A Verdade é a Base do Verdadeiro Amor Cristão

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Quem você diz que Ele é?

“E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos seus discípulos, dizendo: O que dizem os homens que eu sou? E eles responderam: João o Batista; e outros: Elias; mas outros: Um dos profetas. E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo. E admoestou-os, para que a ninguém dissessem aquilo dele.” (Marcos 8:27-30)

Neste período, muitas pessoas celebram a festa do Natal, se reúnem em confraternizações, trocam presentes, mas não sabem o verdadeiro significado do Natal. Pois o Natal representa o nascimento do Salvador, Jesus Cristo - o Emanuel que significa “Deus conosco”. Mas para você, quem é Jesus? Ou melhor, quem você diz que ele é?

Conforme mostra o texto acima, Jesus e os seus discípulos dirigiram-se para os povoados nas proximidades de Cesaréia de Filipe. No caminho, Ele lhes perguntou: "Quem o povo diz que eu sou?"28 Eles responderam: "Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, um dos profetas".29 "E vocês? ", perguntou ele. "Quem vocês dizem que eu sou? " Pedro respondeu: "Tu és o Cristo".30 Jesus os advertiu que não falassem a ninguém a seu respeito.


Algumas perguntas que nós fazemos durante o dia, muitas vezes, não têm muita profundidade e implicações futuras:
· Qual camiseta vestir, verde ou preta? Qual tênis usar? O que comer, rúcula ou alface?

Mas há perguntas que têm mais peso e implicações do que estas à cima:
· Que carro comprar? Qual emprego eu devo assumir? Casa ou apartamento?

Algumas perguntas são mais profundas ainda:
· Você quer se casar comigo? Quantos filhos devemos ter? Entro no processo de divórcio? Assumo a punição e confesso meus pecados? (por exemplo: roubo, adultério etc.)

E existem também as perguntas que afetam a eternidade:
· Existe realmente um Deus que criou todas as coisas? Isso tudo foi criado por acaso e estamos aqui por sorte ou infelicidade? O que acontecerá comigo quando eu morrer? Vou desaparecer? Vou reencarnar numa outra pessoa? Será que Jesus realmente existiu e suas palavras foram verdades?

*Jesus disse que Ele é o único caminho para a salvação (Jo 14:6).
*Jesus disse que aqueles que não se submeterem ao seu senhorio verdadeiramente irão perecer por toda a eternidade no inferno (Mt 10:28).
*Ele disse que quem rejeitasse a Ele estaria rejeitando a Deus (Lc 10:16).

E se Jesus for realmente o único mediador entre um Deus santo e justo e o homem pecador? E se Deus for realmente tão “intolerante” de providenciar apenas um caminho para a salvação?

As perguntas profundas devem ser analisadas! Muitas pessoas ignoram essas perguntas devido ao temor de ter que responder algo que eles não querem ter que submeter!

A pergunta mais IMPORTANTE na vida de uma pessoa é “Quem é Jesus?” 
Uma resposta errada e a conseqüência é a eternidade de sofrimento. Uma resposta certa misturada com fé e a conseqüência é vida eterna de gozo.

Como vimos na pregação passada Marcos começou uma nova etapa em seu Evangelho. A partir de agora Jesus tem o seu foco nos discípulos. As multidões e os milagres diminuem drasticamente e a atenção passa a ser nesses homens que carregarão adiante a missão de Jesus.
O tempo está acabando, portanto é importante que Jesus comece a abrir mais os olhos e o entendimento dos seus discípulos.


I – A 1ª pergunta (v.27)
Jesus e os seus discípulos dirigiram-se para os povoados nas proximidades de Cesaréia de Filipe. No caminho, ele lhes perguntou: "Quem o povo diz que eu sou? "
· Jesus estava no território de Betsaida (8:22) onde curou um cego. Agora Ele e seus discípulos movem para mais longe ainda da região da Galiléia, eles vão para o norte - Cesaréia de Filipe.
· Jesus sai da região da Galiléia, onde as pessoas viram muitos milagres, deixando as multidões um pouco de lado para focar em específico nos Seus 12 homens!

A pergunta de Jesus:
Depois de mais de dois anos com Jesus – vendo e ouvindo Jesus ministrar – chegou a hora da prova! Prova fácil, duas perguntas apenas.

Quem o povo diz que eu sou?
Esses homens estavam no meio do “povão” quando Jesus realizou os milagres, eles tiveram mais contatos com a reação geral das multidões. Por exemplo, enquanto eles distribuíam os pães e peixes e depois recolhiam as sobras eles ouviram o que as pessoas estavam dizendo sobre Jesus.

As pessoas não tinham escapatória, elas precisavam encaixar Jesus em algum lugar. O que eles estavam vendo e ouvindo nunca havia ocorrido antes!

* Saber o que as pessoas pensam a respeito de Jesus é muito importante, pois a resposta das outras pessoas terá conseqüências em sua própria vida!

· Um governo que não tem Jesus como Deus e único caminho logo começará a perseguir os que seguem Jesus. Não colocarão os padrões de santidade de Jesus em prática!
· Uma escola onde não tem os ensinos de Jesus como Palavra de Vida Eterna e padrão de moral, ensinará muitas coisas ruins aos seus filhos.
· Um chefe que não confessa Jesus como Salvador e Senhor não irá se preocupar em fazer as coisas da forma correta.
· Um amigo que não tem Jesus como Cristo, como tesouro maior, não irá te influenciar a glorificar a Deus em tudo!

Para esses homens era muito importante eles saberem o que as pessoas achavam de Jesus. Pois se o que os discípulos acreditam sobre Jesus é diferente do que o resto das pessoas pensa consequentemente eles irão sofrer as conseqüências dessa diferença de opinião!

II – A 1ª resposta (v.28)
Eles responderam: "Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, um dos profetas".

· Mateus 16:14 - Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas".
· Lucas 9:19 -Eles responderam: "Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, que és um dos profetas do passado que ressuscitou".

A opinião geral das multidões é que Jesus é uma figura profética. O judaísmo naquela época cria que o Espírito profético de Deus havia se retirado de Israel desde os tempos dos Macabeus. Então, para o povo ter Jesus como uma figura profética é de certa forma honrosa!

JOÃO BATISTA - em Marcos 6:14-16, Herodes havia falado que Jesus era João Batista. Apesar de ser um título de profeta era um absurdo, pois João mesmo havia proclamado sobre Jesus.
ELIAS - Elias foi levado por Deus. Não seria uma reencarnação, mas estaria tirando o título de Messias já que alguém como Elias viria preparar o caminho para o Messias (Ml 4:5). Apesar de ser honroso, esse título desconsidera Jesus como o Ungido de Deus.
JEREMIAS (Mt 16:14)- Jeremias foi um profeta de julgamento. Declarava o julgamento de Deus no povo judeu. Foi perseguido e desprezado pelos líderes religiosos. Além disto havia a lenda de que Jeremias escondeu alguns utensílios do Templo antes da chegada dos babilônicos e ele voltaria com os utensílios antes da chegada do Messias.
OU UM DOS PROFETAS DO PASSADO QUE RESSUSCITOU (Lc 9:19) – algum homem do passado que havia ressuscitado (não reencarnado). Ou talvez, um profeta com o estilo dos do passado. Assim sendo Jesus era apenas um homem, um profeta.

** As pessoas gostam de dar um papel preparatório para Jesus, mas nunca um papel consumidor. Muitos alegam que Jesus é um grande mestre e um ótimo caminho, mas poucos falam que Ele é o único Senhor e o único caminho a ser seguido!
** Assim como hoje muitos gostam de dar a Jesus um título de honra, um papel importante – como as pessoas nos dias em que Ele esteve na terra – muitos gostam de expressar a apreciação por Jesus colocando-O ao lado dos nomes de grandes líderes: Siddhartha Gautama, Buda, Gandhi, Madre Teresa, Alan Kardec, Dalai Lama – mas jamais colocam Jesus como único salvador – inclusive o salvador para esses grandes nomes.

III – A 2ª pergunta (v.29a)
E vocês? ", perguntou ele. "Quem vocês dizem que eu sou?
Essa é a pergunta que realmente interessa. É bom saber quem as multidões pensavam de Jesus, pois como vimos a resposta terá implicações na sua vida, mas o que Ele realmente importava é como esses homens responderiam a pergunta! A ênfase gramatical está no “E/MAS VOCÊS”. Quem Vocês Dizem que Eu Sou? Como se Jesus estivesse dizendo, “Legal que vocês sabem como as pessoas me vêem. Mas e vocês, quem eu sou para vocês?”

“Vocês têm me seguido esses anos, viram o que fiz e ouviram meus ensinos – vamos lá, Quem Sou Eu para vocês?”

**Essa pergunta deve ser feita constantemente. Faço essa pergunta até mesmo para cristãos, pois a resposta dessa pergunta terá implicações e conseqüências presentes e eternas na vida da pessoa!

A resposta errada leva a pessoa a uma vida sem propósito nesse mundo, e a uma eternidade de punição!
A resposta certa misturada com fé traz propósito nessa vida (propósito, não riqueza material!) e uma eternidade de felicidade ao lado de Jesus.

IV – A 2° resposta (v.29b)
Pedro respondeu: "Tu és o Cristo".
Pedro, o porta-voz do grupo, responde – “TÚ ÉS O CRISTO! ( χριστός)”

Lucas 9:20 - Pedro respondeu: "O Cristo de Deus".

Mateus 16:16 - Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Esse é ápice do Evangelho de Marcos. A única vez que temos Jesus como Cristo é no cabeçalho do Evangelho (1:1) – desde então esse título não apareceu mais. Agora na metade da história, Pedro confessa com seus lábios quem é realmente Jesus. Todas as obras já realizadas culminam nesse versículo! A partir desta confissão o restante do Evangelho passa a demonstrar o sofrimento e o caminho do Messias.

Cristo (grego) = Messias (hebraico) = O Ungido
Cristo não é o nome e nem o sobrenome! O nome dele é Jesus = o Senhor Salva.
O outro nome dado a Jesus não é Cristo, mas SENHOR!

E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. (Filipenses 2:8-11)

CRISTO = é a função, o papel é de Jesus.
No começo essa palavra abrangia vários ofícios: Profetas, Sacerdotes e Reis eram ungidos para os seus respectivos cargos. Mais para frente o título Masiah passou a ser usado de forma técnica para um rei Davídico que iria governar e restaurar Israel de forma terrena (Sl 110:1; II Sm 7:14-16; Sl 2; Dn 9:25 - "Saiba e entenda que a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reconstruída com ruas e muros, mas em tempos difíceis).

Para a maioria dos judeus daquela época, o Cristo seria alguém como um rei que apareceria para triunfar e liberar Israel das garras políticas dos outros impérios.

Mas o título de Messias/Cristo engloba algo muito mais profundo que um mero líder político. “O título, aplicado a Jesus, designa-O como o significado e cumprimento verdadeiro da longa sucessão de reis, profetas e sacerdotes que foram ungidos em Israel. Jesus é o REI, PROFETA e SACERDOTE em quem habita o Espírito de Deus, e em quem se cumpri as expectativas, promessas e vida da nação de Israel, em quem e de quem era a nação de Israel. E o Novo Israel de Deus é povo ungido e unido por Jesus”.

Quando uma pessoa chama Jesus de Cristo/Messias a pessoa está dizendo que Jesus é o cumprimento de toda profecia e esperança do Antigo Testamento. Ele é o PROFETA, o SACERDOTE, o REI!

Um Cristão verdadeiro é quem compreende que Jesus é o CRISTO, que Jesus é cumprimento espiritual de todas as promessas de Deus! Um cristão verdadeiro tem Jesus como o Cristo/Messias – Senhor Rei e Salvador! Um cristão verdadeiro sabe que ele é servo desse Rei!

Jesus evitava esse título em público, visto que os judeus tinham um entendimento errado do Messias, mas nessa conversa em particular com os 12 discípulos Ele busca essa resposta e depois explica o que significa esse título.

** Houve outras vezes em que os discípulos usaram títulos messiânicos para Jesus, mas eles sempre foram em contextos de curas e milagres. Agora eles estão sem o alvoroço e as emoções do momento, eles têm em mente a última cura de um cego e a lembrança das multiplicações (8:17-21).

Eles sabiam que Jesus era o Cristo (Jo 1:41, 49 - 40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido o que João dissera e que haviam seguido a Jesus.41 O primeiro que ele encontrou foi Simão, seu irmão, e lhe disse: "Achamos o Messias" (isto é, o Cristo).49 Então Natanael declarou: "Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!").

Eles sabiam que a pessoa de Jesus era divina, o Messias, mas eles não compreendiam como Jesus estava cumprindo o papel de Messias – Jesus era muito humilde, muito cheio de compaixão, um homem tocável, não aceitava o sistema religioso.

A visão e o entendimento deles ainda eram limitados pela cultura e herança religiosa que eles carregavam. Eles ainda viam o Messias como um líder político. Por isso esse era o momento deles confessarem e entenderem quem era Esse que eles estavam seguindo, pois o tempo estava acabando e as conseqüências estavam por vir!

*** Muitos confessam Jesus como Cristo num momento de emoção, quando o apelo é feito e a música é tocada. Mas Jesus quer a confissão num lugar de solitude, onde ninguém está vendo e ninguém pode te influenciar.

Mateus 16:16 - Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo".17 Respondeu Jesus: "Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus.18 E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.

V.17 - Uma pessoa só chega à conclusão de que Jesus é realmente o Messias – o cumprimento de todo o Antigo Testamento na pessoa de Jesus, o Deus encarnado – através de uma obra reveladora do Pai e do Espírito!

Jo 6:44 – Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia.
Jo 6:65 - Contudo, há alguns de vocês que não creem . Pois Jesus sabia desde o princípio quais deles não criam e quem o iria trair. E prosseguiu: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai".
ICo 12:3 - Por isso, eu lhes afirmo que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: "Jesus seja amaldiçoado"; e ninguém pode dizer: "Jesus é Senhor", a não ser pelo Espírito Santo.

Muitos hoje em dia alegam serem cristãos. Confessam Jesus Cristo como salvador, mas a grande maioria confessa devido a emoção do momento. A grande maioria dos cristãos no Brasil são falsos convertidos, pessoas que o Pai nunca chamou e nem atraiu e nem regenerou os corações. A confissão de que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e o Senhor só ocorre genuinamente quando o Deus-Pai revela!

V – A resposta de Jesus (v.30)
Jesus os advertiu que não falassem a ninguém a seu respeito. Jesus sabe que esses homens tem muito o que aprender ainda. Ele precisa de tempo com eles para abrir ainda mais os olhos e as mentes desses homens. O silêncio ajudaria nesse processo, pois se eles saíssem contando que Jesus era o Messias muito mais perseguição iria ocorrer.

A proibição de Jesus é que esses homens passem a declarar publicamente que Jesus é o Messias. O tempo iria chegar o próprio Jesus declararia publicamente (14:61-62). Jesus proíbe a proclamação, pois Ele sabia que as pessoas não entenderiam.

Se no período inter-testamentário um homem se auto denominasse o Cristo, ou se fosse proclamado pelos seus seguidores, as pessoas entenderiam que esse Messias se refere a um rei davídico que libertaria o povo e reinaria politicamente.

É exatamente isso o que Jesus não quer! Por isso Ele ordena que não saiam proclamando isso, pois até mesmos os discípulos têm que entenderem melhor quem e como é o ofício do Messias.

Até agora a pergunta era “Quem é esse?”. A partir de agora é “Que tipo de Messias é este? e “Como devem se comportar os seguidores desse Messias?”

A mesma pergunta é feita ainda hoje: Quem você diz que é Jesus? Quem é Jesus para você?

Essa pergunta tem implicações presentes e eternas! A resposta só pode ser uma de três. Ou Jesus é realmente o Deus encarnado que veio e morreu pelos pecadores ou Ele era um louco ou um mentiroso possuído por demônios.

Se você crê que Jesus realmente é o único mediador e salvador, o Deus encarnado – você precisa, então, viver sob o senhorio dEle. Viver em obediência aos mandamentos daquele que você chama Senhor. Buscar a santidade, ser batizado nas águas, participar da Ceia, ler e estudar a Palavra, fazer parte de uma igreja.

Se o Espírito Santo abriu seus olhos para ver e confessar que Jesus é o Cristo e o único Salvador, se entregue totalmente a Ele! Não importa o lugar e a situação, se o Pai está te atraindo ao Filho Jesus, vá com o coração arrependido!

“Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". (Mt 11:27-30)


Pastor Romildon
IgrejaBatista Graça e Paz

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Cristão pode celebrar o natal?


Na TV Mackenzie, o programa "Academia em Debate" traz um especial de Natal onde o Rev. Augustus Nicodemus trata dos seguintes assuntos:

- Jesus realmente existiu? 

- Onde ele viveu dos 12 aos 30 anos? 
- Podemos celebrar o natal? 
- Qual o sentido do Natal? 



Veja agora:


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Será que os cristãos não devem QUERER ficar ricos?


“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.” (1Timóteo 6:9)


No novo Testamento encontramos essa passagem, assim como outras igualmente sérias (algumas dos lábios de Jesus) que nos advertem contra colocar nossos corações nas riquezas, vivendo nossas vidas com o objetivo principal de acumular riquezas. Não é simplesmente uma questão moral, mas há muito dito aqui em termos de sabedoria e prudência.


Creio que o apóstolo está avisando que devemos nos vigiar e sermos muito cuidadosos pois a busca de riqueza pode se tornar uma armadilha sutil e devastadora. O desejo por essas riquezas, e o poder que vem com elas, pode cegar a pessoa para outras coisas que são muito mais valiosas e importantes aos olhos de Deus. Pode de tal maneira distrair nossa atenção de riqueza fundamental – a riqueza espiritual – que somos pegos e caímos numa armadilha, presos a tal ponto nessa busca, que somos capazes de comprometer nossa integridade a praticamente qualquer coisa para ganhar aquele poder. A riqueza pode nos destruir.

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.” (Mateus 6:19-20)

Lemos esse outro ditado no Novo Testamento: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.” (1Tm 6:10). Dinheiro em e por si mesmo não faz nada – ele não sai para matar ninguém, por exemplo. Mas a nossa paixão pelo dinheiro e por aquilo que ele nos dá, indica alguma coisa a respeito de nosso coração. Jesus disse que não devemos estocar tesouros na terra, mas sim no céu (Mt 6.19-20). Essas advertências e avisos são muito sérios e devemos examinar nossas almas para ter certeza que não fomos pegos por um desejo de riqueza e prosperidade a ponto de negligenciarmos as coisas de Deus.

Não há nada de errado em desejar ter roupa sobre o seu corpo nu, ter alimento para seu estômago faminto, ter uma casa confortável para viver. Não há nada de errado em tentar obter lucros nos negócios. Em última análise, seu lucro pode ajudar a muitos, ou a todos; pode ter um efeito positivo no mundo. Sem lucro não há comércio, e sem comércio não existe bem estar material.

O desejo de prosperar é legítimo. Deus até mesmo promete certos elementos de prosperidade para seu povo. Mas a busca da prosperidade deve estar sempre circunscrita pelas prioridades do reino de Deus. Penso que o apóstolo está nos dizendo que se desenvolvemos uma fixação por prosperidade, perdemos o equilíbrio, e também o reino de Deus.


RC Sproul
Teólogo, Pastor e Professor em Orlando, na Flórida.
Extraído do Livro Boa Pergunta! – Editora Cultura Cristã


sábado, 8 de dezembro de 2012

Se Deus é por nós, quem será contra nós?

“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Romanos 8:31-32)

Você já se deu conta que em determinados momentos da nossa existência temos a impressão que a vida resolveu conspirar contra a gente? Você já percebeu que em situações deste porte, somos tentados a achar que tudo e todos, concomitantemente resolveram se contrapor à concretização dos nossos sonhos e vontades?

Caro amigo, existem ocasiões que a vida nos reserva surpresas desagradáveis, são lutas que se multiplicam “na e com” a família, são problemas que se avolumam “no e com” o trabalho, isto tudo sem mencionar as crises internas e pessoais, que teimam em se agigantar dentro de nós, fazendo com que nos sintamos absolutamente incapazes de solucionar e resolver os problemas e dilemas da vida.

Caro leitor, não são poucos aqueles que sucumbem diante das pressões. É possível que você sinta que os sonhos plantados na terra fértil do teu coração tenham sido arrancados de modo bruto e violento pelos “coveiros da desesperança”. Quem sabe você sinta que os seus sonhos foram arrebatados abruptamente pelos salteadores da alegria, sendo lançados numa cova úmida e fria.

Meu amigo, não se desespere, seus sonhos não morreram! Podem ter sido arrancados do peito, contudo permanecem ainda vivos batendo forte na expectativa de um milagre. Acredite, ainda que a noite seja densa, existe uma luz no fim do túnel!

É indispensável que você compreenda que Deus nunca te deixará sozinho. Na verdade ele se faz presente em todos os momentos da nossa história, não é a toa que o salmista afirma que ele é socorro bem presente na angústia.

Amigo, preste atenção no que lhe vou afirmar: Se a vida teima em lhe armar ciladas e conspirar contra a sua felicidade, saiba que Deus se contrapõe a isto tudo agindo a seu favor. Senão vejamos, observe alguns acontecimentos que marcaram a vida de José: Na juventude, onde os sonhos afloram, onde os desejos “borbulham” na alma, José foi traído pelos seus irmãos e vendido como escravo aos medianitas. Imagine os sentimentos que tomaram conta deste rapaz? Rejeição, medo, desilusão, frustração em ver que aqueles aos quais ele tanto amava o traíra de modo feroz e covarde. Senão bastasse isso, José experimentou uma significativa mudança no seu modo de viver a vida. Isto porque, fora obrigado a deixar forçosamente as “mordomias” do pai, para como escravo servir de mordomo ao oficial de faraó. Por acaso, você já se deu conta que a vida nos proporciona choques como este? Conheço gente que vivia a vida nababescamente, sem se preocupar com o dia de amanhã, entretanto, sem que pudesse perceber, o chão da existência se abriu engolindo sonhos e esperanças.

O Interessante é que José supera a este momento da vida trabalhando e trabalhando muito. Você já percebeu que existem pessoas que tentam superar os traumas da vida trabalhando excessivamente? É possível que José tenha procurado afogar as magoas da decepção familiar trabalhando compulsivamente, quanta gente se transforma num workaholic simplesmente na esperança de cicatrizar as feridas do passado. Entretanto, basta um novo problema, uma nova crise, que tudo vem à tona novamente. Na verdade, foi isso que aconteceu com José, bastou à esposa de Potifar acusá-lo falsamente de um ato que não cometera que sua vida se desorganiza de novo.

A Bíblia nos ensina que a conseqüência deste grande embuste fora à prisão imediata de José. Parece que a vida conspirava contra ele, nada dava certo! Por acaso, você já se sentiu assim? Já teve a impressão que quando mais se “reza” mais assombração aparece? É possível que sim, no entanto, é absolutamente indispensável que você acredite que ainda que não pareça, Deus se faz presente em todos os instantes da nossa caminhada.

Ressalto que foi na prisão que Deus pode lapidar a vida daquele que mais tarde se tornaria um dos maiores administradores da história. Paradoxal isto não? Preste atenção, De que modo José poderia administrar abundância e escassez no Egito, se não tivesse passado pela escola da vida? Veja bem, ele administrou a abastança de Potifar, como também a insuficiência de víveres na prisão. O sucesso no futuro se deveu a experiência no passado.

Isto nos ensina que na escola divina muitas vezes Deus escreve a nossa história em aparentes linhas tortas. Talvez você tenha a impressão que Deus é um maquiavélico expectador das tragédias humanas. Por favor, preste atenção no que vou lhe dizer: Deus aproveita a conspiração da vida contra gente para se contrapor às tragédias do dia-a-dia conspirando a favor da gente. Foi isso que ele fez na vida de José, enquanto tudo parecia apontar para o fim, Deus interveio na história ensinando que ele usa toda e qualquer circunstância como instrumento de sua vontade. Nada absolutamente nada pode se contrapor à vontade de Deus!

Ele é soberano, Senhor de tudo e de todos! Se o cosmos é sustentado pela força do seu poder quanto mais as nossas frágeis vidas.

Se Deus é por nós quem será contra nós?

Pense nisso!

Renato Vargens

sábado, 1 de dezembro de 2012

Por que eu creio na Bíblia?


Eu creio na Bíblia porque ela é totalmente fiel e confiável quanto à sua origem, conteúdo e propósito. Ela vem de Deus, revela Deus e chama o homem de volta para Deus. O homem não é o centro da Bíblia; Deus é. A Bíblia é o livro dos livros. Concebida no céu, nascida na terra; inspirada pelo Espírito de Deus, escrita por homens santos de Deus; proclamada pela igreja, crida pelos eleitos e perseguida pelo mundo. A Bíblia é o livro mais lido no mundo, mais amado no mundo e o mais perseguido no mundo. Destaco três verdades axiais sobre a Bíblia:

Em primeiro lugar, quanto à sua origem, afirmamos categoricamente que a Bíblia procede de Deus. A Bíblia não foi concebida no coração do homem, mas no coração de Deus. Não procede da terra, mas do céu. Não é produto da lucubração humana, mas da revelação divina. Muito embora homens santos foram chamados para escrever a Bíblia, e nesse processo Deus não anulou a personalidade deles nem desprezou o conhecimento deles, o conteúdo da Escritura é inerrante. O próprio Deus revelou seu conteúdo e assistiu os escritores para que registrassem com fidelidade seu conteúdo. A Bíblia não é palavra de homens, mas a Palavra de Deus. É digna de inteira confiança, pois é inerrante quanto a seu conteúdo, infalível quanto às suas profecias e suficiente quanto a seu conteúdo.

Em segundo lugar, quanto ao seu conteúdo, afirmamos confiadamente que a Bíblia fala sobre Deus e sua oferta de salvação. Só conhecemos a Deus porque ele se revelou. Revelou-se de forma geral na obra da criação e de forma especial em sua Palavra. É verdade que os céus proclamam a glória de Deus e toda a terra está cheia de sua bondade. É verdade que podemos encontrar as digitais do criador em todo o vasto universo. Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Porém, conhecemos acerca de seu plano redentor através das Escrituras.

A salvação é um plano eterno de Deus. Mesmo nos refolhos da eternidade, o Pai, o Filho e o Espírito, o Deus Triúno, planejou nossa salvação. Nesse plano, o Pai escolhe para si um povo e envia o Filho ao mundo para redimi-lo. Jesus faz-se carne. Veste pele humana, vive entre os homens, cumpre cabalmente a lei, satisfaz a justiça divina e como nosso representante e substituto leva sobre si nossos pecados sobre a cruz e morre vicariamente, pagando nossa dívida e adquirindo para nós eterna redenção. Completando a obra da salvação, o Espírito Santo aplica, de forma eficaz, a obra de Cristo no coração dos eleitos, de tal forma que aqueles que Deus predestina, também os chama e aqueles a quem chama, também os justifica e aos que justifica, também os glorifica. É impossível, portanto, que aqueles que foram eleitos por Deus Pai, remidos pelo Deus Filho e regenerados e selados pelo Espírito Santo pereçam eternamente. O mesmo Deus que começou a boa obra em nós, completá-la-á até o dia de Cristo Jesus.

Em terceiro lugar, quanto ao seu propósito, afirmamos indubitavelmente que a Bíblia visa a glória de Deus e a redenção do pecador. A Bíblia não é um livro antropocêntrico; é teocêntrico. Seu eixo central não é o homem, mas Deus. Seu propósito não é exaltar o homem, mas promover a glória de Deus. Não é mostrar quão grande o homem é, mas quão gracioso é Deus. A história da redenção é a mais bela história do mundo. Fala de como Deus nos amou, estando nós mortos em nossos delitos e pecados. Fala de como Deus nos resgatou estando nós prisioneiros no cativeiro do pecado. Fala de como Deus nos libertou estando nós no império das trevas, na casa do valente, dominados pelo príncipe da potestade do ar.

Nossa redenção tem como propósito maior a manifestação da glória de Deus e o nosso prazer nele. Concluo, portanto, com a conhecida afirmação de John Pipper: “Deus é tanto mais glorificado em nós, quanto mais nós nos deleitamos nele”.


Rev. Hernandes D. Lopes

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Eis que estou à porta e bato...

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. (Apocalipse 3:20) 

Daqui é concluído, que Cristo está de pé e bate nos corações dos pecadores não regenerados pelo ministério da palavra, e que eles têm suficiente graça e força para abrir os seus corações para Ele, pois de outra maneira Ele bateria em vão; porque que homem sábio ficará de pé na porta de outro e baterá, se ele sabe que não há ninguém lá dentro que possa abrir para ele? E visto que se requer dos homens, na conversão, que abram seus corações para Cristo, conseqüentemente, a obra não é realizada por um poder irresistível, ou sem o consentimento e cooperação da vontade do homem. Mas,

1. Deve ser provado que o ministério da palavra é alguma vez denotado pelo bater nos corações dos pecadores não regenerados, ou que Deus, ou Cristo, são ditos alguma vez bater nos corações dos homens pelo ministério da palavra. Os homens podem golpear o ouvido, somente Deus pode alcançar e golpear o coração, o que é feito quando o Evangelho vem não em palavra somente, mas em poder, e no Espírito Santo, e quando Deus faz isto, Ele faz não batendo e golpeando, e então esperando até que a abertura é feita de dentro; mas Ele golpeia o lar, e ao mesmo tempo abre a porta do coração, como Ele fez com Lídia, por Sua poderosa e eficaz graça. 

Deve ser também provado que Deus, na conversão, ordene e requeira que os homens abram seus corações para Ele; nenhuma dessas coisas podem ser provadas, seja a partir deste texto ou de qualquer outro de toda a Bíblia; não está no poder do homem não regenerado, sendo morto em delitos e pecados, nem em sua vontade, inclinações, desejos e afeições, suas mentes carnais estando em inimizade contra Deus e Cristo, o abrir o seu coração e deixá-lo assim. 

E supondo que aquelas palavras representam Cristo estando de pé e batendo na porta dos corações dos homens, pelo ministério externo da palavra, não tem Ele a chave da casa de Davi, com a qual Ele abre e nenhum homem fecha? E Ele faz isto pelo poder de Sua graça, sem oferecer qualquer violência para as vontades dos homens, visto que seu povo é feito um povo disposto no dia de Seu poder. Por conseguinte seu bater não é em vão, visto que aos seus eleitos não somente a graça suficiente mas a graça eficaz é dada, pela qual a porta dos seus corações é aberta para Ele, e outros são deixados inescusáveis, que estão prontos para fazer subterfúgios tais como estes:; tivesse Ele batido, eu teria aberto; tivesse eu ouvido, teria crido; tivesse eu sabido, teria feito isto e não outra coisa. Mas,

2. Estas palavras não foram pronunciadas para pecadores não regenerados, nem fazem elas qualquer referência para o abrir dos corações dos homens na conversão, mas são dirigidas ao anjo da igreja de Laodicéia, e para os membros daquela igreja, pessoas que professavam o nome de Cristo; os quais, embora não fosse quentes, não eram todavia frios, e para os quais Cristo tinha uma admiração, embora eles estivem neste estado de mornidão; e, portanto, toma todo método apropriado para trazê-los de volta; que era muito parecida com a igreja em Cantares de Salomão 5:2, Eu dormia, mas o meu coração velava. Eis a voz do meu amado! Está batendo: Abre-me, minha irmã, amada minha, pomba minha, minha imaculada - um paralelo para este texto, e que é, além do mais, o único no qual é dito Cristo bater, e requerer de alguém que abra para Ele. 

“Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta.” (Tiago 5:8-9)

Agora, seu estar na porta pode significar sua proximidade para julgar, veja Tiago 5:8,9; (esta igreja de Laodicéia, sendo a última das igrejas, representa o estado da igreja nos últimos tempos, que trará e concluirá com o julgamento geral;) ou senão o propósito é mencionar a Sua presença nesta igreja, o que mostra Seu continuado amor, cuidado, condescendência, e paciência para com ela. Seu bater na porta não é pelo ministério da palavra, mas por algumas dolorosas dispensações de providência, talvez perseguição. 

Esta igreja estava em uma forma sonolenta, morna, indiferente e segura de espírito, como aparece a partir dos versos 15-18. Cristo não permitirá que ela continue assim, e, portanto, toma Sua vara em Suas mãos, permanece em sua porta, e dá algumas severas batidas e golpeadas para trazê-la para Si mesmo, e para fora deste estado e condição de indolência, indiferença e autoconfiança no qual ela estava; cujo sentido é confirmado pelo verso precedente, Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. 

“A voz do SENHOR clama à cidade e o que é sábio verá o teu nome. Ouvi a vara, e quem a ordenou.” (Miquéias 6:9)

A promessa que Ele faz para os tais que ouvem a Sua voz, isto é, os sábios, que escutam a vara, e Quem a ordenou, quando a voz do Senhor clama à cidade (Miquéias 6:9), ou à igreja, e abra para Ele, isto é, pelo exercício de uma vida de fé e amor, e que é devido ao Seu ato de meter a Sua mão pela fresta da porta (Cantares 5:4), é, que Ele entrará, para eles, e comerá com eles, e eles com Ele, o que pode, em geral, designar comunhão e intimidade em Sua casa e ordenanças, ou em particular, as bodas do Cordeiro, para a qual aqueles que foram chamados são declarados benditos.


por 
Dr. John Gill
http://monergismo.com/ 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como Saber se Você é um Verdadeiro Cristão?

por Jonathan Edwards



Conteúdo

  • Os Demônios têm um Conhecimento de Deus. 
  • Só o Conhecimento de Deus não é prova de salvação. 
  • As experiências religiosas não são prova de salvação. 
  • Objeção #1 - As pessoas são diferentes dos demônios. 
  • Objeção #2 - As pessoas podem ter sentimentos religiosos que os demônios não podem. 
  • As verdadeiras experiências espirituais têm uma diferente origem. 
  • Uma verdadeira experiência espiritual transforma o coração. 
  • As genuínas experiências espirituais têm resultados diferentes. 
  • A visão da beleza de Cristo - o maior dom de Deus!



"Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem  e estremecem." (Tiago 2:19)


Como você sabe se pertence a Deus? Nós vemos nestas palavras no que algumas pessoas confiam como sendo uma evidência de sua aceitação diante de Deus. Algumas pessoas pensam que elas estarão certas diante de Deus se não forem tão más como algumas pessoas ímpias. Há um sistema evangelístico em uso comum que pergunta às pessoas certas questões. Uma das questões é: "Suponha que tu morras hoje. Por que Deus deveria deixar-te entrar no Seu céu?" Uma resposta muito comum é: "Eu creio em Deus". Aparentemente o apóstolo Tiago conhecia pessoas que diziam a mesma coisa: Eu sei que estou no favor de Deus, porque eu conheço estas doutrinas religiosas.


Certamente Tiago admite que este conhecimento é bom. Não somente é bom, mas é também necessário. Ninguém que não acredite em Deus, pode ser um Cristão; e mais do que isto, no Único e Verdadeiro Deus. Isto é particularmente verdadeiro para aqueles que tiveram a grande vantagem de realmente conhecer o apóstolo, alguém que poderia lhes dizer em primeira mão de sua experiência com Jesus, o Filho de Deus. Imagine o grande pecado de uma pessoa, que conheceu Tiago, e depois recusou crer em Deus! Certamente isto faria sua condenação maior. Certamente, todos Cristãos sabem que esta crença no Único Deus é somente uma parte das boas coisas "porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam". (Hebreus 11:6)


Todavia, Tiago é claro que embora esta crença seja uma boa coisa, definitivamente ela não é prova de que uma pessoa é salva. O que ele pretende dizer é isto: "Você diz que é um Cristão e que está no favor de Deus. Você pensa que Deus permitirá que você entre no céu, e a prova disto é: você crê em Deus. Mas, isto não á uma evidência de maneira nenhuma, porque os demônios também creem  e eles estão certos de que serão punidos no inferno". Os demônios creem em Deus, podem estar certos disto! Eles não somente creem que Ele existe, mas eles creem que Deus é um santo Deus, um Deus que odeia o pecado, um Deus de verdade, que prometeu julgamentos, e que cumprirá Sua vingança sobre eles. Esta é a razão dos demônios "estremecerem" ou tremerem - eles conhecem Deus mais claramente que a maioria dos seres humanos, e eles estão amedrontados. Todavia, nada na mente do homem, que os demônios possam experimentar também, é sinal de que a graça de Deus esteja em nossos corações.


Este raciocínio pode facilmente ser girado ao redor. Supor que os demônios tenham, ou encontrem dentro de si mesmos, algo da graça salvadora de Deus, não prova que eles irão para o céu. Isto provaria um erro de Tiago. Mas, quão absurdo! A Bíblia deixa claro que os demônios não têm esperança de salvação, e que sua crença em Deus não tira sua futura punição. Portanto, crer em Deus não é prova de salvação para os demônios, e pode-se dizer com segurança que tampouco para os seres humanos.

Os Demônios têm um Conhecimento de Deus.



Isto é visto mais claramente quando pensamos sobre o que os demônios são de fato. Eles não são santos: qualquer coisa que eles experimentem, não pode ser uma santa experiência. O diabo é perfeitamente mau. "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira". (João 8:44) "Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo". (1 João 3:8) Portanto, os demônios são chamados espíritos maus, espíritos impuros, poderes das trevas, e assim por diante. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". (Efésios 6:12)


Assim, é óbvio que qualquer coisa nas mentes de demônios não podem ser santas, ou conduzir à verdadeira santidade por si mesma. Os demônios claramente sabem muitas coisas sobre Deus e religião, mas eles não possuem um santo conhecimento. As coisas que eles conhecem em suas mentes podem fazer impressões em seus corações - realmente, veremos que os demônios possuem sentimentos muito fortes sobre Deus; tão forte, na realidade, que eles "estremecem". Mas, eles não possuem sentimentos santos porque eles não têm nada a ver com a obra do Espírito Santo. Se esta é a verdade sobre a experiência dos demônios, isto é também verdadeiro sobre a experiência dos homens.


Note isto, que não importa quão genuínos, sinceros, e poderosos estes pensamentos e sentimentos são. Os demônios, sendo criaturas espirituais, conhecem Deus em um caminho que os homens na terra não podem. O conhecimento deles sobre a existência de Deus é mais concreto do que o conhecimento de qualquer homem possa ser. Porque eles estão presos na batalha com as forças do bem, eles possuem uma sinceridade de conhecimento também. Em uma ocasião, Jesus expulsou alguns demônios. "Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus?", eles clamaram, "Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" (Mateus 8:29). Que experiência pode ser mais nítida do que esta? Todavia, apesar dos pensamentos e sentimentos deles serem genuínos e poderosos, eles não eram santos.


Também podemos ver que os santos objetos de seus pensamentos não fazem seus pensamentos e sentimentos serem santos. Os demônios sabem que Deus existe! Mateus 8:29 mostra que eles sabem mais sobre Jesus do que muitas pessoas! Eles sabem perfeitamente que Jesus julgara-los algum dia, porque Ele é santo. Mas é claro, que pensamentos e sentimentos genuínos, sinceros e poderosos sobre coisas santas e espirituais, não são prova da graça de Deus no coração. Os demônios têm estas coisas, e enxergam adiante a punição eterna no inferno. Se os homens não têm mais do que os demônios têm, eles sofrerão do mesmo modo.

Só o conhecimento de Deus não é prova de salvação.



Nós podemos fazer diversas conclusões baseadas nestas verdades. Primeiramente que, não importa quanto as pessoas possam saber sobre Deus e a Bíblia, isto não é um sinal certo de salvação. O diabo antes de sua queda, era uma das mais brilhantes estrelas da manhã, uma labareda de fogo, um que excedia em força e sabedoria. (Isaías 14:12, Ezequiel 28:12-19). Aparentemente, como um dos principais anjos, Satanás conhecia muito sobre Deus. Agora que ele está caído, seu pecado não tem destruído suas memórias de antes. O pecado destrói a natureza espiritual, mas não as habilidades naturais, tais como a memória. Que os anjos caídos têm muitas habilidades naturais pode ser visto em muitos versos da Bíblia, por exemplo, Efésios 6:12. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". No mesmo modo, a Bíblia diz que Satanás é "mais astuto" do que os outros seres criados. (Gênesis 3:1, também 2 Coríntios 11:3, Atos 13:10) Portanto, podemos ver que o Diabo sempre teve grandes habilidades mentais e que é capaz de conhecer muito sobre Deus, sobre o mundo visível e invisível, e sobre muitas outras coisas. Visto que sua ocupação no princípio era ser um anjo principal diante de Deus, é somente natural que compreender estas coisas sempre tenha sido de primeira importância para ele, e que todas suas atividades tenham a ver com estas áreas de pensamentos, sentimentos e conhecimento.


Porque era sua ocupação original ser um dos anjos diante da própria face de Deus e porque o pecado não destrói a memória, é claro que Satanás conhece muito mais sobre Deus do que qualquer outro ser criado. Depois da queda, podemos ver de suas atividades como a tentação, etc., (Mateus 4:3) que ele tem gastado seu tempo para aumentar seu conhecimento e suas aplicações práticas. Que o seu conhecimento é grande pode ser visto em quão enganador ele é quando tenta as pessoas. A astúcia de suas mentiras mostra quão sagaz ele é. Certamente não poderia manejar tão bem suas ludibriações sem um conhecimento real e verdadeiro dos fatos. 
Este conhecimento de Deus e de Suas obras é desde o princípio. Satanás existia desde a Criação, como Jó 38:4-7 mostra: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência...Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Assim, ele deve conhecer muito sobre a maneira como Deus criou o mundo, e como Ele governa todos os eventos do universo. Além do mais, Satanás viu como Deus desenvolveu Seu plano de redenção no mundo; e não como um inocente espectador, mas como um inimigo ativo da graça de Deus. Ele viu Deus trabalhar nas vidas de Adão e Eva, em Noé, Abraão, e Davi. Ele deve ter tomando um especial interesse na vida de Jesus Cristo, o Salvador dos homens, a Palavra de Deus encarnada. Quão próximo prestou atenção a Cristo? Quão cuidadosamente ele observou Seus milagres e ouviu Suas palavras? Isto é o porque Satanás se pôs contra a obra de Cristo, e foi para o seu tormento e angústia que Satanás assistiu a obra de Cristo desvelada com sucesso. 

Satanás, então, conhece muito sobre Deus e sobre a obra de Deus. Ele conhece o céu em primeira mão. Ele conhece o inferno também, com conhecimento pessoal como sua principal residência, e tem experimentado seus tormentos por todos estes milhares de anos. Ele deve ter um grande conhecimento da Bíblia: pelo menos, podemos ver que ele conhecia o suficiente para ver se conseguia tentar nosso Salvador. Além do mais, ele tem tido anos de estudo dos corações dos homens, seus campo de batalha onde ele luta contra nosso Redentor. Quanto labores, esforços, e cuidados o Diabo usou através dos séculos a medida que ludibriava os homens. Somente um ser com seu conhecimento e experiência sobre a obra de Deus, e sobre o coração do homem, portanto, poderia imitar a verdadeira religião e transformar-se em um anjo de luz. (2 Coríntios 11:14)



Portanto, podemos ver que não há nenhuma quantidade de conhecimento sobre Deus e religião que poderia provar que uma pessoa tem sido salva de seu pecado. Um homem pode falar sobre a Bíblia, Deus, e a Trindade. Ele pode ser capaz de pregar um sermão sobre Jesus Cristo e tudo que Ele fez. Imaginem, alguns podem ser capazes de falar sobre o caminho da salvação e a obra do Espírito Santo nos corações dos pecadores, talvez até mesmo mostrar a outros como se tornarem Cristãos. Todas estas coisas podem edificar a igreja e iluminar o mundo, todavia, não é uma prova certa da graça de Deus no coração de uma pessoa.


Pode também ser visto que as pessoas meramente concordarem com a Bíblia não é um sinal certo de salvação. Tiago 2:19 mostra que os demônios realmente, verdadeiramente, creem na verdade. Da mesma forma que eles creem que há um só Deus, eles concordam com toda a verdade da Bíblia. O diabo não é um herético: todos os artigos de sua fé estão firmemente estabelecidos na verdade.


Deve ser entendido que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia tenciona dizer não um mero concordar com a verdade, mas outro tipo de crença. "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido". (1 João 5:1) Este outro tipo de conhecimento é chamado "a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade". (Tito 1:1) Há um acreditar espiritual na verdade, o que será explicado mais tarde.

As Experiências Religiosas não são prova de salvação.



Algumas pessoas têm fortes experiências religiosas, e pensam delas como uma prova da obra de Deus em seus corações. Freqüentemente, estas experiências dão às pessoas um sentimento da importância do mundo espiritual, e a realidade das coisas divinas. Contudo, elas, também, não são uma prova certa da salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que têm um grande efeito em suas atitudes de coração. Freqüentemente, essas experiências dão às pessoas um sentido da importância do mundo espiritual, e da realidade das coisas divinas. Contudo, essas, também, não são uma prova seguro de salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que causam um grande efeito nas atitudes de seus corações. Eles vivem no mundo espiritual e vêem em primeira mão como este é de fato. Os sofrimentos deles mostram-lhes o valor da salvação e o valor de uma alma humana em uma maneira mais poderosa do que se possa imaginar. A parábola em Lucas capítulo 16 ensina isto claramente, porque o homem sofrendo pergunta se Lázaro pode ser enviado para avisar seus irmãos, a fim de evitarem este lugar de tormento. Sem dúvidas, as pessoas no inferno têm uma ideia distinta da vastidão da eternidade, e da brevidade da vida. Eles estão completamente convencidos de que todas as coisas desta vida não são importantes quando comparadas com as experiências do mundo eterno. As pessoas que estão agora no inferno têm um grande sentido da preciosidade do tempo, e das maravilhosas oportunidades que as pessoas têm, as que possuem o privilégio de ouvir o Evangelho. Elas estão completamente conscientes da loucura do pecado, da negligência das oportunidades, e de se ignorar as advertências de Deus. Quando os pecadores descobrem por experiência pessoal o resultado final de seu pecado há "pranto e ranger de dentes" (Mateus 13:42) Assim, até mesmo as mais poderosas experiências religiosas não são um sinal seguro da graça de Deus no coração. 


Os demônios e as pessoas condenadas também têm um forte senso da majestade e poder de Deus. O poder de Deus é mais claramente demonstrado na execução de Sua divina vingança sobre Seus inimigos. "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" (Romanos 9:22). Estremecendo, os diabos aguardar a punição final deles, debaixo de um poderoso senso da majestade de Deus. Eles sentem isto agora, certamente, mas no futuro isto se mostrará em altíssimo grau, quando "se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder. Como labareda de fogo..." (2 Tessalonicenses 1:7-8) Neste dia, eles desejarão fugir, se esconder da presença de Deus. "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele." (Apocalipse 1:7) Portanto, todos O verão na glória de Seu Pai. Porém, obviamente, nem todos que O verão, serão salvos.



Objeção #1- As pessoas são diferentes dos demônios.
Agora, é possível que algumas pessoas possam objetar-se à tudo isto, dizendo que os homens ímpios deste mundo são totalmente diferentes dos demônios. Eles estão sob circunstâncias diferentes e são diferentes espécies de seres. Um objetor pode dizer: "Aquelas coisas que são visível e presentes para os demônios, são invisíveis e futuras para os homens. Além disso, as pessoas têm a desvantagem de terem corpos, que restringem a alma, e impedem que as pessoas vejam estas coisas espirituais em primeira mão. 

Portanto, mesmo se os demônios possuem um grande conhecimento e experiência pessoal das coisas de Deus, e não têm graça, a conclusão não se aplica a mim". Ou, colocando de uma outra forma: se as pessoas possuem estas coisas nesta vida, isto pode ser muito bem um sinal seguro da graça de Deus em seus corações. 
Na resposta, concorda-se que nenhum homem nesta vida jamais terá o grau destas coisas como os demônios as têm. Nenhuma pessoa jamais estremecerá, com a mesma quantidade de temor que os demônios estremecem. Nenhum homem, nesta vida, pode jamais ter o mesmo tipo de conhecimento que o Diabo tem. É claro que os demônios e os homens condenados entendem a vastidão da eternidade, e a importância do outro mundo, mais do qualquer outra pessoa viva, e assim eles desejam ardentemente a salvação ainda mais. 

Porém, podemos ver que os homens neste mundo podem ter experiências do mesmo tipo daquelas dos demônios e pessoas condenadas. Eles têm a mesma percepção mental, as mesmas opiniões e emoções, e os mesmos tipos de impressões na mente e no coração. Note, que para o apóstolo Tiago isto é um argumento convincente. Ele argumenta que se as pessoas pensam que acreditar em um único Deus é prova da graça de Deus, ela não é prova, pois os demônios creem no mesmo. Tiago não está se referindo ao ato de crer somente, mas também às emoções e ações que vão juntas com sua crença. Estremecer é um exemplo de emoções do coração. Isto mostra que as pessoas têm o mesmo tipo de percepção mental, e que reagir no coração da mesma maneira, não é sinal seguro de graça. 

A Bíblia não declara quantas pessoas neste mundo podem ver a glória de Deus, sem possuírem a graça de Deus nos seus corações. Não nos é informado exatamente em que grau Deus Se revela a certas pessoas, e quantas deles responderam em seus corações. É muito tentador dizer que se uma pessoa tem uma certa quantidade de experiência religiosa, ou uma certa quantidade de verdade, ela deve ser salva. Talvez, seja até possível para alguns povos não-salvos terem experiências maiores do que aqueles que possuem a graça em seus corações. Assim, é errado olhar para a experiência ou conhecimento em termos de quantidade. Os homens que possuem uma genuína obra do Espírito Santo em seus corações, têm experiências e conhecimento de um diferente tipo.


Objeção #2- As pessoas podem ter sentimentos religiosos que os demônios não podem.


Neste ponto, alguém pode replicar estes pensamentos dizendo: "Eu concordo com você. Eu vejo que crer em Deus, entendendo Sua majestade e santidade, e conhecendo que Jesus morreu por pecadores, não é prova da graça em meu coração. Eu creio que os demônios podem saber estas coisas também. Porém, eu tenho algumas coisas que eles não. Eu tenho alegria, paz e amor. Os demônios não podem tê-los, de forma que isto deve mostrar que sou salvo."


Sim, é verdade que você tem algo a mais do que os demônios possam ter, mas isto não é nada melhor do que os demônios possam ter. Uma experiência pessoal de amor, alegria, etc., não pode ser porque eles tenham qualquer causa neles diferentes de um demônio, mas somente diferentes circunstâncias. As causas, ou origens, de seus sentimentos não são as mesmas. Esta é a razão porque estas experiências não são melhores do que aquelas dos demônios. Para explicar melhor:


Todas as coisas que foram discutidas antes sobre os demônios e pessoas condenadas, surgiram de duas principais causas, entendimento natural e amor próprio. Quando eles pensam sobre eles próprios, estas suas coisas são as que determinam seus sentimentos e reações. O entendimento natural mostra-lhes que Deus é santo, enquanto que eles são ímpios. Deus é infinito, mas eles são limitados. Deus é poderoso, e eles são fracos. O amor próprio dá-lhes um senso da importância da religião, do mundo eterno, e um desejo pela salvação. Quando estas duas causas trabalham juntas, os demônios e os homens condenados conscientizam-se da terrível majestade de Deus, quem eles sabem que será seu Juiz. Eles sabem que o julgamento de Deus será perfeito e sua punição será para sempre. Portanto, estas duas causas juntas com seus sentimentos causarão sua angústia no dia do julgamento, quando eles verão a glória visível de Cristo e Seus santos.


A razão porque muitas pessoas sentem alegria, paz e amor hoje, enquanto os demônios não, pode ser mais devido suas circunstâncias, do que qualquer diferença em seus corações. As causas em seus corações são as mesmas. Por exemplo, o Espírito Santo está agora atuando no mundo impedindo que todos da humanidade sejam tão maus como poderiam ser (2 Tessalonicenses 2:7). Isto está em contraste aos demônios, que são tão maus como eles poderiam ser o tempo todo. Além do mais, Deus em Sua misericórdia dá dons à todas pessoas, tal como a chuva para a colheita (Mateus 5:45), o calor do sol, etc. Não somente isto, mas freqüentemente as pessoas recebem muitas coisas na vida que lhes trazem felicidade, tais como relacionamentos pessoais, prazeres, músicas, boa saúde, e assim por diante. Mais importante de tudo, muitas pessoas ouvem as novas de esperança: Deus enviou um Salvador, Jesus Cristo, que morreu para salvar pecadores. Nestas circunstâncias, o entendimento natural das pessoas pode fazer com que sintam coisas que os demônios não podem sentir.


O amor próprio é uma força poderosa nos corações dos homens, forte o bastante para fazer com que as pessoas, mesmo sem a graça, amem aos que os amam: "E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam." (Lucas 6:32) É uma coisa natural para uma pessoa que vê Deus ser misericordioso, e que sabe que eles não são tão maus como poderiam ser, serem conseqüentemente seguros do amor de Deus por eles. Se seu amor por Deus vem somente de seus sentimentos de que Deus te ama, ou porque você tem ouvido que Cristo morreu por você, ou algo similar, então, a origem de seu amor por Deus é somente o amor próprio. Isto reina nos corações dos demônios também.


Imagine a situação dos demônios. Eles sabem que eles são irrefreáveis em sua maldade. Eles sabem que Deus é seu maior inimigo e sempre será. Embora eles estejam sem qualquer esperança, ainda estão ativos e lutando. Pense apenas, o que aconteceria se eles tivessem algo da esperança que as pessoas têm? O que aconteceria se os demônios, com seu conhecimento de Deus, tivessem suas maldades refreadas? Imaginem se um demônio, depois de todos seus temores sob o julgamento de Deus, fosse repentinamente levado a imaginar que Deus pudesse ser sue Amigo? Que Deus poderia perdoá-lo e permiti-lo, com pecado e tudo, no céu? Oh a alegria, a maravilha, a gratidão que nós veríamos! Não seria este demônio um grande amante de Deus, visto que, apesar de tudo, todo mundo ama as pessoas que lhes ajudam? O que mais poderia causar sentimentos tão poderosos e sinceros? É alguma maravilha, que muitas pessoas são enganadas dessa maneira? Especialmente visto que as pessoas têm os demônios para promover esta ilusão. Eles têm promovido isto agora e por muito séculos, e ah!, eles são muito bons nisto.

As verdadeiras experiências espirituais têm uma origem diferente



Agora chegamos à pergunta: se todas estas várias experiências e sentimentos vêm de nada mais do que os demônios são capazes de possuir, quais são os tipos de experiências que são verdadeiramente espirituais e santas? O que tenho que encontrar em meu coração, como um sinal seguro da graça de Deus ali? Quais são as diferenças que mostram-nas serem do Espírito Santo?




Esta é a resposta: aqueles sentimentos e experiências que são bons sinais da graça de Deus no coração diferem das experiências dos demônios em sua origem e em seus resultados. Sua origem é a percepção da devastadoramente santa beleza e amabilidade das coisas de Deus. Quando uma pessoa entende em sua mente, ou melhor ainda, quando ela sente seu próprio coração cativado pela atratividade do Divino, isto é um sinal inequívoco da obra de Deus.


Os demônios e condenados no inferno não experimentam agora, e nunca experimentarão nem um pouco disto. Antes da queda deles, os demônios tinham esta percepção de Deus. Mas em sua queda, eles a perderam, e a única coisa que eles poderiam perder do seu conhecimento de Deus. Temos visto como os demônios possuem claras idéias sobre como Deus é poderoso, sobre Sua justiça, santidade, e assim por diante. Eles conhecem muitos dos fatos sobre Deus. Mas agora eles não têm um indício sobre como Deus é. Eles não podem saber o que Deus é mais do que um cego pode saber sobre cores! Os demônios têm uma forte percepção da terrível majestade de Deus, mas eles não vêem Sua amabilidade. Eles têm observado Sua obra entre a raça humana por estes milhares de anos, deveras com toda a atenção; mas eles não podem ver um vislumbre de Sua beleza. Não importa quanto eles saibam sobre Deus (e temos visto que eles sabem realmente muito), o conhecimento que eles possuem nunca lhes trará a este alto e espiritual conhecimento de como Deus é. Pelo contrário, quanto mais eles sabem sobre Deus, mais eles O odeiam. A beleza de Deus consiste primariamente nesta santidade, ou excelência moral, e isto é o que eles mais odeiam. É porque Deus é santo que os demônios Lhe odeiam. Alguém pode supor que se Deus fosse menos santo, os demônios Lhe odiariam menos. Sem dúvidas os demônios devem odiar qualquer Ser santo, não importa quem Ele seja. Mas, certamente, eles odeiam este Ser ainda mais, por ser infinitamente santo, infinitamente sábio, e infinitamente poderoso!


Pessoas ímpias, incluindo aquelas ainda vivas, verão no dia do julgamento tudo o que há para ver de Jesus Cristo, exceto Sua beleza e amabilidade. Não há nenhuma coisa sobre Cristo que pudermos pensar, que não será posta diante deles em poderosa luz naquele brilhante dia. Os ímpios verão Jesus "vindo nas nuvens, com grande poder e glória". (Mateus 13:26) Eles verão Sua glória visível, que é muito, muito maior do que podemos imaginar agora. Os ímpios serão totalmente convencidos de tudo o que Cristo é. Eles serão convencidos sobre Sua onisciência, a medida que eles virem seus pecados repassados e julgados. Eles verão em primeira mão a justiça de Cristo, a medida que suas sentenças forem anunciadas. Sua autoridade será feita absolutamente convincente quando cada joelho se dobrar, e cada língua confessar a Jesus como Senhor. (Filipenses 2:10,11) A divina majestade será impressa sobre eles em um modo totalmente efetivo, a medida que os ímpios forem lançados no inferno, e entrarem no seu estado final de sofrimento e morte. (Apocalipse 20:14,15) Quanto isto acontecer, todo seu conhecimento de Deus, tão verdadeiro e poderoso como possa ser, não valerá nada, e menos do que nada, porque eles não verão a beleza de Cristo.


Portanto, é esta visão da amabilidade de Cristo que faz a diferença entre a graça salvadora do Espírito Santo, e as experiências dos demônios. Esta visão ou percepção é que faz a verdadeira experiência Cristã diferente de qualquer outra. A fé do povo eleito de Deus é baseada nisto. Quando uma pessoa vê a excelência do evangelho, percebe a beleza e amabilidade do plano divino da salvação. Sua mente é convencida de que isto é de Deus, e crê nisto com todo seu coração. Como o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 4:3,4: "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." Isto é dizer, como foi explicado antes, que os incrédulos podem ver que há um evangelho, e entender os fatos sobre ele, mas eles não vêem sua luz. A luz do evangelho é a glória de Cristo, Sua santidade e beleza. Justamente após isto nós lemos: 2 Coríntios 4:6 "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo." Claramente, é esta divina luz, brilhando em nossos corações, que nos capacita a ver a beleza do evangelho e a ter uma fé salvadora em Cristo. Esta luz sobrenatural nos mostra a superlativa beleza e amabilidade de Jesus, e nos convence de Sua suficiência como nosso Salvador. Somente um Salvador glorioso e majestoso pode ser nosso Mediador, permanecendo entre o culpado, pecadores merecedores do inferno como nós mesmos, e um Deus infinitamente santo. Esta luz sobrenatural nos dá uma percepção de Cristo que nos convence de uma maneira que nada mais poderia fazer.

Uma verdadeira experiência espiritual transforma o coração



Quando o pior dos pecadores é levado a ver a divina amabilidade de Cristo, ele não mais especula porque Deus deve estar interessado nele, para salvá-lo. Antes, ele não poderia entender como o sangue de Cristo poderia pagar a penalidade pelos pecados. Mas agora, ele pode ver a preciosidade do sangue de Cristo, e como Ele é digno de ser aceito como um resgate para o pior dos pecados. Agora, a alma pode reconhecer que ele é aceito por Deus, não por causa do que ele é, mas por causa do valor que Deus põe no sangue, na obediência, e na intercessão de Cristo. Ver este valor e dignidade dá à pobre alma culpada, um descanso que não pode ser encontrado em qualquer sermão ou livreto.

Quando uma pessoa chega a ver o fundamento apropriado da fé e da confiança com seus próprios olhos, esta fé é salvadora. "Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna." (João 6:40) "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu nos deste, e guardaram a tua palavra. Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti. Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste". (João 17:6-8)

É esta visão da divina beleza de Cristo que cativa as vontades e atraí os corações dos homens. Uma visão da grandeza visível de Deus em Sua glória pode esmagar os homens, acima daquilo que poderão suportar. Isto será visto no dia do julgamento, quando os ímpios serão trazidos diante de Deus. Eles serão esmagados, sim, mas a hostilidade do coração permanecerá integralmente e a oposição da vontade continuará. Mas por outro lado, um simples raio da glória moral e espiritual de Deus e da suprema amabilidade de Cristo brilhando no coração, sujeita toda hostilidade. A alma é inclinada a amar a Deus como se por um poder onipotente, de modo que agora não somente o entendimento, mas todo o ser recebe e abraça o amável Salvador.

Esta percepção da beleza de Cristo é o principio da verdadeira fé salvadora na vida de um verdadeiro converso. Esta é totalmente diferente de qualquer sentimento vago que Cristo lhe ama ou morreu por ele. Este tipo de sentimentos confusos podem causar um tipo de amor e alegria, porque a pessoa sente uma gratidão por ter escapado da punição de seu pecado. Na realidade, estes sentimentos são baseados no amor próprio, e de nenhuma maneira em um amor por Cristo. É uma coisa triste que tantas pessoas são iludidas por esta falsa fé. Por outro lado, um vislumbre da glória de Deus na face de Jesus Cristo causa no coração um supremo e genuíno amor por Deus. Isto é porque a luz divina mostra a excelente natureza da amabilidade de Deus. Um amor baseado nisto está muito, muito acima de qualquer coisa que venha de um amor próprio, o qual os demônios podem possuir tão bem como os homens. O verdadeiro amor por Deus que vêm desta visão de Sua beleza causa uma alegria santa e espiritual na alma; uma alegria em Deus, e um regozijo nEle. Não há regozijo em nós mesmos, pelo contrário há regozijo somente em Deus.

As experiências genuínas espirituais têm resultados diferentes



A visão da beleza das coisas divina causará verdadeiros desejos pelas coisas de Deus. Estes desejos são diferentes das aspirações dos demônios, as quais acontecem porque os demônios sabem da maldição que lhes esperam, e desejam que isto possa ser de alguma forma diferente. Os desejos que vêm desta visão da beleza de Cristo são desejos naturais livres, como um bebê desejando leite. Porque estes desejos são tão diferentes das suas falsificações, eles ajudam à distinguir a genuína experiência da graça de Deus da falsa.



As falsas experiências espirituais têm a tendência de causar orgulho, que é um pecado especial do diabo. "Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo".(1 Timóteo 3:6) O orgulho é um resultado inevitável das experiências espirituais falsas, embora elas sejam freqüentemente cobertas com um disfarce de grande humildade. A experiência falsa é enamorada com si própria e cresce assim. Ela vive da própria exibição de um jeito ou outro. Uma pessoa pode ter um grande amor por Deus, e ser orgulhosa da grandeza de seu amor. Ele pode ser muito humilde, e deveras orgulhoso de sua humildade. Mas, as emoções e experiência que vêm da graça de Deus são exatamente opostas. A verdadeira obra de Deus no coração causa humildade. Elas não podem causar qualquer tipo de exibicionismo ou auto-exaltação. A percepção da terrível, santa, e gloriosa beleza de Cristo mata o orgulho e humilha a alma. A luz da amabilidade de Deus, e esta somente, mostra à alma sua própria vileza. Quando uma pessoa entende isto, inevitavelmente começa um processo de fazer Deus maior e maior, e ele mesmo menor e menor.


Outro resultado da graça de Deus operante no coração é que a pessoa odiará cada mal e reagirá a Deus com um coração e uma vida santa. As experiências falsas podem causar uma certa quantia de zelo, e até muito do que é comumente chamado religião. Contudo, não é um zelo pelas boas obras. Sua religião não é um serviço de Deus, mas antes um serviço próprio. Isto é como o apóstolo Tiago o coloca neste mesmo contexto, "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" (Tiago 2:19,20) Em outras palavras, os feitos, ou boas obras, são evidências de uma genuína experiência da graça de Deus no coração. "E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade". (1 João 2:3,4) Quando o coração tem sido encantado pela beleza de Cristo, como poderia responder de outra forma?

A visão da beleza de Cristo - o maior dom de Deus!



Quão excelente é esta bondade interna e a verdadeira religião que vêm desta visão da beleza de Cristo! Aqui você tem as mais maravilhosas experiências dos santos e anjos no céu. Aqui você tem a melhor experiência do próprio Jesus Cristo. Embora sejamos meras criaturas, isto é um tipo de participação na própria beleza de Deus. "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina." (2 Pedro 1:4). "Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este [Deus], para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade." (Hebreus 12:10) Por causa do poder desta obra divina, há uma habitação mútua de Deus em Seu povo. "Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele".


Este relacionamento especial faz com que a pessoa envolta seja tanto feliz como abençoada, como nenhuma criatura existente. Este é um dom especial de Deus, que Ele dá somente para Seus favoritos. Ouro, prata, diamantes, e reinos terrestres são dados por Deus para pessoas que a Bíblia chama de cães e porcos. Mas o grande dom de contemplar a beleza de Cristo, é uma benção especial de Deus para Seus queridos filhos. Carne e sangue não podem dar este dom: somente Deus pode concedê-lo. Este foi o dom especial pelo qual Cristo morreu para obter para Seus eleitos. Este é o sinal mais alto de seu eterno amor, o melhor fruto de Seus labores, e a mais preciosa aquisição de Seu sangue.

Por este dom, mais do que qualquer outro, os santos brilham como luzes no mundo. Este dom, mais do que qualquer outro, é seu o conforto. É impossível que a alma que possua este dom possa perecer. Este é o dom da vida eterna. Este é o início da vida eterna: aquele que o tem, não pode jamais morrer. Este é o amanhecer da luz da glória. Ele vem do céu, tem uma qualidade celestial, e guiará seu portador ao céu. Aqueles que possuem este dom, podem vagar no deserto ou serem lançados pelas ondas do mar, mas finalmente chegarão ao céu. Lá a faísca celestial se tornará perfeita e elevada. 

No céu, as almas dos santos serão transformadas em uma brilhante e pura labareda de fogo, e eles brilharão eternamente como o sol no reino de seu Pai. Amém.


Originalmente intitulado A Verdadeira Graça Distinguida da Experiência dos Demônios por Jonathan Edwards, 1752. Esta versão moderna da linguagem é Copyright 1994 por William Carson.

Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto

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