração. Note, que para o apóstolo Tiago isto é um argumento convincente. Ele argumenta que se as pessoas pensam que acreditar em um único Deus é prova da graça de Deus, ela não é prova, pois os demônios creem no mesmo. Tiago não está se referindo ao ato de crer somente, mas também às emoções e ações que vão juntas com sua crença. Estremecer é um exemplo de emoções do coração. Isto mostra que as pessoas têm o mesmo tipo de percepção mental, e que reagir no coração da mesma maneira, não é sinal seguro de graça. 

A Bíblia não declara quantas pessoas neste mundo podem ver a glória de Deus, sem possuírem a graça de Deus nos seus corações. Não nos é informado exatamente em que grau Deus Se revela a certas pessoas, e quantas deles responderam em seus corações. É muito tentador dizer que se uma pessoa tem uma certa quantidade de experiência religiosa, ou uma certa quantidade de verdade, ela deve ser salva. Talvez, seja até possível para alguns povos não-salvos terem experiências maiores do que aqueles que possuem a graça em seus corações. Assim, é errado olhar para a experiência ou conhecimento em termos de quantidade. Os homens que possuem uma genuína obra do Espírito Santo em seus corações, têm experiências e conhecimento de um diferente tipo.


Objeção #2- As pessoas podem ter sentimentos religiosos que os demônios não podem.


Neste ponto, alguém pode replicar estes pensamentos dizendo: "Eu concordo com você. Eu vejo que crer em Deus, entendendo Sua majestade e santidade, e conhecendo que Jesus morreu por pecadores, não é prova da graça em meu coração. Eu creio que os demônios podem saber estas coisas também. Porém, eu tenho algumas coisas que eles não. Eu tenho alegria, paz e amor. Os demônios não podem tê-los, de forma que isto deve mostrar que sou salvo."


Sim, é verdade que você tem algo a mais do que os demônios possam ter, mas isto não é nada melhor do que os demônios possam ter. Uma experiência pessoal de amor, alegria, etc., não pode ser porque eles tenham qualquer causa neles diferentes de um demônio, mas somente diferentes circunstâncias. As causas, ou origens, de seus sentimentos não são as mesmas. Esta é a razão porque estas experiências não são melhores do que aquelas dos demônios. Para explicar melhor:


Todas as coisas que foram discutidas antes sobre os demônios e pessoas condenadas, surgiram de duas principais causas, entendimento natural e amor próprio. Quando eles pensam sobre eles próprios, estas suas coisas são as que determinam seus sentimentos e reações. O entendimento natural mostra-lhes que Deus é santo, enquanto que eles são ímpios. Deus é infinito, mas eles são limitados. Deus é poderoso, e eles são fracos. O amor próprio dá-lhes um senso da importância da religião, do mundo eterno, e um desejo pela salvação. Quando estas duas causas trabalham juntas, os demônios e os homens condenados conscientizam-se da terrível majestade de Deus, quem eles sabem que será seu Juiz. Eles sabem que o julgamento de Deus será perfeito e sua punição será para sempre. Portanto, estas duas causas juntas com seus sentimentos causarão sua angústia no dia do julgamento, quando eles verão a glória visível de Cristo e Seus santos.


A razão porque muitas pessoas sentem alegria, paz e amor hoje, enquanto os demônios não, pode ser mais devido suas circunstâncias, do que qualquer diferença em seus corações. As causas em seus corações são as mesmas. Por exemplo, o Espírito Santo está agora atuando no mundo impedindo que todos da humanidade sejam tão maus como poderiam ser (2 Tessalonicenses 2:7). Isto está em contraste aos demônios, que são tão maus como eles poderiam ser o tempo todo. Além do mais, Deus em Sua misericórdia dá dons à todas pessoas, tal como a chuva para a colheita (Mateus 5:45), o calor do sol, etc. Não somente isto, mas freqüentemente as pessoas recebem muitas coisas na vida que lhes trazem felicidade, tais como relacionamentos pessoais, prazeres, músicas, boa saúde, e assim por diante. Mais importante de tudo, muitas pessoas ouvem as novas de esperança: Deus enviou um Salvador, Jesus Cristo, que morreu para salvar pecadores. Nestas circunstâncias, o entendimento natural das pessoas pode fazer com que sintam coisas que os demônios não podem sentir.


O amor próprio é uma força poderosa nos corações dos homens, forte o bastante para fazer com que as pessoas, mesmo sem a graça, amem aos que os amam: "E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam." (Lucas 6:32) É uma coisa natural para uma pessoa que vê Deus ser misericordioso, e que sabe que eles não são tão maus como poderiam ser, serem conseqüentemente seguros do amor de Deus por eles. Se seu amor por Deus vem somente de seus sentimentos de que Deus te ama, ou porque você tem ouvido que Cristo morreu por você, ou algo similar, então, a origem de seu amor por Deus é somente o amor próprio. Isto reina nos corações dos demônios também.


Imagine a situação dos demônios. Eles sabem que eles são irrefreáveis em sua maldade. Eles sabem que Deus é seu maior inimigo e sempre será. Embora eles estejam sem qualquer esperança, ainda estão ativos e lutando. Pense apenas, o que aconteceria se eles tivessem algo da esperança que as pessoas têm? O que aconteceria se os demônios, com seu conhecimento de Deus, tivessem suas maldades refreadas? Imaginem se um demônio, depois de todos seus temores sob o julgamento de Deus, fosse repentinamente levado a imaginar que Deus pudesse ser sue Amigo? Que Deus poderia perdoá-lo e permiti-lo, com pecado e tudo, no céu? Oh a alegria, a maravilha, a gratidão que nós veríamos! Não seria este demônio um grande amante de Deus, visto que, apesar de tudo, todo mundo ama as pessoas que lhes ajudam? O que mais poderia causar sentimentos tão poderosos e sinceros? É alguma maravilha, que muitas pessoas são enganadas dessa maneira? Especialmente visto que as pessoas têm os demônios para promover esta ilusão. Eles têm promovido isto agora e por muito séculos, e ah!, eles são muito bons nisto.

As verdadeiras experiências espirituais têm uma origem diferente



Agora chegamos à pergunta: se todas estas várias experiências e sentimentos vêm de nada mais do que os demônios são capazes de possuir, quais são os tipos de experiências que são verdadeiramente espirituais e santas? O que tenho que encontrar em meu coração, como um sinal seguro da graça de Deus ali? Quais são as diferenças que mostram-nas serem do Espírito Santo?




Esta é a resposta: aqueles sentimentos e experiências que são bons sinais da graça de Deus no coração diferem das experiências dos demônios em sua origem e em seus resultados. Sua origem é a percepção da devastadoramente santa beleza e amabilidade das coisas de Deus. Quando uma pessoa entende em sua mente, ou melhor ainda, quando ela sente seu próprio coração cativado pela atratividade do Divino, isto é um sinal inequívoco da obra de Deus.


Os demônios e condenados no inferno não experimentam agora, e nunca experimentarão nem um pouco disto. Antes da queda deles, os demônios tinham esta percepção de Deus. Mas em sua queda, eles a perderam, e a única coisa que eles poderiam perder do seu conhecimento de Deus. Temos visto como os demônios possuem claras idéias sobre como Deus é poderoso, sobre Sua justiça, santidade, e assim por diante. Eles conhecem muitos dos fatos sobre Deus. Mas agora eles não têm um indício sobre como Deus é. Eles não podem saber o que Deus é mais do que um cego pode saber sobre cores! Os demônios têm uma forte percepção da terrível majestade de Deus, mas eles não vêem Sua amabilidade. Eles têm observado Sua obra entre a raça humana por estes milhares de anos, deveras com toda a atenção; mas eles não podem ver um vislumbre de Sua beleza. Não importa quanto eles saibam sobre Deus (e temos visto que eles sabem realmente muito), o conhecimento que eles possuem nunca lhes trará a este alto e espiritual conhecimento de como Deus é. Pelo contrário, quanto mais eles sabem sobre Deus, mais eles O odeiam. A beleza de Deus consiste primariamente nesta santidade, ou excelência moral, e isto é o que eles mais odeiam. É porque Deus é santo que os demônios Lhe odeiam. Alguém pode supor que se Deus fosse menos santo, os demônios Lhe odiariam menos. Sem dúvidas os demônios devem odiar qualquer Ser santo, não importa quem Ele seja. Mas, certamente, eles odeiam este Ser ainda mais, por ser infinitamente santo, infinitamente sábio, e infinitamente poderoso!


Pessoas ímpias, incluindo aquelas ainda vivas, verão no dia do julgamento tudo o que há para ver de Jesus Cristo, exceto Sua beleza e amabilidade. Não há nenhuma coisa sobre Cristo que pudermos pensar, que não será posta diante deles em poderosa luz naquele brilhante dia. Os ímpios verão Jesus "vindo nas nuvens, com grande poder e glória". (Mateus 13:26) Eles verão Sua glória visível, que é muito, muito maior do que podemos imaginar agora. Os ímpios serão totalmente convencidos de tudo o que Cristo é. Eles serão convencidos sobre Sua onisciência, a medida que eles virem seus pecados repassados e julgados. Eles verão em primeira mão a justiça de Cristo, a medida que suas sentenças forem anunciadas. Sua autoridade será feita absolutamente convincente quando cada joelho se dobrar, e cada língua confessar a Jesus como Senhor. (Filipenses 2:10,11) A divina majestade será impressa sobre eles em um modo totalmente efetivo, a medida que os ímpios forem lançados no inferno, e entrarem no seu estado final de sofrimento e morte. (Apocalipse 20:14,15) Quanto isto acontecer, todo seu conhecimento de Deus, tão verdadeiro e poderoso como possa ser, não valerá nada, e menos do que nada, porque eles não verão a beleza de Cristo.


Portanto, é esta visão da amabilidade de Cristo que faz a diferença entre a graça salvadora do Espírito Santo, e as experiências dos demônios. Esta visão ou percepção é que faz a verdadeira experiência Cristã diferente de qualquer outra. A fé do povo eleito de Deus é baseada nisto. Quando uma pessoa vê a excelência do evangelho, percebe a beleza e amabilidade do plano divino da salvação. Sua mente é convencida de que isto é de Deus, e crê nisto com todo seu coração. Como o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 4:3,4: "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." Isto é dizer, como foi explicado antes, que os incrédulos podem ver que há um evangelho, e entender os fatos sobre ele, mas eles não vêem sua luz. A luz do evangelho é a glória de Cristo, Sua santidade e beleza. Justamente após isto nós lemos: 2 Coríntios 4:6 "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo." Claramente, é esta divina luz, brilhando em nossos corações, que nos capacita a ver a beleza do evangelho e a ter uma fé salvadora em Cristo. Esta luz sobrenatural nos mostra a superlativa beleza e amabilidade de Jesus, e nos convence de Sua suficiência como nosso Salvador. Somente um Salvador glorioso e majestoso pode ser nosso Mediador, permanecendo entre o culpado, pecadores merecedores do inferno como nós mesmos, e um Deus infinitamente santo. Esta luz sobrenatural nos dá uma percepção de Cristo que nos convence de uma maneira que nada mais poderia fazer.

Uma verdadeira experiência espiritual transforma o coração



Quando o pior dos pecadores é levado a ver a divina amabilidade de Cristo, ele não mais especula porque Deus deve estar interessado nele, para salvá-lo. Antes, ele não poderia entender como o sangue de Cristo poderia pagar a penalidade pelos pecados. Mas agora, ele pode ver a preciosidade do sangue de Cristo, e como Ele é digno de ser aceito como um resgate para o pior dos pecados. Agora, a alma pode reconhecer que ele é aceito por Deus, não por causa do que ele é, mas por causa do valor que Deus põe no sangue, na obediência, e na intercessão de Cristo. Ver este valor e dignidade dá à pobre alma culpada, um descanso que não pode ser encontrado em qualquer sermão ou livreto.

Quando uma pessoa chega a ver o fundamento apropriado da fé e da confiança com seus próprios olhos, esta fé é salvadora. "Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna." (João 6:40) "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu nos deste, e guardaram a tua palavra. Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti. Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste". (João 17:6-8)

É esta visão da divina beleza de Cristo que cativa as vontades e atraí os corações dos homens. Uma visão da grandeza visível de Deus em Sua glória pode esmagar os homens, acima daquilo que poderão suportar. Isto será visto no dia do julgamento, quando os ímpios serão trazidos diante de Deus. Eles serão esmagados, sim, mas a hostilidade do coração permanecerá integralmente e a oposição da vontade continuará. Mas por outro lado, um simples raio da glória moral e espiritual de Deus e da suprema amabilidade de Cristo brilhando no coração, sujeita toda hostilidade. A alma é inclinada a amar a Deus como se por um poder onipotente, de modo que agora não somente o entendimento, mas todo o ser recebe e abraça o amável Salvador.

Esta percepção da beleza de Cristo é o principio da verdadeira fé salvadora na vida de um verdadeiro converso. Esta é totalmente diferente de qualquer sentimento vago que Cristo lhe ama ou morreu por ele. Este tipo de sentimentos confusos podem causar um tipo de amor e alegria, porque a pessoa sente uma gratidão por ter escapado da punição de seu pecado. Na realidade, estes sentimentos são baseados no amor próprio, e de nenhuma maneira em um amor por Cristo. É uma coisa triste que tantas pessoas são iludidas por esta falsa fé. Por outro lado, um vislumbre da glória de Deus na face de Jesus Cristo causa no coração um supremo e genuíno amor por Deus. Isto é porque a luz divina mostra a excelente natureza da amabilidade de Deus. Um amor baseado nisto está muito, muito acima de qualquer coisa que venha de um amor próprio, o qual os demônios podem possuir tão bem como os homens. O verdadeiro amor por Deus que vêm desta visão de Sua beleza causa uma alegria santa e espiritual na alma; uma alegria em Deus, e um regozijo nEle. Não há regozijo em nós mesmos, pelo contrário há regozijo somente em Deus.

As experiências genuínas espirituais têm resultados diferentes



A visão da beleza das coisas divina causará verdadeiros desejos pelas coisas de Deus. Estes desejos são diferentes das aspirações dos demônios, as quais acontecem porque os demônios sabem da maldição que lhes esperam, e desejam que isto possa ser de alguma forma diferente. Os desejos que vêm desta visão da beleza de Cristo são desejos naturais livres, como um bebê desejando leite. Porque estes desejos são tão diferentes das suas falsificações, eles ajudam à distinguir a genuína experiência da graça de Deus da falsa.



As falsas experiências espirituais têm a tendência de causar orgulho, que é um pecado especial do diabo. "Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo".(1 Timóteo 3:6) O orgulho é um resultado inevitável das experiências espirituais falsas, embora elas sejam freqüentemente cobertas com um disfarce de grande humildade. A experiência falsa é enamorada com si própria e cresce assim. Ela vive da própria exibição de um jeito ou outro. Uma pessoa pode ter um grande amor por Deus, e ser orgulhosa da grandeza de seu amor. Ele pode ser muito humilde, e deveras orgulhoso de sua humildade. Mas, as emoções e experiência que vêm da graça de Deus são exatamente opostas. A verdadeira obra de Deus no coração causa humildade. Elas não podem causar qualquer tipo de exibicionismo ou auto-exaltação. A percepção da terrível, santa, e gloriosa beleza de Cristo mata o orgulho e humilha a alma. A luz da amabilidade de Deus, e esta somente, mostra à alma sua própria vileza. Quando uma pessoa entende isto, inevitavelmente começa um processo de fazer Deus maior e maior, e ele mesmo menor e menor.


Outro resultado da graça de Deus operante no coração é que a pessoa odiará cada mal e reagirá a Deus com um coração e uma vida santa. As experiências falsas podem causar uma certa quantia de zelo, e até muito do que é comumente chamado religião. Contudo, não é um zelo pelas boas obras. Sua religião não é um serviço de Deus, mas antes um serviço próprio. Isto é como o apóstolo Tiago o coloca neste mesmo contexto, "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" (Tiago 2:19,20) Em outras palavras, os feitos, ou boas obras, são evidências de uma genuína experiência da graça de Deus no coração. "E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade". (1 João 2:3,4) Quando o coração tem sido encantado pela beleza de Cristo, como poderia responder de outra forma?

A visão da beleza de Cristo - o maior dom de Deus!



Quão excelente é esta bondade interna e a verdadeira religião que vêm desta visão da beleza de Cristo! Aqui você tem as mais maravilhosas experiências dos santos e anjos no céu. Aqui você tem a melhor experiência do próprio Jesus Cristo. Embora sejamos meras criaturas, isto é um tipo de participação na própria beleza de Deus. "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina." (2 Pedro 1:4). "Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este [Deus], para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade." (Hebreus 12:10) Por causa do poder desta obra divina, há uma habitação mútua de Deus em Seu povo. "Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele".


Este relacionamento especial faz com que a pessoa envolta seja tanto feliz como abençoada, como nenhuma criatura existente. Este é um dom especial de Deus, que Ele dá somente para Seus favoritos. Ouro, prata, diamantes, e reinos terrestres são dados por Deus para pessoas que a Bíblia chama de cães e porcos. Mas o grande dom de contemplar a beleza de Cristo, é uma benção especial de Deus para Seus queridos filhos. Carne e sangue não podem dar este dom: somente Deus pode concedê-lo. Este foi o dom especial pelo qual Cristo morreu para obter para Seus eleitos. Este é o sinal mais alto de seu eterno amor, o melhor fruto de Seus labores, e a mais preciosa aquisição de Seu sangue.

Por este dom, mais do que qualquer outro, os santos brilham como luzes no mundo. Este dom, mais do que qualquer outro, é seu o conforto. É impossível que a alma que possua este dom possa perecer. Este é o dom da vida eterna. Este é o início da vida eterna: aquele que o tem, não pode jamais morrer. Este é o amanhecer da luz da glória. Ele vem do céu, tem uma qualidade celestial, e guiará seu portador ao céu. Aqueles que possuem este dom, podem vagar no deserto ou serem lançados pelas ondas do mar, mas finalmente chegarão ao céu. Lá a faísca celestial se tornará perfeita e elevada. 

No céu, as almas dos santos serão transformadas em uma brilhante e pura labareda de fogo, e eles brilharão eternamente como o sol no reino de seu Pai. Amém.


Originalmente intitulado A Verdadeira Graça Distinguida da Experiência dos Demônios por Jonathan Edwards, 1752. Esta versão moderna da linguagem é Copyright 1994 por William Carson.

Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Soberania de Deus na Salvação

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” (Romanos 8:29-30)

Como pode um homem sendo pecador ser salvo? 
Como pode um injusto ser declarado justo aos olhos do Deus santo? 
Como pode o homem tão vulnerável ter garantia de salvação?


Paulo responde a essas questões quando escreve sua carta aos romanos. Vamos tratar aqui de cinco afirmações categóricas que nos afirmam a soberania de Deus na salvação.

Em primeiro lugar, Deus nos conheceu desde a eternidade (Rm 8.29). 
Deus nos conheceu de antemão. Ele nos amou desde toda a eternidade. Amou-nos não porque viu algo em nós que despertasse seu amor, mas amou-nos incondicionalmente. 


Antes do sol brilhar no horizonte, Deus já havia colocado em nós seu coração. Antes dos mundos estelares virem à existência, nós já estávamos no coração de Deus. Seu amor por nós é eterno, incomensurável e incondicional.

Em segundo lugar, Deus nos predestinou para a salvação (Rm 8.30). 
Deus nos predestinou em Cristo, para a salvação, antes da fundação do mundo, desde o princípio, pela santificação do Espírito e fé na verdade, a fim de sermos santos e irrepreensíveis perante ele.


Deus não nos escolheu porque previu que iríamos crer em Cristo; cremos em Cristo porque ele nos escolheu. A escolha divina é a causa da fé e não sua conseqüência. Deus não nos escolheu porque viu em nós santidade; fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis e não porque éramos santos e irrepreensíveis.


A santidade não é a causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque viu em nós boas obras; somos feitura dele, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, e não porque praticávamos boas obras. As boas obras são fruto da escolha divina e não sua raiz.

Em terceiro lugar, Deus nos chamou eficazmente (Rm 8.30). 
Todos aqueles que são escolhidos por Deus na eternidade, por quem Cristo morreu no calvário, são chamados à salvação, e chamados eficazmente. O homem pode até resistir temporariamente a esse chamado, mas não finalmente.


Jesus disse que ninguém pode vir a ele se o Pai não o trouxer. Disse, também, que suas ovelhas ouvem sua voz e o seguem. Os que Deus predestina, Deus chama.


Há dois tipos de chamados: um externo e outro interno; um dirigido aos ouvidos e outro ao coração. Aqueles que são predestinados, ao ouvirem a voz do bom pastor, atendem-na e o seguem.

Em quarto lugar, Deus nos justificou por sua graça (Rm 8.30). 
Aqueles que são amados, escolhidos e chamados são também justificados. A justificação é uma obra de Deus por nós e não em nós; é um ato e não um processo. É uma declaração forense feita diante do tribunal de Deus e não uma infusão da graça. É completa e irrepetível, por isso, não possui graus. O menor crente está tão justificado quanto o indivíduo mais piedoso. 
Pela obra substitutiva e vicária de Cristo na cruz somos declarados quites com as demandas da lei de Deus. Não pesa sobre nós mais nenhuma condenação. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram julgados na pessoa de Cristo, nosso substituto e fiador. 
Nossos pecados foram colocados na conta de Cristo e a justiça de Cristo foi colocada em nossa conta. Estamos quites com todas as demandas da justiça divina.


Em quinto lugar, Deus nos glorificou pelo seu poder (Rm 8.30). 
Embora a glorificação seja um fato futuro, que se dará na segunda vinda de Cristo, na mente e nos decretos de Deus já é um fato consumado. Mesmo que o caminho seja estreito e juncado de espinhos.


Mesmo que os inimigos nos espreitem e toda a fúria de Satanás seja despejada contra nós, nada nem ninguém, neste mundo ou mesmo no porvir poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor.


Nossa salvação foi planejada, executada, aplicada e assegurada por Deus. A Deus, portanto, a glória, agora e sempre por tão grande salvação!


Pr. Hernandes D. Lopes

sábado, 23 de junho de 2012

As Duas Partes da Predestinação


"E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." (Romanos 8:30)

"E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade," (Efésios 1:5)


A predestinação inclui duas partes, a saber, Eleição e Reprovação. 

1. Eleição

A Bíblia fala de eleição em mais de um sentido:
(a) a eleição de Israel como um povo para um serviço especial e também para privilégios especiais (Dt. 4:37; 7:6-8; 10:15; Os. 13:5); 
(b) a eleição de indivíduos para algum ofício ou serviço especial (Dt. 18:5; 1Sm. 10:24; Sl. 78:70; Jr 1:5; João 6:70; Atos 9:16);
(c) a eleição de indivíduos para serem filhos de Deus e herdeiros da glória eterna (Mt. 22:14; Atos 13:48; Rm. 1:5; 1Co. 1:27, 28; Ef. 1:4; 2:10).
A última é a eleição que está em consideração aqui como uma parte da predestinação. 
Ela pode ser definida como o propósito eterno de Deus de salvar alguns da raça humana em e por Jesus Cristo. 

2. Reprovação

A doutrina da eleição naturalmente implica que alguns da raça humana não foram eleitos. Se Deus propôs salvar alguns, Ele também propôs não salvar outros. Isso está em perfeita harmonia com os ensinos da Escritura sobre esse ponto (Mt. 11:25, 26; Rm. 9:13, 17, 18, 21, 23; 11:7; 1Pe. 2:8; Judas 4). 

Reprovação pode ser definida como aquele decreto de Deus pelo qual Ele determinou privar alguns homens da operação da Sua graça especial, e puni-los por seus pecados, para a manifestação da Sua justiça. 

Dessa definição a reprovação parece ter realmente um propósito duplo, a saber:
(a) privar alguns da concessão de regeneração e graça salvadora; 
(b) conceder a eles a desonra e a ira de Deus pelos seus pecados. 

A objeção é algumas vezes levantada que essa doutrina expõe Deus à acusação de injustiça. Mas isso é dificilmente correto. Podemos falar de injustiça somente quando uma parte tem uma reivindicação sobre a outra. 

Se Deus concedeu perdão dos pecados e vida eterna a todos os homens, seria injustiça se Ele salvasse apenas um número limitado deles. Mas a situação é bem diferente onde todos perderam as bênçãos de Deus. Ninguém tem o direito de chamar Deus para prestar contas sobre a eleição de alguns e rejeição de outros. 

Ele teria sido perfeitamente justo, se não tivesse salvado nenhuma alma humana (Mt. 20:14, 15; Rm. 9:14, 15).


Louis Berkhof

sábado, 21 de janeiro de 2012

Salvação, Mérito ou Graça?

Todas as religiões do mundo interpretam a questão da salvação apenas de dois modos: o homem é salvo pelas obras ou pela graça. Mesmo aqueles que adotam um meio-termo, o sinergismo (onde Deus faz uma parte e o homem outra), não conseguem escapar do propósito de buscar a salvação pelo merecimento. Na verdade, esses dois métodos não caminham juntos. São mutuamente excludentes. Se a salvação é pelas obras, então não pode ser pela graça.

Dentre todas as religiões, somente o Cristianismo ensina que a salvação é pela graça e não pelas obras. Graça é favor imerecido, e o pecador não merece a vida eterna (Rm 6:23). A salvação é concedida por Deus gratuitamente e não alcançada por méritos humanos. A salvação é resultado do sacrifício que Cristo fez por nós na cruz e não daquilo que fazemos para Deus.

O apóstolo Paulo trata desse tema em Efésios 2.8-10. Destacaremos três verdades importantes nestes versículos:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:8-10)

1. A graça é a base da salvação (Efésios 2:8a)
“Pela graça sois salvos…”. O fundamento da salvação é a obra sacrificial e substitutiva de Cristo na cruz por nós. Ele morreu pelos nossos pecados. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele. Jesus substituiu-nos. Ele se fez pecado por nós. Foi feito maldição por nós. Ele bebeu o cálice amargo da ira de Deus destinado a nós e cumpriu a lei por nós, satisfazendo, assim, completamente as demandas da justiça divina. Cristo pagou a nossa dívida e morreu a nossa morte. Agora não existe mais nenhuma condenação contra nós. Fomos declarados justos diante do tribunal de Deus. A obra de Cristo por nós e não nossa obra para ele é a base da nossa salvação. É isso que significa: “Pela graça sois salvos”.

A salvação não é uma questão de merecimento. Não alcançamos a salvação como um troféu que recebemos de honra ao mérito. A salvação é um presente imerecido. Recebemo-la gratuitamente. É dádiva de Deus e não conquista humana.

2. A fé é o meio da salvação (Efésios 2:8b)
“… por meio da fé; e isto não vem de nós, é dom de Deus”. Se a morte de Cristo na cruz é a causa meritória da nossa salvação, a fé é a causa instrumental. Não somos salvos por causa da fé, mas mediante a fé. Somos salvos pela morte de Cristo na cruz e recebemos essa salvação por intermédio da fé. A fé é a apropriação da salvação pela graça. Não é a fé na fé, mas fé em Cristo, o Salvador. A fé é a mão estendida para receber a salvação, o presente de Deus. A fé, assim como a salvação, não é meritória. A fé é dom de Deus. Não procede de nós, vem de Deus. Não emana da terra, procede do céu.

A salvação não é planejada pelo homem nem realizada por ele. Deus é o mentor, o executor e o consumador da salvação. Somos salvos pela graça, para a glória, mediante a fé.

3. As obras são o resultado da salvação (Efésios 2:9,10)
“Não vem das obras para que ninguém se glorie, pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. A salvação pela graça mediante a fé não exclui as obras. As obras são o resultado necessário da salvação. A graça é a raiz, as obras são os frutos. A graça é a causa, as obras são a conseqüência. Não há obras que agradem a Deus que não procedam da graça e não há graça genuína que não desemboque em obras. Se a salvação fosse pelas obras e não pela graça, o homem chegaria ao céu por seus próprios esforços e teria razões para se gloriar. Mas, ninguém poderá gloriar-se diante de Deus, pois é ele quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar. As obras que praticamos, praticamo-las porque fomos criados em Cristo Jesus para essa finalidade. Somos salvos do pecado, pela graça, mediante a fé, para as obras. De tal maneira que, a graça é a base, a fé é o meio e as obras são o resultado da salvação.

Em outras palavras, tudo provém de Deus. Até mesmo as obras que realizamos, procedem de Deus, porque ele nos criou com esse propósito de antemão.

A Deus, portanto, seja toda a glória por nossa salvação.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As crianças devem ser conduzidas à salvação


A Palavra de Deus e as Crianças 

Se há um assunto negligenciado e ignorado pela maioria dos membros das igrejas cristãs é o assunto relacionado à alma das crianças. A maioria esmagadora dos crentes parece ainda nutrir os conceitos da igreja romana da inocência das crianças, de que, ao nascer, uma criança nasce um anjo e de que as crianças nascem salvas pelo simples fato de serem crianças.

É por pensar desse mesmo modo romano que vemos pais crentes mais preocupados com a saúde dos filhos, com a boa escola, com bons esportes, preocupados em colocar seus filhos em excelentes escolas de línguas, de balé, de algum esporte promissor, de lhes prover de computadores modernos, videogames e outros supérfluos que abundam nas prateleiras das grandes lojas, do que mesmo em lhes apresentar Jesus, em lhes convencer do pecado e da necessidade do novo nascimento. 

Eles vêem a Escritura dizer que as crianças nascem culpadas e não inocentes, que são concebidas em pecado e não em santidade, que nascem e se desencaminham proferindo mentiras, mas parecem não crer em nada disso. No entanto, a Palavra de Deus ordena que levemos os pequeninos a Cristo, que não sirvamos de empecilho a eles nessa caminhada, que lhes saturemos a mente e o coração com os ensinamentos da Palavra de Deus, mostrando-lhes os atos portentosos de Deus por toda a Escritura, mostrando-lhes a grandeza e a graça de Deus, mostrando-lhes a pessoa e a obra de Jesus. 

A Escritura mostra que as crianças precisam de novo nascimento, pois, se alguém não nascer de novo, não entra no reino de Deus. A Bíblia mostra crianças que nasceram de novo ainda muito novinhas, outras desde o ventre materno. Mostra crianças vivendo em santidade e dando respostas tão bíblicas a ponto de impressionar (e envergonhar) adultos.

Quando nasce uma criança, nasce um pecador, que carece da glória de Deus, tanto quanto um adulto. 

Este sermão foi proferido na Igreja Batista Reformada em Caruaru, pelo Pr. Edson Rosendo de Azevedo. Foi baseado em Lucas 18:15-17 e responde à seguinte pergunta: Por que as Crianças Devem Ser Conduzidas à Salvação?

São quatro respostas:
1) Porque as crianças são pecadoras;
2) Porque há Impedimentos para essa condução;
3) Porque Jesus ordena que elas sejam trazidas a Ele;
4) Porque Jesus as tomou como modelo de receptividade à Palavra.


Ouça aqui o sermão completo com o Pastor Edson Rosendo:





Pastor Edson Rosendo
http://reformadoscaruaru.blogspot.com